Lula chama de pirataria taxa de Trump sobre navios em Ormuz

Um Estado importante como os Estados Unidos não pode virar pirata
Lula critica a taxa de 20% que Trump cobra sobre navios no Estreito de Ormuz.

Em um momento em que as rotas marítimas globais se tornam palco de disputas de poder, o presidente Lula acusou Donald Trump de transformar os Estados Unidos em um Estado pirata ao cobrar 20% de taxa sobre navios no Estreito de Ormuz. A crítica, feita em São Caetano do Sul durante visita a pesquisas sobre biocombustíveis, conecta a política externa americana ao custo de vida dos brasileiros — do combustível ao feijão. Para Lula, a história se repete: assim como no Iraque em 2003, uma justificativa questionável serve de pretexto para uma guerra cujos custos recaem sobre os mais vulneráveis.

  • Trump impõe taxa de 20% sobre navios no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais vitais do planeta, gerando reação imediata do governo brasileiro.
  • Lula compara a medida à pirataria histórica e acusa os EUA de terem criado o próprio conflito que agora usam para justificar a cobrança.
  • A guerra no Irã, segundo o presidente, já chegou às prateleiras brasileiras: combustíveis mais caros encarecem o transporte e elevam o preço de alimentos básicos.
  • Para conter a inflação gerada externamente, o governo brasileiro recorreu a subsídios à gasolina — uma resposta doméstica a uma crise de origem geopolítica.
  • Como alternativa estrutural, o Brasil avança em testes para elevar a mistura de biodiesel no diesel de 15% para até 25%, buscando menor dependência de combustíveis fósseis.

Durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, Lula disparou contra Donald Trump com uma acusação direta: ao cobrar 20% de taxa sobre todos os navios que cruzam o Estreito de Ormuz, os Estados Unidos teriam se transformado em um Estado pirata. "Isso antigamente se chamava pirataria", disse o presidente, lembrando que o estreito não estava fechado antes da intervenção americana e que foi Trump quem criou as condições para o conflito no Irã.

A crítica não ficou no campo diplomático. Lula traçou uma linha direta entre a guerra no Irã e o preço do feijão, do arroz, do tomate e da cebola no Brasil. Segundo ele, o encarecimento global dos combustíveis provocado pelo conflito elevou os custos de transporte de alimentos no país, forçando o governo a instituir subsídios à gasolina para tentar conter a inflação. O presidente também contestou a justificativa americana para o conflito, chamando de mentira a alegação de que o Irã desenvolve armas nucleares — e comparando o caso à invasão do Iraque em 2003, quando as prometidas armas de destruição em massa jamais foram encontradas.

O pano de fundo do evento, porém, era técnico: acompanhar pesquisas para elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel brasileiro de 15% para até 25%. O programa reúne universidades, montadoras e fabricantes de motores sob coordenação do Conselho Nacional de Política Energética, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre Silveira. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já sinalizara apoio à medida ainda em 2026, condicionada à confirmação da segurança técnica. Para Lula, a combinação de denúncia à política externa americana e aposta em energia renovável compõe uma narrativa de resistência — e de busca por um caminho energético próprio para o Brasil.

Lula saiu em defesa dos princípios que diz serem fundamentais para a ordem internacional, acusando Donald Trump de transformar os Estados Unidos em um Estado pirata. A crítica veio durante um evento em São Caetano do Sul, no interior de São Paulo, onde o presidente brasileiro visitava o Instituto Mauá de Tecnologia para acompanhar testes de combustíveis alternativos.

O alvo da ira de Lula era a decisão do governo americano de cobrar uma taxa de 20% sobre todos os navios que atravessem o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. Para o presidente, a medida não passa de extorsão disfarçada de política. "Isso antigamente se chamava pirataria", disse Lula. "Um Estado importante como os Estados Unidos, que durante muito tempo combateu a pirataria, não pode virar pirata." Ele argumentou que o estreito não estava fechado antes da ação americana, e que Trump foi quem criou as condições para o conflito no Irã que agora justifica a cobrança.

Mas a crítica de Lula vai além da questão diplomática. O presidente conecta a taxa americana aos preços que os brasileiros pagam nas prateleiras dos supermercados. Segundo ele, a guerra no Irã provocada por Trump elevou os preços mundiais de combustíveis, o que encareceu o transporte de alimentos no Brasil. Para tentar conter essa inflação, o governo teve que instituir subsídios à gasolina. "O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil, do arroz, do tomate, da cebola", afirmou, conectando a política externa americana ao orçamento das famílias brasileiras.

Lula também questionou a justificativa que Trump usa para o conflito. O presidente brasileiro chamou de mentira a alegação de que o Irã busca desenvolver armas nucleares. Ele citou uma visita pessoal que fez ao país para conhecer o programa nuclear iraniano e afirmou que "o Irã não tinha competência nem ia fazer" armas químicas. Para Lula, o caso ecoa a invasão do Iraque em 2003, quando os Estados Unidos alegaram que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. "Foram lá destruir o Iraque", disse, "mas depois a existência delas não foi comprovada".

O evento em que Lula fez essas declarações tinha um propósito mais técnico: acompanhar pesquisas sobre o aumento da mistura de biodiesel no diesel brasileiro. Atualmente, a lei obriga uma mistura de 15%, mas os testes buscam viabilidade técnica para elevar esse percentual até 25%. O programa envolve universidades, montadoras, fabricantes de motores e instituições de pesquisa, coordenado pelo Conselho Nacional de Política Energética. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também participaram.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Na semana anterior, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia sinalizado que a equipe econômica é favorável a elevar a mistura obrigatória ainda em 2026, desde que estudos garantam a segurança técnica da medida. Para Lula, que se posiciona como pré-candidato à reeleição, a combinação de crítica à política externa americana e investimento em energia renovável desenha uma narrativa de resistência aos efeitos globais das decisões de Trump, enquanto o Brasil busca caminhos próprios de desenvolvimento energético.

Isso antigamente se chamava pirataria. Um Estado importante como os Estados Unidos não pode virar pirata.
— Lula
O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil, do arroz, do tomate, da cebola.
— Lula
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Lula escolheu comparar a taxa de Trump a pirataria? Parece uma linguagem forte para um assunto de comércio internacional.

Model

Porque para ele não é apenas comércio. É sobre quem tem o direito de cobrar pelo uso de um espaço que deveria ser livre. Pirataria é exatamente isso — aproveitar-se da desordem para extrair dinheiro. Lula está dizendo que Trump criou a desordem e agora lucra com ela.

Inventor

Mas a conexão entre uma taxa sobre navios e o preço do feijão no Brasil — isso é direto ou Lula está ampliando demais o argumento?

Model

É direto. Quando o combustível fica mais caro, tudo que depende de transporte fica mais caro. O feijão viaja de caminhão. Se o diesel custa mais, o frete custa mais, e o preço final sobe. Lula está mostrando que a guerra não é abstrata — ela chega na mesa do brasileiro.

Inventor

E por que ele traz à tona o Iraque e as armas químicas que nunca foram encontradas?

Model

Porque quer estabelecer um padrão. Diz que Trump (ou antes dele, os EUA) tem histórico de justificar guerras com alegações que depois não se comprovam. Se fez isso com Saddam, por que acreditar agora sobre o Irã?

Inventor

O biodiesel entra nessa conversa como alternativa, certo? Uma forma de o Brasil se blindar?

Model

Exatamente. Enquanto critica a guerra de Trump, Lula mostra que o Brasil está buscando sair dessa dependência. Aumentar o biodiesel é dizer: vocês podem cobrar taxa sobre navios, mas nós vamos precisar menos do seu petróleo.

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