Um país será totalmente livre quando tiver imprensa totalmente democrática
Em março de 2021, ao celebrar uma década do Brasil 247, Lula articulou uma convicção antiga: a liberdade de um povo é inseparável da qualidade de sua imprensa. Num país onde os grandes conglomerados de mídia foram, segundo ele, capturados por interesses econômicos, o veículo representava uma aposta rara — a de que informação pode ser ao mesmo tempo independente e acessível a todos. O aniversário era, no fundo, um lembrete de que democracias precisam de vozes que não estejam à venda.
- Lula gravou uma mensagem direta: sem imprensa democrática, o Brasil não será plenamente livre — e o 247 existe para preencher esse vazio.
- O veículo nasceu num momento de esperança e sobreviveu a crises profundas, incluindo o impeachment de Dilma Rousseff, mantendo-se como alternativa às narrativas dominantes.
- Enquanto a mídia tradicional depende de grandes anunciantes, o 247 sustenta sua independência editorial por meio de assinaturas solidárias — qualquer valor, de qualquer pessoa.
- Lula convocou apoiadores a imaginar o Brasil sem o 247 e pediu novos assinantes, tornando o aniversário um ato político tanto quanto jornalístico.
- A plataforma avançou ainda mais ao adotar assinaturas via Pix, removendo barreiras financeiras e ampliando o alcance do modelo solidário para quem não tem cartão de crédito.
No dia 13 de março de 2021, Luiz Inácio Lula da Silva gravou uma mensagem para marcar os dez anos do Brasil 247. A data não era apenas um aniversário — era um ponto de reflexão sobre o que significa ter imprensa livre num país onde, segundo o ex-presidente, os grandes veículos foram capturados por interesses econômicos poderosos.
Na mensagem, Lula foi direto: "Um país será totalmente livre quando a gente tiver uma imprensa totalmente democrática." Para ele, o 247 cumpria esse papel ao oferecer informações que a mídia tradicional deixava de lado. Pediu aos apoiadores que imaginassem o Brasil sem aquele veículo — e convocou novos assinantes a se juntarem ao projeto.
O 247 havia sido fundado pelo jornalista Leonardo Attuch com uma estrutura incomum: profissionais experientes, uma operação televisiva e um conselho editorial de intelectuais. Mas o que mais o distinguia era seu modelo econômico — assinaturas solidárias, com qualquer valor, mantendo o conteúdo aberto a todos, porque a informação era tratada como direito, não privilégio.
O contexto político tornava a celebração ainda mais carregada de sentido. O Brasil vivia tensão crescente, Lula enfrentava processos que considerava politicamente motivados, e a democracia estava sob pressão. Nesse cenário, um veículo com narrativa alternativa ganhava peso estratégico.
Pouco depois, o 247 tornou-se o primeiro veículo brasileiro a aceitar assinaturas via Pix — um detalhe técnico que revelava uma intenção clara: eliminar qualquer barreira entre o cidadão e a informação independente. Dez anos depois de seu nascimento, a aposta continuava a mesma: democracia precisa de vozes que não estejam à venda.
Luiz Inácio Lula da Silva gravou uma mensagem no dia 13 de março de 2021 para marcar uma década de existência do Brasil 247. Naquele sábado, o veículo completava dez anos de funcionamento — uma trajetória que começou em clima de esperança, logo após o segundo mandato do ex-presidente, e que atravessou crises profundas, incluindo o golpe contra Dilma Rousseff.
Na mensagem em vídeo, Lula articulou uma ideia que vinha repetindo há tempos: a liberdade de um país depende fundamentalmente da qualidade de sua imprensa. "Um país será totalmente livre quando a gente tiver uma imprensa totalmente democrática", afirmou. Para ele, o 247 representava exatamente isso — um espaço onde chegavam informações que os grandes veículos tradicionais deixavam de lado ou simplesmente ignoravam. "O 247 significa você ter acesso ao que muitas vezes a imprensa tradicional não informa", resumiu.
O veículo havia nascido sob a liderança do jornalista Leonardo Attuch e se estruturou de forma incomum no mercado brasileiro. Reuniu profissionais reconhecidos da profissão, montou uma operação de televisão com apresentadores de peso e constituiu um conselho editorial formado por intelectuais de primeira linha. Sua missão declarada era clara: empoderar o público através da informação e defender sem concessões uma democracia genuína.
Mas o que distinguia o 247 era seu modelo econômico. Enquanto a maioria dos veículos brasileiros dependia de grandes anunciantes e grupos econômicos — o que, segundo Lula, havia "capturado" a mídia tradicional —, o 247 funcionava por assinaturas solidárias. Leitores e telespectadores podiam contribuir com qualquer valor, regularmente, para manter o veículo funcionando. O conteúdo permanecia aberto para todos, porque a informação era entendida como direito universal, não privilégio de quem podia pagar.
Lula pediu explicitamente aos seus apoiadores que imaginassem o Brasil sem o 247. "Você descobriria que muitas notícias não chegariam a você", disse. Era um apelo tanto aos assinantes já existentes quanto aos que ainda não haviam aderido. Cumprimentou nominalmente os apoiadores e convocou novos contribuintes a se juntarem ao projeto.
O timing da mensagem não era casual. O Brasil vivia um momento de tensão política crescente. O ex-presidente enfrentava processos judiciais que considerava politicamente motivados. A democracia brasileira estava sob pressão. Nesse contexto, um veículo que oferecia uma narrativa alternativa à dos grandes conglomerados de mídia ganhava importância estratégica — não apenas para Lula, mas para qualquer setor que se sentisse excluído ou distorcido pela cobertura tradicional.
Pouco tempo depois, o 247 inovaria novamente, tornando-se o primeiro veículo de comunicação brasileiro a oferecer assinaturas via Pix, o sistema de pagamento instantâneo que havia revolucionado as transações no país. Era um detalhe técnico, mas revelador: a plataforma buscava remover barreiras para que qualquer pessoa pudesse contribuir, independentemente de ter cartão de crédito ou conta bancária tradicional.
A celebração dos dez anos do 247 marcava, portanto, mais do que um aniversário. Representava uma aposta de que a democracia brasileira dependia de espaços de comunicação que escapassem ao controle dos grandes interesses econômicos. Para Lula, aquele veículo era prova de que essa alternativa era possível — e necessária.
Citas Notables
O 247 significa você ter acesso ao que muitas vezes a imprensa tradicional não informa— Luiz Inácio Lula da Silva
Um país será totalmente livre quando a gente tiver uma imprensa totalmente democrática— Luiz Inácio Lula da Silva
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Lula escolheu justamente este momento para fazer uma mensagem sobre o 247? Havia algo específico acontecendo?
O Brasil estava em um ponto de inflexão. Lula enfrentava processos judiciais, havia tensão política crescente, e a narrativa nos grandes veículos não refletia a perspectiva de muitos brasileiros. Um veículo que oferecia informações diferentes ganhava peso estratégico.
Mas o modelo de assinaturas solidárias é viável? Como um veículo consegue se manter financeiramente assim?
Depende de uma base de apoiadores convencidos de que vale a pena. O 247 apostava que havia gente disposta a pagar por informação independente. Não é o modelo tradicional, mas funciona se houver demanda real.
Lula fala em "imprensa capturada". O que ele quer dizer com isso?
Que a maioria dos grandes veículos brasileiros depende de anunciantes e grupos econômicos poderosos. Isso cria incentivos para não cobrir certos temas ou para cobrir de certos ângulos. A independência fica comprometida.
E o 247 escapa disso porque não tem anunciantes?
Exatamente. Sem depender de grandes anunciantes, teoricamente tem mais liberdade editorial. Os assinantes são os patrões, não corporações.
Qual era o risco para o 247 naquele momento?
Ser visto como veículo de um lado político específico. Se fosse reduzido a "mídia de Lula", perdia credibilidade como espaço de informação genuinamente democrático. Precisava manter distância crítica mesmo de seus apoiadores.