Litoral Norte enfrenta novo alerta de chuva com 40 mortos e mil desalojados

40 óbitos confirmados (39 em São Sebastião, 1 em Ubatuba), 1.730 desalojados, 766 desabrigados, 23 pacientes hospitalizados com 6 em estado grave.
O solo já não podia absorver mais água, as encostas já tinham mostrado sua fragilidade
A região enfrentava novas chuvas previstas para terça-feira, com risco de mais deslizamentos em terreno já saturado.

No Litoral Norte de São Paulo, onde o solo encharcado ainda guarda a memória de 40 mortes e milhares de desabrigados, a terça-feira de 21 de fevereiro chegou com novo aviso de chuva — como se a natureza não reconhecesse o luto humano como razão para pausa. Enquanto o Estado distribuía toneladas de doações e centenas de técnicos trabalhavam para restaurar estradas, água e esperança, a pergunta que pairava sobre a região não era apenas sobre recuperação, mas sobre a capacidade de suportar mais uma vez aquilo que ainda não havia terminado.

  • Com o solo já saturado e as encostas fragilizadas, a previsão de novas pancadas para terça-feira transformou o alívio do resgate em uma nova corrida contra o tempo.
  • Quarenta mortos, 1.730 desalojados e 766 desabrigados compõem o peso humano de um fim de semana que a região ainda não conseguiu processar — seis pessoas seguiam em estado grave nos hospitais.
  • A Rodovia Rio-Santos permanecia bloqueada em múltiplos pontos, a Mogi-Bertioga exigia 9,4 milhões de reais e até 180 dias para recuperação, e o abastecimento de água ainda não havia sido restaurado em toda a região.
  • O governo estadual mobilizou 104 técnicos da Sabesp, 40 caminhões-tanque, equipes de saúde, psicólogos e assistentes sociais — uma resposta ampla que ainda corria atrás da dimensão do desastre.
  • Dos 40 corpos confirmados, apenas sete haviam sido identificados e liberados para sepultamento, enquanto equipes de busca continuavam trabalhando ininterruptamente sob a ameaça de nova tempestade.

Na manhã de 21 de fevereiro, o Litoral Norte de São Paulo acordou com novo aviso de chuva. O solo já estava encharcado, as encostas já tinham cedido, e os números do fim de semana — 40 mortos, 1.730 desalojados, 766 desabrigados — permaneciam como marca aberta sobre a região.

O governo estadual iniciou o dia distribuindo 7,5 toneladas de doações recolhidas na campanha humanitária: alimentos, roupas e itens de higiene chegavam especialmente a São Sebastião, onde 39 das 40 vítimas haviam morrido. A primeira-dama Cristiane Freitas e o coordenador da Defesa Civil participaram da entrega, enquanto o Fundo Social abria novas formas de contribuição para quem quisesse ajudar.

A infraestrutura da região estava em colapso parcial. A Rodovia Rio-Santos tinha múltiplos pontos de interdição por barreiras desabadas e alagamentos. Na Mogi-Bertioga, um rompimento de tubulação exigia recuperação orçada em 9,4 milhões de reais e prazo de até 180 dias. O abastecimento de água estava comprometido em toda a região: a Sabesp mobilizou 104 técnicos e 40 caminhões-tanque para restaurar os sistemas em São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba.

Nos hospitais, 23 pacientes haviam dado entrada — 18 adultos e cinco crianças, seis em estado grave. A Secretaria de Saúde enviou insumos de emergência, de soro antiofídico a kits cirúrgicos. Equipes de psicólogos e assistentes sociais acolhiam familiares das vítimas, enquanto os trabalhos de busca e resgate continuavam sem pausa.

E a chuva voltaria. As previsões indicavam até 35 milímetros em alguns municípios, ventos de 35 a 40 quilômetros por hora e risco de granizo em pontos isolados — tudo isso sobre uma terra que já não tinha mais como absorver água, e sobre pessoas que ainda procuravam seus mortos.

Na terça-feira de 21 de fevereiro, o Litoral Norte de São Paulo acordou sob aviso de novas chuvas. O solo já estava encharcado. As encostas já tinham cedido. E os números do fim de semana anterior — 40 mortos, 1.730 desalojados, 766 desabrigados — permaneciam como marca do que havia acontecido.

O governo estadual começou a manhã distribuindo 7,5 toneladas de doações recolhidas no primeiro dia de uma campanha de ajuda humanitária. Alimentos, roupas, itens de higiene e limpeza chegavam aos municípios mais atingidos, especialmente São Sebastião, onde 39 das 40 vítimas confirmadas haviam morrido. A primeira-dama Cristiane Freitas e o coordenador estadual da Defesa Civil, Coronel Henguel Ricardo Pereira, participaram da entrega. Simultaneamente, o Fundo Social de São Paulo abriu novas formas de contribuição — depósitos bancários, transferências, PIX — para quem quisesse ajudar as famílias que perderam tudo.

A infraestrutura da região estava em colapso parcial. A Rodovia Rio-Santos, que liga São Sebastião a Ubatuba, tinha múltiplos pontos de interdição: barreiras que desabaram em pelo menos dez locais diferentes, árvores caídas, alagamentos. O Departamento de Estradas e Rodagem conseguiu liberar parcialmente o tráfego em alguns trechos, mas a altura da Praia Preta permanecia bloqueada. Na Rodovia Mogi-Bertioga, um rompimento de tubulação no quilômetro 82 exigia uma recuperação completa orçada em 9,4 milhões de reais, com prazo de até 180 dias. Outras três rodovias estaduais — Oswaldo Cruz, e trechos da SP-055 — também apresentavam interdições totais ou parciais por queda de barreiras.

O abastecimento de água estava comprometido em toda a região. A Sabesp mobilizou 104 técnicos e 40 caminhões-tanque para tentar restaurar os sistemas em São Sebastião e Ilhabela. Em Boiçucanga, equipes trabalhavam para reparar a produção de água. Maresias já havia retomado a produção, e mais de 8 mil imóveis começavam a recuperar o abastecimento. Mas em Caraguatatuba e Ubatuba, o trabalho de recuperação ainda estava em andamento, apoiado por retroescavadeiras, caminhões de hidrojateamento e alto vácuo.

Nos hospitais, a situação era de contenção. O Hospital Regional do Litoral Norte havia recebido 23 pacientes até aquele momento — 18 adultos e cinco crianças. Seis estavam em estado grave. Dois já tinham recebido alta. Uma grávida e uma puérpera foram transferidas para o Hospital Stella Maris. Uma mulher de 42 anos havia dado entrada na madrugada anterior, e o serviço social ainda procurava localizar sua família. A Secretaria de Estado da Saúde havia enviado insumos de emergência: 36 ampolas de soro antiofídico, 5 mil frascos de hipoclorito de sódio, 940 bolsas de glicose, 900 bolsas de soro, além de kits intravenosos, de sutura, talas para imobilização e medicamentos diversos.

Dos 40 óbitos confirmados, apenas sete corpos haviam sido identificados e liberados para sepultamento até aquele ponto — dois homens adultos, duas mulheres adultas e três crianças. Equipes de psicólogos e assistentes sociais faziam acolhimento dos familiares das vítimas. Os trabalhos de busca, resgate e salvamento continuavam ininterruptamente.

E a chuva voltaria. Os serviços meteorológicos previa pancadas de chuva a partir do final da manhã de terça-feira, com risco de temporais, raios e até granizo em pontos isolados. As previsões indicavam 25 milímetros em São Sebastião, Ubatuba, Caraguatatuba e Ilhabela; 35 milímetros em Guarujá; 30 milímetros em Bertioga. Ventos de 35 a 40 quilômetros por hora. A orientação era clara: atenção máxima em uma região onde o solo já não podia absorver mais água, onde as encostas já tinham mostrado sua fragilidade, onde as pessoas ainda procuravam seus mortos.

Os trabalhos de busca, resgate e salvamento seguem ininterruptamente na região
— Governo do Estado de São Paulo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o governo distribuiu doações já na terça-feira, tão logo após o temporal?

Model

Porque havia 1.730 pessoas desalojadas — sem casa, mas ainda com alguma estrutura — e 766 completamente desabrigadas. Comida, roupa, higiene. Essas coisas não esperam.

Inventor

E a previsão de mais chuva no mesmo dia — isso não parecia uma crueldade do timing?

Model

Parecia, e era. O solo já estava encharcado. As encostas já tinham cedido. Mais água significava mais risco de deslizamentos, mais pessoas potencialmente em perigo. Por isso o alerta foi tão enfático.

Inventor

Dos 40 mortos, apenas sete tinham sido identificados. O que isso diz sobre a escala do desastre?

Model

Diz que foi rápido e violento. Deslizamentos de terra não deixam corpos intactos ou fáceis de reconhecer. Famílias inteiras desapareceram juntas. O trabalho de identificação era lento, cuidadoso, e ainda estava no começo.

Inventor

A mulher de 42 anos que chegou à madrugada — por que ela importa na história?

Model

Porque ela era uma pessoa sem família localizada. Em meio a 40 mortos e milhares de desalojados, ela era um rosto individual, um caso que exigia atenção pessoal. O serviço social não podia simplesmente deixá-la de lado.

Inventor

A Rodovia Rio-Santos tinha dez pontos de interdição. Como uma região se recupera de algo assim?

Model

Lentamente. A Rodovia Mogi-Bertioga levaria até 180 dias só para ser reparada. Significa que durante meses, o acesso ao litoral seria difícil, as rotas alternativas sobrecarregadas, a economia local paralisada.

Inventor

E a água? Por que 104 técnicos ainda estavam trabalhando em abastecimento?

Model

Porque sem água, não há vida. Sem água, não há higiene. Sem higiene, há doença. Em uma região já traumatizada, a falta de água básica era uma segunda catástrofe se não fosse contida rápido.

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