Keiko Fujimori eleita presidente do Peru na quarta tentativa

Quatro tentativas, três derrotas, uma vitória que muda tudo
Keiko Fujimori finalmente vence eleição presidencial peruana após quinze anos de tentativas fracassadas.

Após quinze anos de tentativas e derrotas, Keiko Fujimori — filha de um presidente condenado, ela própria processada pela Justiça — venceu o segundo turno peruano e chegará ao poder carregando um sobrenome que divide o país. Sua vitória, na quarta candidatura, acontece num Peru que teve oito presidentes desde 2016, onde a continuidade no poder é raridade e a instabilidade, regra. O que está em jogo não é apenas uma agenda de segurança e economia, mas a pergunta mais antiga da política: se uma instituição frágil pode ser reconstruída por quem a habita.

  • Keiko Fujimori venceu na quarta tentativa uma eleição que três vezes antes lhe escapou nas mãos — em 2011, 2016 e 2021 —, tornando sua vitória tanto pessoal quanto simbólica.
  • O peso do sobrenome Fujimori divide o Peru: seu pai governou por dez anos, foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos, e morreu em 2024; ela própria passou 18 meses em prisão preventiva antes de ter o caso arquivado.
  • O país que ela herda é politicamente exausto — oito presidentes em uma década, vários ex-mandatários condenados, e uma instabilidade institucional que tornou a continuidade presidencial uma exceção rara.
  • Sua plataforma promete 10 mil câmeras de vigilância, quatro megapresídios sob controle militar, redução de 20% na taxa de homicídios e atração de até sete bilhões de dólares em investimentos privados por ano.
  • O teste real de seu governo não será apenas cumprir promessas, mas manter a própria cadeira presidencial num sistema onde a queda de presidentes virou rotina.

Na madrugada de quarta-feira, a apuração do segundo turno peruano confirmava o improvável: Keiko Fujimori, aos 51 anos, havia finalmente vencido uma eleição presidencial. Era sua quarta tentativa — em 2011, 2016 e 2021 ela chegara ao segundo turno e saíra derrotada. Desta vez, a conservadora conquistou o que lhe escapava há quinze anos.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e faleceu em setembro de 2024 após condenação por corrupção e violações de direitos humanos, Keiko carrega tanto o legado quanto o peso do sobrenome. Aos 19 anos, assumiu o papel de primeira-dama após a separação dos pais. Estudou em Boston e Columbia, retornou ao Peru em 2005 e foi eleita ao Congresso com número recorde de votos. Sua trajetória, porém, também passou pelos tribunais: acusada de lavagem de dinheiro ligada a campanhas eleitorais, ficou quase dezoito meses em prisão preventiva antes de ter o caso arquivado.

Sua plataforma ecoa o discurso paterno: segurança pública e estabilidade econômica. Prometeu centros de videovigilância em todas as 24 regiões, dez mil câmeras instaladas por decreto de emergência, quatro megapresídios sob administração temporária das Forças Armadas e bloqueio de sinais de celular nas penitenciárias. Na economia, quer reduzir o déficit para 1% do PIB até 2031 e atrair até sete bilhões de dólares em investimentos privados por ano.

O desafio, porém, vai além das propostas. Desde 2016, o Peru teve oito presidentes — o último a cumprir integralmente um mandato foi Ollanta Humala. A instabilidade institucional é crônica e vários ex-mandatários foram condenados judicialmente. Fujimori chega ao poder num momento em que o Peru precisa não apenas de políticas públicas, mas de algo mais raro: um governo que simplesmente dure.

Na madrugada de quarta-feira, enquanto o Peru dormia, a apuração do segundo turno presidencial confirmava o que muitos acreditavam improvável: Keiko Fujimori, aos 51 anos, havia finalmente vencido uma eleição para a presidência. Era sua quarta tentativa. Três vezes antes — em 2011, 2016 e 2021 — ela havia chegado ao segundo turno e saído derrotada. Desta vez, a conservadora conseguiu o que lhe escapava há quinze anos.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, Keiko carregava tanto o legado quanto o peso do sobrenome. Aos 19 anos, em agosto de 1994, ela se tornou uma das primeiras-damas mais jovens do mundo quando sua mãe, Susana Higuchi, se separou do então presidente e Keiko assumiu o papel de primeira-dama. Estudou administração de empresas em Boston e depois obteve um MBA em Columbia, antes de retornar ao Peru em 2005. Um ano depois, foi eleita para o Congresso com um número recorde de votos nas eleições parlamentares peruanas.

Mas a trajetória política de Keiko não foi isenta de turbulências legais. Assim como seu pai — condenado por corrupção e violação de direitos humanos e falecido em setembro de 2024 — ela enfrentou a Justiça. Acusada de lavagem de dinheiro relacionada a suas campanhas eleitorais, passou quase um ano e meio em prisão preventiva entre 2018 e o início de 2020. A Justiça peruana posteriormente arquivou o caso, permitindo que ela continuasse sua carreira política.

Sua plataforma de governo ecoava o discurso de seu pai: segurança pública e estabilidade econômica. Na área de segurança, Fujimori prometeu criar Centros de Comando e Videovigilância interligados em todas as 24 regiões do país, implementar mil viaturas de patrulhamento inteligente e instalar dez mil câmeras por decreto de emergência. Também planeja construir quatro megapresídios sob administração temporária das Forças Armadas, expandir as unidades de "Flagrante Expresso" e bloquear completamente sinais de celular nas penitenciárias. Com essas medidas, ela espera reduzir a taxa de homicídios em 20% até 2031 e diminuir a taxa de impunidade de 90% para 50%.

Na economia, sua agenda é igualmente ambiciosa. Quer fomentar a economia de mercado, manter a independência do Banco Central, reduzir o déficit para 1% do PIB até 2031 e atrair investimentos privados adicionais de até sete bilhões de dólares por ano. Essas promessas refletem uma visão de mercado que contrasta com outras forças políticas no país.

O desafio que Fujimori enfrenta, porém, transcende suas propostas. O Peru é um país politicamente frágil. Desde 2016, quando o esquerdista Ollanta Humala foi o último presidente a cumprir integralmente seu mandato de cinco anos, o país teve oito presidentes. Vários ex-mandatários sofreram condenações judiciais nos últimos anos. A instabilidade institucional é crônica. Fujimori chegou à presidência em um momento em que o Peru precisa não apenas de políticas públicas, mas de uma estabilidade política que tem se mostrado elusiva. Seu governo será testado não apenas por suas promessas de segurança e economia, mas pela capacidade de manter a instituição presidencial funcionando em um país onde a continuidade é exceção.

Fujimori promete criar Centros de Comando e Videovigilância interligados nas 24 regiões peruanas, implementar mil viaturas de patrulhamento inteligente e dez mil câmeras, além de construir quatro megapresídios sob administração das Forças Armadas
— Plano de governo de Keiko Fujimori
Na economia, quer fomentar a economia de mercado, manter a independência do Banco Central e atrair investimentos privados adicionais de até sete bilhões de dólares por ano
— Agenda econômica de Keiko Fujimori
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que levou quatro tentativas para Keiko Fujimori vencer uma eleição presidencial?

Model

Porque o Peru é um país fragmentado politicamente, onde nenhum candidato consegue construir uma coalizão estável. Ela perdeu três vezes antes porque seus opositores conseguiram mobilizar votos contra ela — seja por medo de um retorno ao autoritarismo do pai, seja por outras razões. Desta vez, algo mudou no eleitorado.

Inventor

Qual é o peso do legado de Alberto Fujimori na carreira dela?

Model

É imenso e contraditório. Seu pai é lembrado por ter derrotado o Sendero Luminoso e estabilizado a economia, mas também foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos. Keiko herda tanto a admiração quanto o medo que ele inspira. Ela tenta repetir seu discurso sobre segurança e economia, mas carrega o risco de ser vista como uma continuação de um regime questionável.

Inventor

Como ela conseguiu se recuperar politicamente após passar 18 meses na prisão?

Model

O caso foi arquivado pela Justiça, o que tecnicamente a limpou das acusações de lavagem de dinheiro. Mas mais importante: o Peru estava desesperado por estabilidade. Depois de oito presidentes em dez anos, os eleitores podem ter visto nela uma figura com experiência e conexões políticas, apesar dos problemas legais.

Inventor

Suas promessas de segurança são realistas?

Model

São ambiciosas. Reduzir homicídios em 20% e impunidade de 90% para 50% em sete anos é um objetivo grande. Megapresídios e vigilância em massa podem ajudar, mas a segurança pública no Peru é um problema estrutural que vai além de infraestrutura. Ela terá dificuldade em cumprir essas metas.

Inventor

Qual é o maior risco para seu governo?

Model

A instabilidade institucional do país. Mesmo que suas políticas sejam boas, o Peru tem um histórico de presidentes que não conseguem completar seus mandatos. Ela precisará não apenas governar bem, mas manter a coesão política em um Congresso fragmentado e uma sociedade desconfiada.

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