Justiça obriga SBT a exibir direito de resposta de Érika Hilton contra comentários transfóbicos de Ratinho

Deputada federal sofreu discriminação pública baseada em identidade de gênero, com negação de sua legitimidade enquanto mulher trans.
Negação pública de identidade de gênero com carga discriminatória
Como o juiz caracterizou os comentários de Ratinho sobre Érika Hilton na presidência da comissão.

Em junho de 2026, a Justiça de São Paulo interveio num conflito que vai além de uma disputa entre uma parlamentar e um apresentador de televisão: determinou que o SBT conceda à deputada Érika Hilton o mesmo espaço público que foi usado para negar sua identidade como mulher trans. O juiz reconheceu que palavras transmitidas a milhões carregam peso proporcional, e que o direito de resposta não é cortesia — é reparação. A decisão toca numa questão mais ampla sobre quem tem voz no espaço midiático e em que condições essa voz pode ser silenciada ou contestada.

  • Em março, o apresentador Ratinho questionou ao vivo a legitimidade de Érika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, afirmando que ela não seria 'uma mulher de verdade' — declaração que atingiu milhares de telespectadores.
  • Para Hilton, não se tratava de crítica política, mas de negação pública de sua identidade de gênero, com potencial de incitar hostilidade contra ela.
  • A deputada levou o caso à Justiça argumentando discriminação por identidade de gênero, e o juiz André Della Lata Catarxo deu razão a ela.
  • A ordem judicial exige que o vídeo de resposta seja exibido no mesmo programa, horário, destaque e duração dos comentários originais — simetria deliberada entre o ataque e a reparação.
  • O SBT tem dez dias para cumprir a decisão ou enfrentar multa diária de cinquenta mil reais, tornando o descumprimento financeiramente insustentável.
  • O caso estabelece precedente sobre responsabilidade de emissoras televisivas diante de discriminação transmitida em rede nacional.

Na quarta-feira, 17 de junho, um juiz de São Paulo ordenou que o SBT transmita um vídeo de direito de resposta da deputada federal Érika Hilton, do PSOL-SP. A decisão encerra uma disputa iniciada em março, quando Hilton assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.

Foi nesse contexto que o apresentador Ratinho questionou publicamente se ela teria legitimidade para o cargo, afirmando que o posto deveria ser ocupado por 'uma mulher de verdade'. Para Hilton, os comentários não eram crítica política — eram uma negação de sua identidade de gênero, transmitida para milhares de pessoas e capaz de gerar hostilidade concreta contra ela.

O juiz André Della Lata Catarxo concordou com os argumentos da deputada e determinou que a resposta seja veiculada nas mesmas condições que o ataque: mesmo programa, mesmo horário, mesmo destaque, mesma duração. A simetria é intencional — o alcance da reparação deve corresponder ao alcance do dano.

O SBT tem dez dias para cumprir a ordem. O descumprimento implica multa diária de cinquenta mil reais. Mais do que uma disputa pontual, o caso firma um precedente sobre o direito de resposta em mídia televisiva brasileira e sobre a responsabilidade de grandes emissoras quando discriminação é transmitida em escala nacional.

Na quarta-feira 17 de junho, um juiz de São Paulo determinou que o SBT transmita um vídeo de direito de resposta da deputada federal Érika Hilton, do PSOL-SP, em resposta a comentários feitos pelo apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, durante o Programa do Ratinho. A ordem judicial encerra uma disputa que começou em março, quando Hilton assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.

Naquela ocasião, Ratinho questionou publicamente se Hilton tinha legitimidade para presidir a comissão. Segundo o apresentador, ela não era mulher — era uma pessoa trans — e o cargo deveria ser ocupado por "uma mulher de verdade". Os comentários foram transmitidos no programa, atingindo milhares de telespectadores. Para Hilton, não se tratava de uma simples crítica política ou desacordo sobre sua atuação parlamentar. Era uma negação pública de sua identidade de gênero, carregada de discriminação e apta a gerar hostilidade contra ela.

Ao levar o caso à Justiça, Hilton argumentou que as declarações de Ratinho constituíam discriminação baseada em identidade de gênero. O juiz André Della Lata Catarxo concordou. Em sua decisão, determinou que o vídeo de resposta fosse exibido no mesmo programa, no mesmo horário, com o mesmo destaque e a mesma duração que os comentários originais de Ratinho tiveram em março.

A ordem é clara quanto aos prazos e consequências. O SBT tem dez dias, contados a partir da sentença, para cumprir a determinação. Se não o fizer, enfrentará uma multa diária de cinquenta mil reais. Essa penalidade financeira funciona como um incentivo concreto para que a emissora respeite a decisão sem demora.

O caso representa um precedente importante sobre direitos de resposta em mídia televisiva brasileira. Não é apenas sobre uma deputada e um apresentador. É sobre o direito de uma pessoa a responder publicamente quando sua identidade é negada em rede nacional, e sobre a responsabilidade de grandes emissoras em permitir que essa resposta seja ouvida com o mesmo alcance que o ataque original teve. A decisão judicial reconhece que discriminação transmitida para milhões de pessoas merece uma resposta transmitida para o mesmo público.

Ela não era mulher, mas uma trans, e a comissão deveria ser presidida por uma mulher de verdade
— Carlos Roberto Massa (Ratinho), durante o Programa do Ratinho em março
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que essa decisão importa além do caso específico de Hilton e Ratinho?

Model

Porque estabelece que emissoras de televisão não podem simplesmente transmitir ataques discriminatórios e depois ignorar pedidos de resposta. O direito de resposta deixa de ser teórico e vira obrigação com dente — multa diária se não cumprir.

Inventor

Ratinho estava apenas expressando uma opinião política sobre a capacidade dela?

Model

Não. Opinião política seria questionar sua atuação, seu voto, suas prioridades. Dizer que ela não é mulher é negar a identidade dela. É discriminação, não discordância política.

Inventor

E se o SBT simplesmente não exibir o vídeo nos dez dias?

Model

Paga cinquenta mil reais por dia que passar sem cumprir. Rapidamente fica mais caro não exibir do que exibir.

Inventor

Qual é o risco real para Hilton se isso não tivesse ido à Justiça?

Model

Fica a narrativa de que ela não é legítima, transmitida nacionalmente, sem resposta pública. Pessoas acreditam no que ouvem na televisão. Sem o direito de resposta, a mentira fica sozinha no ar.

Inventor

Isso muda como apresentadores podem falar sobre pessoas trans na televisão?

Model

Muda porque agora há consequência legal. Não é censura — é responsabilidade. Você pode criticar, questionar, discordar. Mas negar a identidade de alguém tem preço.

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