O dinheiro agora segue seu curso, mas a batalha continua
Após anos de batalha judicial, a Corte Federal de Manhattan autorizou o repasse de US$ 5,8 milhões a E. Jean Carroll, escritora que acusa Donald Trump de abuso sexual ocorrido décadas atrás e de difamação subsequente. A Suprema Corte recusou-se a intervir, encerrando a tentativa da defesa presidencial de suspender o pagamento enquanto recursos ainda tramitam. O caso condensa, em números e sentenças, uma longa espera por reconhecimento — e as tensões entre poder, memória e os limites do sistema judicial.
- Uma indenização de US$ 5,8 milhões, acrescida de juros sobre a condenação original, aguardava em conta judicial enquanto a defesa de Trump tentava, até a última hora, impedir sua transferência.
- Os advogados presidenciais alertaram que liberar o dinheiro seria irreversível — Carroll havia declarado intenção de doá-lo — e que isso poderia abalar a confiança pública no processo judicial.
- A Suprema Corte rejeitou o pedido de análise do recurso no final de junho, retirando o último obstáculo formal ao pagamento.
- Em paralelo, o Departamento de Justiça abriu investigação criminal contra Carroll por suposto perjúrio em depoimentos dos dois processos civis, ampliando o conflito para além da esfera civil.
- Com a autorização da Corte Federal, o pagamento segue seu curso — mas o caso permanece envolto em apelações pendentes e acusações cruzadas que mantêm a disputa viva.
A Corte Federal de Manhattan autorizou nesta quarta-feira o pagamento de US$ 5,8 milhões que Donald Trump deve à escritora E. Jean Carroll por abuso sexual e difamação. A decisão encerra a tentativa da defesa presidencial de bloquear a transferência enquanto o caso seguia em apelação — estratégia que a Suprema Corte rejeitou no final de junho.
Carroll, ex-colunista da revista Elle, acusa Trump de tê-la estuprado no provador de uma loja de departamentos em Nova York por volta de 1996. Ela tornou a acusação pública em 2019, durante o primeiro mandato presidencial de Trump. O republicano negou as alegações repetidamente. Um júri civil condenou Trump em 2023, e a indenização original de US$ 5 milhões cresceu para US$ 5,8 milhões com juros.
Na véspera da decisão, a defesa apresentou um documento argumentando que Carroll deveria aguardar uma possível reanálise pela Suprema Corte. Os advogados alertaram que, uma vez distribuído — especialmente diante da intenção declarada de Carroll de doar os recursos —, o dinheiro seria praticamente irrecuperável caso a condenação fosse revertida. Levantaram ainda uma questão mais ampla: autorizar o pagamento poderia abalar a confiança pública no processo judicial em um momento de acirrada polarização.
Em maio deste ano, o Departamento de Justiça anunciou investigação criminal contra Carroll por suposto perjúrio em depoimentos dos dois processos civis que ela venceu contra Trump — mais um capítulo numa disputa que começou em 2019 e acumula acusações cruzadas de má conduta. Com a rejeição da Suprema Corte e a autorização da Corte Federal, a indenização segue seu curso, mas o conflito entre Trump e Carroll está longe de um desfecho definitivo.
A Corte Federal de Manhattan autorizou nesta quarta-feira o pagamento de US$ 5,8 milhões que Donald Trump deve à escritora E. Jean Carroll por abuso sexual e difamação. A decisão encerra uma tentativa da defesa presidencial de bloquear a transferência enquanto o caso seguia em apelação — uma estratégia que a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou no final de junho.
Carroll, ex-colunista de conselhos da revista Elle, acusa Trump de tê-la estuprado no provador de uma loja de departamentos em Nova York por volta de 1996. Ela tornou pública a acusação em 2019, quando publicou um trecho de suas memórias, enquanto Trump ainda cumpria seu primeiro mandato presidencial. O republicano negou as alegações na época e voltou a negar quando Carroll reafirmou a acusação em 2022, após deixar a presidência. Um júri em processo civil condenou Trump em 2023, e a indenização original de US$ 5 milhões cresceu para US$ 5,8 milhões com a incidência de juros.
Trump havia depositado a quantia em uma conta judicial enquanto recorria da sentença. Na noite de terça-feira, sua defesa apresentou um documento à Corte Federal argumentando que Carroll deveria aguardar uma possível reanálise do caso pela Suprema Corte antes de receber o dinheiro. Os advogados sustentaram que permitir o pagamento causaria um dano irreparável ao presidente, especialmente porque Carroll havia declarado sua intenção de doar os recursos — uma vez distribuídos, seria praticamente impossível recuperá-los caso a condenação fosse revertida.
A defesa também levantou uma questão mais ampla sobre a integridade do sistema judicial. Segundo os advogados, autorizar o pagamento antes de uma eventual reanálise poderia "abalar a confiança pública em um processo judicial ordenado", num momento em que apoiadores de Trump e alguns críticos manifestam preocupação com uma suposta instrumentalização política da Justiça. Os advogados ainda argumentaram que Carroll havia esperado mais de 20 anos para fazer a acusação, fazendo-o apenas depois que Trump se tornou o 45º presidente, quando ela poderia maximizar o dano político a ele e lucrar para si mesma.
A batalha judicial entre Trump e Carroll começou em 2019 e se estendeu por anos. O presidente contestou não apenas a acusação de estupro, mas também afirmou que Carroll mentiu em seus depoimentos tanto durante seu primeiro mandato quanto depois. Em maio deste ano, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou que havia iniciado uma investigação criminal contra Carroll para apurar se ela cometeu perjúrio em depoimentos relacionados aos dois processos civis que venceu contra Trump — uma investigação que faz parte de uma série de ações do governo contra vários adversários do presidente republicano.
Com a rejeição da Suprema Corte em analisar o recurso e a autorização da Corte Federal para o pagamento, a indenização agora segue seu curso. O caso ilustra as tensões entre o sistema judicial civil, as apelações em andamento e as acusações cruzadas de má conduta que marcam o conflito entre Trump e Carroll.
Citas Notables
Carroll esperou mais de 20 anos para acusar falsamente Donald Trump, a quem ela se opõe politicamente, até depois que ele se tornou o 45º presidente— Advogados de Trump
Permitir o pagamento antes de uma eventual reanálise do caso pela Suprema Corte poderia abalar a confiança pública em um processo judicial ordenado— Defesa de Trump
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a defesa de Trump insistiu tanto em bloquear o pagamento se ele já havia depositado o dinheiro em uma conta judicial?
Porque o depósito não é o mesmo que entregar o dinheiro. Enquanto está em conta judicial, o dinheiro permanece tecnicamente sob controle do tribunal e pode ser devolvido se a condenação for revertida. Uma vez que Carroll o receba e, especialmente, se ela o doe como prometeu, recuperá-lo seria praticamente impossível.
A defesa argumentou que isso prejudicaria a "confiança pública" no sistema judicial. É um argumento legítimo?
É um argumento que toca em algo real — a percepção de que o sistema funciona de forma ordenada. Mas há uma tensão aqui: se alguém vence um processo, por que deveria esperar indefinidamente para receber o que lhe é devido enquanto apelações seguem seu curso?
Carroll esperou 20 anos para falar publicamente sobre isso. Por que isso importa para a defesa?
Para a defesa, importa porque sugere que o timing não foi acidental — que ela esperou até Trump estar em posição de máxima vulnerabilidade política. É uma forma de questionar a motivação dela, não apenas os fatos do caso.
E agora há uma investigação criminal contra Carroll por possível perjúrio. Como isso muda as coisas?
Muda o jogo completamente. Ela venceu dois processos civis, mas agora enfrenta a possibilidade de acusações criminais. Se condenada por perjúrio, tudo o que ela disse sob juramento nesses processos fica comprometido.
Então Trump ainda tem caminhos para reverter tudo isso?
Tecnicamente, sim. A Suprema Corte rejeitou analisar o recurso desta vez, mas ele pode tentar novamente. E se Carroll for condenada por perjúrio, isso poderia abrir portas para revisão dos processos civis. Mas por enquanto, ela recebe o dinheiro.