Julho Amarelo intensifica combate às hepatites virais com testagem gratuita no Rio

Milhões de pessoas no Brasil vivem com hepatites virais sem saber, com estimativas de 1% da população com hepatite B crônica e 1,5% com hepatite C crônica.
O fígado é silencioso — ele não dói, não avisa
A hepatite pode progredir por anos sem sintomas visíveis, tornando a testagem essencial para diagnóstico precoce.

Em julho, o Brasil volta os olhos para uma ameaça que age nas sombras: as hepatites virais, doenças que habitam o corpo em silêncio por anos antes de revelar sua presença. O Grupo de Fígado do Rio de Janeiro, em parceria com hospitais do SUS, transforma este mês em uma janela de acesso — oferecendo testes gratuitos a uma população que, em grande parte, desconhece seu próprio diagnóstico. É um esforço que reconhece uma verdade incômoda: encontrar a doença é, muitas vezes, o único ato capaz de salvar uma vida.

  • Estima-se que milhões de brasileiros vivam com hepatite B ou C sem qualquer sintoma visível, tornando o silêncio da doença seu maior perigo.
  • Hospitais públicos do Rio de Janeiro mobilizam equipes e recursos para oferecer mais de 600 testes rápidos e vacinação gratuita ao longo de julho.
  • Um mutirão inicial em Copacabana já realizou mais de 60 exames, revelando casos graves que exigiram intervenção imediata — prova de que a busca ativa funciona.
  • O Brasil corre contra o prazo de 2030 estabelecido pela OMS para eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública, e a testagem em massa é o caminho central.
  • O SUS oferece tratamento gratuito — incluindo antivirais com taxa de cura superior a 95% para hepatite C —, mas tudo depende de um primeiro passo: o diagnóstico.

Julho é o mês em que o Brasil intensifica sua luta contra as hepatites virais, doenças que atacam em silêncio por anos sem revelar sua presença. O Grupo de Fígado do Rio de Janeiro lançou uma série de ações gratuitas em parceria com o SUS, transformando hospitais da cidade em postos de diagnóstico e orientação. A iniciativa parte de uma realidade difícil de ignorar: milhões de brasileiros carregam o vírus sem saber.

As hepatites B e C são as mais preocupantes. Enquanto a tipo A afeta principalmente crianças e deixa sequelas menos duradouras, os tipos B e C estabelecem infecções crônicas que podem levar décadas para se manifestar. Estima-se que 1% da população vive com hepatite B crônica e 1,5% com hepatite C crônica. A Dra. Cassia Guedes Leal, presidente do Grupo de Fígado do Rio, ressalta que muitos infectados nunca apresentam sinais óbvios — o que torna a testagem não apenas recomendável, mas essencial.

A campanha começou com um mutirão em Copacabana, onde mais de 60 exames foram realizados em pacientes do SUS, alguns com casos graves que exigiram intervenção imediata. Ao longo de julho, hospitais como o Federal dos Servidores do Estado, Geral de Bonsucesso e Clementino Fraga Filho da UFRJ oferecem testes rápidos em datas específicas, totalizando mais de 600 exames disponíveis. A vacinação contra hepatite B também está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde.

O Brasil está alinhado com a meta da OMS de eliminar as hepatites virais até 2030. Para isso, é fundamental que toda pessoa realize pelo menos um teste na vida — e que grupos vulneráveis, como usuários de drogas e quem recebeu transfusão antes de 1992, sejam testados periodicamente. O SUS oferece tratamento gratuito para todos os tipos: a hepatite C, considerada curável, responde a antivirais com taxa de sucesso superior a 95%; a hepatite B, sem cura, pode ser controlada com medicamentos que reduzem significativamente o risco de complicações. O diagnóstico é a peça que falta. A campanha de julho existe para encontrá-la.

Julho é o mês em que o Brasil intensifica sua luta contra as hepatites virais — doenças que atacam silenciosamente, muitas vezes sem dar sinais de sua presença por anos. Este mês, o Grupo de Fígado do Rio de Janeiro lançou uma série de ações gratuitas de testagem e orientação em parceria com o Sistema Único de Saúde, transformando hospitais da cidade em postos de diagnóstico. A iniciativa reconhece uma realidade incômoda: milhões de brasileiros carregam o vírus sem saber, e a testagem é o único caminho para encontrá-los.

As hepatites B e C são as mais preocupantes no Brasil. Enquanto a hepatite A afeta principalmente crianças e deixa sequelas menos duradouras, os tipos B e C estabelecem infecções crônicas que podem levar décadas para se manifestar em sintomas visíveis. Estima-se que cerca de 1% da população brasileira vive com hepatite B crônica e 1,5% com hepatite C crônica — números que traduzem milhões de pessoas. Nos últimos vinte anos, mais de 785 mil brasileiros receberam diagnóstico de hepatite. A Dra. Cassia Guedes Leal, presidente do Grupo de Fígado do Rio de Janeiro, explica que muitos infectados nunca apresentam sinais óbvios da doença, o que torna a testagem não apenas recomendável, mas essencial.

A campanha começou no final de junho com um mutirão em Copacabana, onde mais de 60 exames de elastografia e ultrassonografia foram realizados em pacientes do SUS. Alguns dos casos identificados revelaram-se graves, exigindo intervenção imediata. Agora, durante julho, hospitais como o Federal dos Servidores do Estado, Geral de Bonsucesso, Federal de Ipanema, Universitário Antônio Pedro da UFF e Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ oferecem testes rápidos em datas específicas — totalizando mais de 600 testes disponibilizados apenas nessas unidades. A vacinação contra hepatite B também está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde em toda a cidade.

O Brasil está alinhado com uma meta global ambiciosa: a Organização Mundial da Saúde estabeleceu 2030 como prazo para eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública. Para isso, segundo a Dra. Cassia, é fundamental que toda pessoa realize pelo menos um teste em sua vida. Grupos específicos — aqueles que receberam transfusão de sangue antes de 1992, usuários de drogas, profissionais do sexo e outros em situação de vulnerabilidade — precisam de testagem periódica. O desafio não é apenas oferecer o teste, mas alcançar quem mais precisa dele.

A transmissão dos vírus ocorre principalmente através do contato com sangue: compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que cortam ou perfuram a pele. A hepatite A, mais comum em crianças, transmite-se também por via fecal-oral, razão pela qual medidas simples como lavar as mãos, usar água tratada e manter saneamento básico adequado são eficazes na prevenção. Desde 2014, crianças entre 15 meses e 5 anos recebem vacina contra hepatite A pelo calendário nacional, redução que diminuiu drasticamente os casos dessa forma.

Quanto ao tratamento, as opções variam conforme o tipo. A hepatite A requer apenas repouso e cuidados dietéticos. A hepatite C, considerada curável, responde bem aos antivirais de ação direta, que apresentam taxas de cura superiores a 95% em ciclos de 8 a 12 semanas. A hepatite B, porém, não tem cura, mas medicamentos específicos como tenofovir e entecavir conseguem reduzir significativamente o risco de progressão e complicações. O SUS oferece todos esses tratamentos de forma gratuita — o que torna o acesso ao diagnóstico a peça-chave do quebra-cabeça.

Os sintomas, quando aparecem, incluem cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, amarelamento da pele e dos olhos, urina escura e fezes claras. Mas é exatamente aqui que reside o perigo: muitos nunca experimentam esses sinais, ou os experimentam tão levemente que os ignoram. A campanha de julho, portanto, não é apenas sobre oferecer testes — é sobre mudar a percepção de que hepatite é algo que só afeta quem tem sintomas. É sobre encontrar os silenciosos, aqueles que vivem com a doença sem saber, e dar-lhes acesso ao tratamento que pode transformar suas vidas. O Brasil tem as ferramentas. Agora precisa que as pessoas as usem.

É essencial aumentar a conscientização sobre as hepatites virais, pois muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas visíveis por anos. Nosso objetivo é identificar esses casos silenciosos através de campanhas de testagem e promover o acesso ao tratamento, que é totalmente gratuito no SUS.
— Dra. Cassia Guedes Leal, presidente do Grupo de Fígado do Rio de Janeiro
A testagem é crucial para alcançarmos as metas estabelecidas pela OMS de eliminação das hepatites virais até 2030. Para isso, é fundamental que todas as pessoas realizem pelo menos um teste em suas vidas.
— Dra. Cassia Guedes Leal
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
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Por que julho especificamente? O que torna esse mês diferente?

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Julho é quando o Brasil marca sua luta contra as hepatites virais — é uma escolha simbólica, uma cor amarela que representa esperança e ação. Mas na prática, o que torna especial é a concentração de recursos: hospitais abrem suas portas para testagem em massa, campanhas ganham visibilidade, e pessoas que nunca pensaram em fazer um teste acabam tendo a oportunidade na porta de casa.

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Você mencionou que muitas pessoas vivem com a doença sem saber. Como isso é possível em 2024?

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A hepatite é uma doença de progressão lenta. Alguém pode ter contraído o vírus há 20 anos, estar perfeitamente bem, trabalhar, viver normalmente, e nunca apresentar um sintoma sequer. O fígado é silencioso — ele não dói, não avisa. Só quando a doença avança para estágios graves é que o corpo começa a gritar. Por isso a testagem é tão crucial: ela encontra a doença antes que ela encontre você.

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E quanto àqueles que já foram diagnosticados? O tratamento é realmente acessível?

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Sim, mas há uma nuance importante. A hepatite A é praticamente autolimitada — você descansa e melhora. A hepatite C tem cura garantida com os antivirais certos. Mas a hepatite B é diferente: não tem cura, apenas controle. As pessoas precisam tomar medicamentos pelo resto da vida. O SUS fornece tudo isso gratuitamente, o que é extraordinário, mas significa que o diagnóstico precoce não é apenas sobre saúde — é sobre qualidade de vida a longo prazo.

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Quem são os grupos que mais precisam dessa testagem?

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Pessoas que receberam transfusão antes de 1992, quando os testes de sangue eram menos rigorosos. Usuários de drogas injetáveis. Profissionais do sexo. Pessoas vivendo com HIV. Mas aqui está o problema: muitas dessas populações têm menos acesso a serviços de saúde, não por falta de vontade, mas por barreiras estruturais. A campanha tenta quebrar essas barreiras oferecendo testagem gratuita em hospitais públicos, mas alcançar essas pessoas ainda é um desafio.

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Qual é a meta do Brasil com tudo isso?

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Alinhar-se com a Organização Mundial da Saúde: eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. Parece distante, mas não é impossível. O Brasil já tem as ferramentas — vacinas, testes rápidos, medicamentos. O que falta é fazer com que 215 milhões de pessoas entendam que precisam ser testadas pelo menos uma vez na vida. É uma questão de escala e persistência.

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