Vou de saco cheio, mas faço o que tem que fazer
Há vinte anos, Juju Salimeni acorda com preguiça e vai treinar assim mesmo. Aos 35 anos, a influenciadora de fitness revela que a disciplina nunca foi sinônimo de entusiasmo — e que, na adolescência, a pressa por um corpo diferente a levou a usar anabolizantes sem orientação médica, pagando um preço silencioso com a saúde do fígado. A sua trajetória coloca em questão o que realmente sustenta uma rotina: a paixão passageira ou o compromisso com um objetivo maior.
- Juju Salimeni confessa que sente preguiça de treinar todos os dias há duas décadas — uma revelação que contradiz a imagem de devoção absoluta que o mundo fitness costuma projetar.
- Aos 16 anos, sem saber o que havia nos frascos, ela usou anabolizantes hormonais por dois ou três anos e desenvolveu efeitos colaterais sérios: danos ao fígado, tontura, enjoo e perda de disposição para treinar.
- O médico nutrólogo Thiago Volpi alerta que o termo 'anabolizante' vai do frango ao hormônio veterinário — e que as dosagens extremas condensam meses de reposição em dias, tornando os riscos reais e potencialmente irreversíveis.
- A saída de Salimeni não foi a motivação, mas a automatização: treinar como se escova os dentes, sem negociar com a vontade, transformando o esforço em rotina inquestionável.
Aos 35 anos, Juju Salimeni faz uma confissão improvável para quem construiu uma carreira no universo fitness: ela tem preguiça de ir à academia todos os dias, e isso não mudou em vinte anos de treino. Começou a se exercitar aos 15 e nunca deixou de sentir aquela resistência inicial diante da porta do ginásio. O que a mantém em movimento não é paixão renovada a cada sessão, mas disciplina — a consciência de que o objetivo justifica o desconforto.
Para ela, o exercício deixou de ser uma escolha diária e passou a ser uma rotina tão automática quanto escovar os dentes. Ela abre mão de alimentos, de horários e de uma vida menos estruturada em nome de um corpo que corresponda à sua visão. E o paradoxo é que, apesar de entrar na academia de saco cheio, sai de lá muito melhor — de humor, de disposição, de presença no próprio dia.
Mas nem sempre esse caminho foi percorrido com cuidado. Aos 16 anos, insatisfeita com o próprio corpo magro, Salimeni começou a usar anabolizantes sem qualquer orientação médica. Não sabia o que havia nos frascos — alguém dizia que ajudaria a ganhar peso e músculo, e ela tomava. Depois de dois ou três anos, o corpo apresentou a conta: efeitos colaterais no fígado, tontura, enjoo e uma exaustão que comprometia os próprios treinos.
O médico nutrólogo Thiago Volpi contextualiza o risco: tecnicamente, qualquer substância que promove crescimento muscular é um anabolizante — inclusive batata-doce e frango. O perigo está nos anabolizantes hormonais em doses extremas, que comprimem meses de reposição em uma semana e frequentemente combinam substâncias de uso veterinário. É nesse território que os danos se tornam sérios e difíceis de reverter. A história de Salimeni é, no fundo, um retrato do custo oculto dos atalhos — e da durabilidade silenciosa da disciplina.
Aos 35 anos, Juju Salimeni senta diante das câmeras do Conexão VivaBem e diz algo que ninguém esperaria ouvir de alguém que construiu uma carreira inteira em torno do fitness: ela tem preguiça de ir à academia. Todos os dias. Há vinte anos.
A influenciadora começou a treinar aos 15 anos e transformou o exercício em parte tão fundamental de sua vida quanto respirar. Mas essa rotina de duas décadas não apagou a resistência inicial que sente cada vez que se aproxima da porta do ginásio. "Tenho preguiça todo dia, já estou de saco cheio", confessa. O que a move não é paixão ou entusiasmo renovado a cada sessão, mas algo mais sólido: disciplina. Ela treina porque é seu objetivo manter o corpo como deseja, e essa meta justifica a fadiga cotidiana.
A preguiça que Salimeni descreve não é privilégio seu. Ela sente a mesma resistência que qualquer pessoa experimenta diante de uma tarefa repetitiva e exigente. A diferença está em não permitir que essa desculpa legítima a paralise. Treinar virou tão automático quanto tomar banho ou escovar os dentes — não é questão de vontade, é questão de rotina. "Vou de saco cheio, vou sem vontade, mas faço o que tem que fazer, porque esse é o meu objetivo", resume. Ela abriu mão de lugares para frequentar, de alimentos que gostaria de comer sem culpa, de uma vida menos estruturada, tudo em nome de um corpo que corresponda à sua visão.
O que a surpreende, porém, é o que acontece depois. Sai da academia muito melhor do que quando entra. O exercício físico não é apenas sobre estética — ela insiste nesse ponto. Muda o humor, aumenta a disposição, transforma o dia inteiro. É um benefício que vai além do espelho.
Mas nem sempre Salimeni caminhou por esse caminho de forma segura. Aos 16 anos, quando era muito magra e não gostava do seu corpo, começou a usar anabolizantes sem qualquer orientação médica. Não sabia sequer o que estava dentro dos frascos que lhe ofereciam. Alguém dizia que aquilo a ajudaria a ganhar peso e músculo, e ela tomava. Faltava responsabilidade, faltava consciência. Depois de dois ou três anos, o preço começou a aparecer: efeitos colaterais no fígado, tontura, enjoo, uma falta de disposição que a impedia de treinar com força. Era como se o corpo estivesse permanentemente exausto.
Thiago Volpi, médico nutrólogo que participou do programa, oferece uma perspectiva que amplia a conversa. Anabolizante, explica, é qualquer substância que promove crescimento muscular — o que significa que batata-doce e frango são, tecnicamente, anabolizantes. Mas quando as pessoas falam em "bomba", referem-se aos anabolizantes hormonais em dosagens extremamente altas, aqueles que condensam meses de reposição hormonal em uma semana, frequentemente misturando substâncias e até hormônios veterinários. É nesse território que o risco se torna real e irreversível.
A história de Salimeni é um testemunho sobre o custo oculto da transformação corporal acelerada — e sobre como a disciplina, mesmo quando nascida de desejo e não de paixão, pode ser mais sustentável que qualquer atalho químico.
Notable Quotes
Tenho preguiça todo dia, já estou de saco cheio, são 20 anos fazendo isso, mas faço porque é meu objetivo manter o corpo como quero, é a disciplina— Juju Salimeni
Anabolizante é qualquer substância que promove o crescimento muscular. Nesse sentido, suplementos, comida, hormônios, tudo isso é anabolizante— Thiago Volpi, médico nutrólogo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como você consegue manter a consistência quando a preguiça é tão constante? Não é exaustivo viver contra sua própria vontade todos os dias?
Acho que a questão é que a vontade não é o combustível. A disciplina é. Quando você entende que aquilo é um hábito, como escovar dente, você não fica esperando acordar motivado. Você só faz.
E quando você era adolescente e usou anabolizantes, você sabia que estava correndo risco? Ou parecia normal na época?
Parecia normal porque eu não tinha consciência. Alguém oferecia, dizia que era bom, e eu tomava. Não pensava em fígado, em efeitos colaterais. Só queria ficar maior. A tontura e o enjoo vieram depois, quando já era tarde.
Você acha que se tivesse tido orientação médica, teria feito diferente?
Com certeza. A diferença entre um suplemento e uma "bomba" é a dosagem e a falta de controle. Se alguém tivesse explicado o que realmente estava acontecendo no meu corpo, eu teria escolhido outro caminho.
O que você diria para alguém jovem que está pensando em fazer o mesmo que você fez?
Que o corpo que você quer não vale o preço que você vai pagar. E que existe um caminho mais longo, mas que funciona e não deixa cicatrizes.