Só depois de levantá-lo para afastá-lo da criança é que percebeu a filha caída
Em uma manhã de feira de inverno, uma jovem de 22 anos foi atingida por um galho que caiu de uma árvore em praça pública no centro de Curitiba, e o que parecia um passeio em família tornou-se o instante que dividiu sua vida em antes e depois. Ana Beatriz Cruz perdeu o movimento das pernas, e sua história agora atravessa três frentes simultâneas: a luta médica por uma recuperação possível, a espera por um tratamento experimental ainda sem aprovação regulatória, e a busca por responsabilidade sobre o que poderia ter sido evitado. O caso coloca em tensão a fragilidade dos corpos diante do espaço público e a obrigação do Estado de zelar por aquilo que é de todos.
- Um galho desprendido de árvore na Praça Osório fraturou duas vértebras, dilacerou a medula e perfurou o pulmão de Ana Beatriz Cruz, de 22 anos, deixando-a paraplégica em questão de segundos.
- A família, que estava ao lado dela no momento do acidente, precisou primeiro retirar o galho de cima do carrinho de um bebê antes de perceber que Ana Beatriz havia caído — um detalhe que revela a violência e a confusão do impacto.
- Após cirurgia com oito pinos na coluna, a jovem permanece internada enquanto a mãe corre contra o tempo para obter autorização da Anvisa para um tratamento experimental com polilaminina, molécula desenvolvida pela UFRJ para regenerar nervos medulares.
- A família solicita imagens das câmeras de segurança da praça e prepara ação judicial contra a Prefeitura de Curitiba, questionando se a manutenção das árvores foi suficiente para prevenir o acidente.
- A Prefeitura afirma ter realizado inspeção na praça em abril e diz não ter identificado necessidade de intervenções emergenciais após o acidente, posição que deverá ser contestada judicialmente.
Ana Beatriz Cruz tinha 22 anos e aproveitava a Feira de Inverno na Praça Osório, no centro de Curitiba, acompanhada pela mãe, pela irmã e pelo sobrinho de pouco mais de um ano, quando um galho se desprendeu de uma árvore e caiu sobre ela. Era a manhã de 13 de junho. A mãe, Vanessa Stubinski, só percebeu a filha caída no chão depois de tirar o galho de cima do carrinho do neto. O impacto havia sido devastador.
Ana Beatriz sofreu fraturas nas vértebras T5 e T6, teve a medula dilacerada e o pulmão perfurado. Perdeu completamente o movimento das pernas. A Guarda Municipal chegou rapidamente e o Samu a encaminhou ao Hospital do Trabalhador, onde foi operada 12 horas depois. Oito pinos foram implantados para sustentar a coluna. Ela segue internada.
A família agora deposita esperança em um tratamento experimental chamado polilaminina — uma molécula desenvolvida por pesquisadores da UFRJ a partir de uma proteína naturalmente presente no corpo humano, criada para regenerar nervos após lesões medulares. O composto ainda está em fase de pesquisa clínica e não tem aprovação definitiva da Anvisa, mas Vanessa já está em contato com a agência para solicitar autorização de uso.
Paralelamente, a família reúne provas para processar a Prefeitura de Curitiba. Vanessa pediu as imagens das câmeras de segurança da praça e questiona se a queda do galho poderia ter sido evitada com manutenção adequada. A Prefeitura respondeu com nota de pesar, informou que a praça passou por revisão das árvores em abril e afirmou não ter identificado necessidade de intervenções emergenciais após o acidente. O caso agora se desdobra entre a esperança de um tratamento ainda não aprovado e a disputa jurídica sobre quem é responsável pelo que aconteceu naquela manhã de sábado.
Ana Beatriz Cruz estava passeando com a família na Praça Osório, no centro de Curitiba, quando um galho desprendeu-se de uma árvore e caiu sobre ela. Era sábado de manhã, 13 de junho, e ela estava acompanhada pela mãe Vanessa Stubinski, pela irmã mais velha e pelo sobrinho de um ano e quatro meses. A família aproveitava a Feira de Inverno que acontecia na praça. O galho caiu com força. Quando Vanessa se virou para ver o que havia acontecido, viu o galho sobre o carrinho do neto. Só depois de levantá-lo para afastá-lo da criança é que percebeu a filha caída no chão.
O impacto foi devastador. Ana Beatriz, com 22 anos, sofreu fraturas nas vértebras T5 e T6, teve a medula dilacerada e o pulmão perfurado. O resultado foi a perda completa do movimento das pernas. A mãe relembra que a filha ficou com a língua enrolada e teve apagões de consciência nos momentos seguintes. A Guarda Municipal chegou rápido ao local e fez a primeira avaliação. Quando o Samu chegou, Ana Beatriz foi levada ao Hospital do Trabalhador, onde foi operada 12 horas depois do acidente. Os cirurgiões implantaram oito pinos para sustentar a coluna vertebral. Ela permanece internada.
A família agora aguarda uma aprovação que pode mudar o rumo da recuperação. Vanessa está em contato com a Anvisa para solicitar autorização de um tratamento experimental chamado polilaminina. A molécula foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro a partir da laminina, uma proteína que existe naturalmente no corpo humano. O composto foi criado especificamente para regenerar nervos após lesões na medula espinhal. Ainda está em fase de pesquisa clínica e não tem aprovação final da agência reguladora para uso amplo, mas representa uma esperança para pessoas com paraplegia e tetraplegia.
Vanessa também solicitou as imagens das câmeras de segurança da praça que registraram o momento do acidente. A família pretende processar a Prefeitura de Curitiba pela gravidade da lesão sofrida por Ana Beatriz. A questão agora é se a queda do galho poderia ter sido evitada com manutenção adequada das árvores da praça.
A Prefeitura respondeu com uma nota de pesar e informou que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente mantém um programa permanente de monitoramento e manejo da arborização urbana. Segundo o comunicado, a praça recebeu uma revisão geral das condições das árvores em abril deste ano, dentro dos protocolos regulares. Após inspecionar o local após o acidente, a prefeitura afirmou que não identificou a necessidade de intervenções emergenciais adicionais na área. A prefeitura disse que segue apurando as circunstâncias do ocorrido e que acompanha o estado de saúde de Ana Beatriz. O caso agora fica suspenso entre a esperança de um tratamento experimental ainda não aprovado e a possibilidade de uma ação judicial que pode questionar se a cidade cumpriu seu dever de manter a praça segura.
Citações Notáveis
Quando olhei para trás o galho estava na direção do carrinho do meu neto. Não fosse a proteção, teria atingido as pernas dele.— Vanessa Stubinski, mãe de Ana Beatriz
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como uma coisa assim acontece em um espaço público durante o dia, com a família toda presente?
O galho simplesmente caiu. Não há dramaticidade nisso — é um acidente, no sentido mais literal. Mas o que torna a história pesada é que em segundos, uma vida inteira muda de direção.
A mãe viu tudo acontecer?
Ela estava ali. Viu o galho cair sobre o carrinho do neto primeiro, depois percebeu que a filha estava no chão. Há algo particularmente cruel em estar presente e ser incapaz de impedir.
E quanto a essa molécula, a polilaminina — é realmente uma possibilidade real de recuperação?
É experimental. Desenvolvida pela UFRJ, promete regenerar nervos após lesões medulares. Mas ainda não tem aprovação final. Para a família de Ana Beatriz, é esperança. Para o sistema regulatório, ainda é pesquisa.
A prefeitura diz que inspecionou a praça em abril. Isso é suficiente?
Depende do que você acredita que "suficiente" significa. A prefeitura cumpriu protocolo. Mas um galho caiu e uma jovem de 22 anos não consegue mais andar. Essas duas coisas agora existem no mesmo espaço.
Qual é o próximo passo para Ana Beatriz?
Ela espera pela aprovação da Anvisa para o tratamento experimental. Sua família também está buscando as imagens de segurança e preparando uma ação judicial contra a cidade. Tudo isso enquanto ela permanece internada, aprendendo a viver com o corpo que tem agora.