Ela merece lutar por todas as possibilidades de recuperação
Uma jovem fonoaudióloga de 22 anos, que acabava de iniciar sua vida profissional, teve seu futuro interrompido por um galho de árvore numa praça de Curitiba, sofrendo paraplegia. Diante da urgência biológica — o tratamento experimental com polilaminina só demonstra eficácia nas primeiras 72 horas após o trauma —, o Estado mobilizou aeronaves e instituições para que ela se tornasse a 86ª brasileira a receber uma substância desenvolvida em 25 anos de pesquisa na UFRJ. O caso revela tanto a fragilidade da vida cotidiana quanto a capacidade humana de organizar esperança em tempo recorde.
- Um galho caiu sobre Ana Beatriz Stubinski na Praça Osório no sábado, causando lesão medular completa e paralisando suas pernas em questão de segundos.
- A janela terapêutica da polilaminina é de apenas 72 horas, tornando cada minuto após o acidente uma corrida contra a irreversibilidade.
- A mãe de Ana lançou uma campanha pública nas redes sociais, e a pressão coletiva ajudou a acelerar a avaliação e aprovação pela Anvisa.
- O governo do Paraná mobilizou uma aeronave estadual para buscar o medicamento e os especialistas no Rio de Janeiro, com paradas em Foz do Iguaçu antes do retorno a Curitiba.
- Ana Beatriz recebeu o tratamento no Hospital do Trabalhador, tornando-se a 16ª paciente no Paraná e a 86ª no Brasil a receber a polilaminina.
- A eficácia do medicamento em lesões crônicas ainda é incerta, e pesquisas continuam — mas para Ana, a aposta foi feita dentro do prazo possível.
Ana Beatriz Stubinski tinha 22 anos, diploma de fonoaudiologia recém-conquistado e o primeiro carro nas mãos quando um galho de árvore caiu sobre ela na Praça Osório, em Curitiba, no sábado 13 de junho. A lesão medular completa a deixou paraplégica em instantes.
Uma semana depois, ela recebeu uma aprovação rara: a Anvisa autorizou sua candidatura ao tratamento experimental com polilaminina, substância derivada da laminina — proteína presente na placenta humana — que estimula o crescimento de células nervosas. O medicamento é fruto de 25 anos de pesquisa na UFRJ e produzido pelo Laboratório Cristália, que avaliou Ana e confirmou que ela atendia aos critérios necessários.
A mãe, Vanessa, havia mobilizado as redes sociais pedindo acesso ao tratamento. Ao anunciar a aprovação, resumiu o que estava em jogo: "Ela merece lutar por todas as possibilidades de recuperação."
O governo do Paraná agiu com urgência: uma aeronave estadual foi enviada ao Rio de Janeiro para buscar o medicamento e os profissionais responsáveis pela aplicação, com parada em Foz do Iguaçu antes do retorno a Curitiba. O procedimento foi realizado no Hospital do Trabalhador. Ana Beatriz tornou-se a 86ª paciente no Brasil a receber a polilaminina.
A substância é aplicada diretamente na medula espinhal, idealmente durante a cirurgia de descompressão, e os estudos que a sustentam foram conduzidos em lesões agudas — com no máximo 72 horas. Para casos crônicos, com mais de três meses de lesão, ainda não há evidências de eficácia, embora testes em animais estejam em andamento.
A Prefeitura de Curitiba lamentou o acidente e informou que a última revisão arbórea da praça havia ocorrido em abril, dentro dos protocolos municipais. Uma nova inspeção após o incidente não identificou necessidade de intervenções emergenciais adicionais.
Ana Beatriz Stubinski tinha 22 anos, acabava de se formar como fonoaudióloga e havia comprado seu primeiro carro. No sábado 13 de junho, um galho caiu sobre ela na Praça Osório, em Curitiba, causando uma lesão medular completa. Ela ficou paraplégica.
Mas há uma semana depois do acidente, ela recebeu uma aprovação que poucos pacientes conseguem: a Anvisa autorizou sua candidatura para um tratamento experimental chamado polilaminina. O medicamento foi desenvolvido ao longo de 25 anos de pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderada pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio. A substância é derivada de uma proteína encontrada na placenta humana, a laminina, que estimula o crescimento de células nervosas. O Laboratório Cristália, que produz o medicamento em parceria com a UFRJ, avaliou Ana Beatriz e determinou que ela atendia aos critérios para receber o tratamento.
A mãe de Ana, Vanessa, havia feito uma campanha nas redes sociais pedindo pela aplicação do medicamento experimental. Quando a aprovação chegou, ela anunciou a notícia publicamente. "Minha filha é jovem. Acabou de se formar. Começou a trabalhar. Comprou seu primeiro carro. Estava construindo seu futuro. Ela merece lutar por todas as possibilidades de recuperação", disse Vanessa em um comunicado.
O governo do Paraná mobilizou uma aeronave estadual para buscar o medicamento e os profissionais responsáveis pela aplicação no Rio de Janeiro. A operação incluiu paradas no Rio e em Foz do Iguaçu, com previsão de retorno a Curitiba ainda naquela noite para que o procedimento fosse realizado no Hospital do Trabalhador. Ana Beatriz seria a 16ª paciente a receber o tratamento no Paraná e a 86ª em todo o Brasil.
A polilaminina é aplicada diretamente na medula espinhal. O ideal, segundo Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento do Cristália, é que a substância seja colocada durante a cirurgia de descompressão e estabilização da coluna logo após o trauma. Os estudos científicos que fundamentam o tratamento foram conduzidos em lesões agudas, ocorridas há no máximo 72 horas. Em muitos casos, porém, a polilaminina é aplicada após a cirurgia de descompressão, através de uma punção com agulha na medula. A fisioterapia é essencial após a aplicação do medicamento.
Ainda não há dados que indiquem que a substância funcionará em pacientes com lesões medulares mais antigas, com mais de três meses. O laboratório está conduzindo testes em cães com lesões na medula há mais de dois anos, buscando avaliar no futuro se o medicamento pode ser usado em casos crônicos.
A Prefeitura de Curitiba lamentou o ocorrido e afirmou ter prestado todo apoio necessário a Ana e seus familiares desde o primeiro momento. A gestão municipal informou que a última revisão das condições arbóreas da Praça Osório ocorreu em abril, seguindo os protocolos da prefeitura. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente mantém um programa permanente de monitoramento e manejo da arborização urbana, com inspeções técnicas periódicas, avaliações fitossanitárias e ações preventivas. Após uma nova inspeção no local, a prefeitura afirmou que não foi identificada a necessidade de novas intervenções emergenciais na área.
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Minha filha é jovem. Acabou de se formar. Começou a trabalhar. Comprou seu primeiro carro. Estava construindo seu futuro. Ela merece lutar por todas as possibilidades de recuperação.— Vanessa Stubinski, mãe de Ana Beatriz
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que esse caso específico recebeu aprovação tão rápida da Anvisa? Normalmente esses processos levam meses.
Ana Beatriz atendeu aos critérios exatos que a agência estabeleceu para o estudo clínico de fase 1: lesão aguda, completa, e menos de 72 horas após o trauma. Além disso, a mãe dela fez uma campanha pública que chamou atenção. Mas o fator decisivo foi que ela se encaixava perfeitamente no perfil que os pesquisadores estavam procurando.
E se o tratamento não funcionar? Qual é a expectativa realista aqui?
Honestamente, ninguém sabe. A polilaminina mostrou resultados promissores em pesquisa, mas estamos falando de fase 1 — o objetivo agora é verificar se é segura, não se funciona. Ana Beatriz é a 86ª pessoa no Brasil a tentar. Os dados só existem para lesões com até 72 horas, e mesmo assim, os resultados não são garantidos.
A mãe dela disse algo muito específico sobre o futuro que Ana estava construindo. Isso importa para a decisão de tentar um tratamento experimental?
Importa muito. Ana tinha 22 anos, acabava de começar a carreira, tinha comprado seu primeiro carro. Ela estava no meio de uma vida que estava apenas começando. Para a mãe, qualquer possibilidade de recuperação, por pequena que seja, vale a pena tentar. É uma aposta emocional e médica ao mesmo tempo.
O que acontece agora com a Praça Osório? A prefeitura vai fazer algo diferente?
A prefeitura disse que fez uma nova inspeção e não encontrou necessidade de intervenções emergenciais. Mas há uma questão implícita aqui: como um galho caiu? A última revisão foi em abril. Ninguém sabe ainda se foi negligência, se foi um evento impossível de prever, ou se o monitoramento não foi suficiente.