Infecções silenciosas que nem sempre mostram sintomas, mas matam 1,4 milhão por ano
Todo mês de julho, o Brasil convoca sua atenção para um adversário que age em silêncio: as hepatites virais. Em João Pessoa, a Secretaria Municipal de Saúde intensifica a Campanha Julho Amarelo para lembrar que infecções capazes de matar 1,4 milhão de pessoas por ano no mundo podem ser prevenidas, diagnosticadas e, no caso da hepatite C, curadas em mais de 95% dos casos. A sabedoria coletiva, aqui, reside em agir antes que os sintomas falem.
- Com 66 novos casos já registrados em 2025 e 243 notificações no ano anterior, João Pessoa enfrenta uma pressão epidemiológica real e contínua sobre o fígado de sua população.
- O maior perigo das hepatites virais é o silêncio: a maioria dos infectados não sente nada, o que permite que a doença avance enquanto a pessoa desconhece seu próprio estado de saúde.
- A hepatite C lidera as notificações na cidade com 28 casos em 2025, seguida pela B com 25 — ambas transmitidas por vias que o comportamento cotidiano pode interromper.
- A resposta municipal aposta em testagem gratuita nas unidades de saúde, vacinação acessível em múltiplos pontos da cidade e tratamento especializado no Hospital Universitário Lauro Wanderley.
- A campanha Julho Amarelo, respaldada por lei federal desde 2019, funciona como um lembrete anual de que a prevenção é o caminho mais barato e mais humano diante de doenças que o sistema de saúde já tem como enfrentar.
Julho é o mês em que o Brasil dirige sua atenção às hepatites virais, e em 2025 a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa reforçou seus esforços dentro da Campanha Julho Amarelo. As hepatites são inflamações do fígado causadas por vírus e respondem por cerca de 1,4 milhão de mortes anuais no mundo. Sua característica mais traiçoeira é o silêncio: muitos infectados não apresentam sintomas, o que torna o diagnóstico precoce indispensável. Quando os sinais aparecem — icterícia, dor abdominal, febre, cansaço — a doença já pode estar avançada.
No Brasil, as formas mais comuns são as hepatites A, B e C. A primeira se transmite pela via fecal-oral, contaminando água e alimentos. As hepatites B e C percorrem caminhos mais variados: relações sexuais, compartilhamento de agulhas e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Os dados de João Pessoa ilustram a dimensão do problema: em 2024, foram 243 casos notificados, com a hepatite C respondendo por 166 deles. Em 2025, já são 66 registros até o momento.
A prevenção combina higiene, uso de preservativos, não compartilhamento de materiais perfurocortantes e vacinação. O SUS oferece gratuitamente as vacinas contra hepatites A e B — disponíveis desde a infância e também para adultos não vacinados — em unidades de saúde, policlínicas e pontos extras em shoppings e centros comerciais da cidade. Testes rápidos gratuitos estão acessíveis nas Unidades de Saúde da Família e no serviço especializado no bairro do Jaguaribe.
Para a hepatite C, que não conta com vacina, o tratamento oferece mais de 95% de chance de cura quando conduzido corretamente. Em João Pessoa, ele é realizado no Hospital Universitário Lauro Wanderley, mediante encaminhamento. A Campanha Julho Amarelo, instituída por lei em 2019 e ancorada no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, em 28 de julho, segue como instrumento central para transformar informação em proteção real.
Julho é o mês em que o Brasil volta sua atenção para um inimigo silencioso: as hepatites virais. Desde 2019, a Campanha Julho Amarelo marca esse período de conscientização, e neste ano a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa intensificou seus esforços para informar a população sobre essas infecções que matam aproximadamente 1,4 milhão de pessoas anualmente em todo o mundo.
As hepatites virais são inflamações do fígado causadas por vírus, e uma de suas características mais perigosas é o silêncio. Nem sempre quem está infectado sente algo. Quando os sintomas aparecem, porém, eles são claros: dor abdominal, amarelamento da pele e dos olhos (icterícia), cansaço, febre, enjoo e diarreia. Segundo Júlia Falcão, médica preceptora do programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade da secretaria, essa natureza silenciosa torna a prevenção e o diagnóstico precoce absolutamente essenciais.
No Brasil, as três formas mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, a hepatite D, mais prevalente na região Norte, e a hepatite E, rara no país mas comum na África e na Ásia. Cada uma se transmite de forma diferente. A hepatite A viaja pela via fecal-oral, contaminando água e alimentos. As hepatites B e C seguem caminhos mais diversos: relações sexuais, compartilhamento de agulhas e materiais perfuro cortantes, e também a transmissão vertical, quando a mãe passa a infecção para o bebê durante a gestação ou parto.
Os números de João Pessoa revelam a realidade da doença na cidade. Até agora em 2025, a Vigilância Epidemiológica da secretaria registrou 66 novos casos, com a hepatite C liderando com 28 notificações e a hepatite B com 25. O ano anterior foi mais grave: em 2024, foram 243 casos notificados no total, sendo 166 de hepatite C e 54 de hepatite B. A vigilância também identificou casos da forma conjunta B+D.
A prevenção varia conforme o tipo de hepatite. Para a A, o foco está em higiene pessoal e qualidade dos alimentos, o que torna o saneamento básico e a fiscalização de estabelecimentos alimentares fundamentais. Para as hepatites B e C, o preservativo é a principal barreira, tanto em relações sexuais quanto no uso de brinquedos sexuais. Igualmente importante é não compartilhar agulhas, manter testes em dia para conhecer o próprio status de saúde e, se necessário, iniciar tratamento. A vacinação também desempenha papel crucial.
A rede municipal oferece testes rápidos gratuitos nas Unidades de Saúde da Família e no Serviço Especializado para Testagem e Aconselhamento, localizado na Rua Alberto de Brito, 413, no Jaguaribe. Os serviços funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h. Para as hepatites A e B, o SUS disponibiliza vacinas gratuitamente desde a infância: a vacina contra hepatite A é aplicada em dose única aos 15 meses, enquanto a de hepatite B começa ao nascer e continua em reforços aos 2, 4 e 6 meses. Quem não foi vacinado na infância pode receber a vacina em qualquer momento da vida, em um esquema de três doses. As vacinas estão disponíveis em todas as salas de vacinação da cidade, incluindo unidades de saúde, policlínicas municipais, o Centro Municipal de Imunização na Torre, e pontos extras no Home Center Ferreira Costa e nos shoppings Sul e Tambiá.
Para a hepatite C, que não possui vacina preventiva, existe esperança no tratamento: quando realizado corretamente, oferece mais de 95% de chance de cura. Em João Pessoa, esse tratamento é conduzido no Hospital Universitário Lauro Wanderley, mediante encaminhamento do serviço onde o teste foi realizado. A campanha Julho Amarelo, instituída pela Lei 13.802 de 2019 e celebrada em torno do Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais em 28 de julho, continua buscando fortalecer a vigilância, prevenção e controle dessas doenças que seguem marcando presença na saúde pública brasileira.
Citas Notables
As hepatites virais são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. São inflamações do fígado causadas por vírus e são infecções silenciosas, então é importante falar que nem todo mundo vai ter os sintomas.— Júlia Falcão, médica preceptora do programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde
Para a Hepatite A é sempre importante manter hábitos de higiene e observar os locais onde vai se alimentar. O saneamento básico é uma forma de prevenção e a atuação da vigilância é essencial ao fiscalizar os restaurantes.— Júlia Falcão
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que as hepatites virais são tão perigosas se muitas pessoas não sentem nada?
Justamente porque são silenciosas. A pessoa pode estar infectada, transmitindo o vírus para outros, sem saber. Quando descobre, às vezes o dano já está avançado. Por isso o teste é tão importante quanto a prevenção.
A transmissão é completamente diferente entre os tipos?
Totalmente. A hepatite A é basicamente um problema de saneamento e higiene — água suja, comida contaminada. Já B e C são transmitidas por contato sexual ou sangue. São mundos diferentes de risco.
Se a hepatite C não tem vacina, como as pessoas se protegem?
Preservativo, não compartilhar agulhas, conhecer o próprio status. E se descobrir que está infectada, o tratamento cura em mais de 95% dos casos. Não é o ideal, mas é uma saída real.
Por que João Pessoa teve mais casos em 2024 do que está tendo em 2025?
Ainda estamos no meio do ano. Mas também pode refletir melhor acesso ao diagnóstico, campanhas anteriores funcionando, ou simplesmente variação. Os dados de 2025 ainda estão se formando.
As vacinas estão realmente acessíveis para todo mundo?
Estão. Gratuitas no SUS, disponíveis em vários pontos da cidade. O desafio agora é fazer as pessoas saberem disso e irem tomar. Muita gente não sabe que pode se vacinar contra hepatite B em qualquer idade.
E quem já tem hepatite C? Qual é o caminho?
Primeiro, o teste confirma. Depois, encaminhamento para o hospital universitário, onde fazem o tratamento com os medicamentos que curam. Não é rápido, mas funciona.