Jaca e romã podem regenerar gengivas em novo tratamento para periodontite

Material que adere à lesão e libera medicamento diretamente no local
A estratégia dos pesquisadores para manter o tratamento concentrado na área danificada pela periodontite.

Na fronteira entre a natureza e a ciência, pesquisadores da PUC-SP encontraram em ingredientes humildes — o látex da jaca, a casca da romã e um medicamento para colesterol — uma combinação que pode redefinir o tratamento da periodontite. A doença, que destrói silenciosamente os tecidos que sustentam os dentes, resiste aos tratamentos atuais justamente na etapa mais difícil: a regeneração do que já foi perdido. Os resultados laboratoriais publicados em 2026 apontam para um caminho promissor, mas os próprios cientistas lembram que entre a bancada e o consultório existe uma longa e necessária jornada.

  • A periodontite avança destruindo osso e tecido de sustentação dos dentes, e os tratamentos atuais falham exatamente onde mais importa: na regeneração do que foi perdido.
  • Pesquisadores da PUC-SP apostaram em uma combinação improvável — látex de jaca, extrato de romã e sinvastatina — para atacar a doença em três frentes ao mesmo tempo: infecção, inflamação e regeneração óssea.
  • Testes com células-tronco humanas mostraram que o biomaterial libera o medicamento de forma sustentada e começa a estimular a formação óssea entre 14 e 21 dias, sem comprometer a estrutura do gel.
  • Os resultados foram publicados na revista Polymer Bulletin em março de 2026, mas os próprios autores alertam: comer jaca não trata gengiva, e o caminho até o paciente ainda exige testes clínicos rigorosos.

Um gel desenvolvido por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, campus Sorocaba, combina látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina — um medicamento usado para reduzir colesterol — em um biomaterial com potencial para tratar a periodontite. Os resultados foram publicados em março de 2026 na revista Polymer Bulletin.

A periodontite é uma inflamação crônica de origem infecciosa que, em estágios avançados, destrói o osso e os tecidos que mantêm os dentes no lugar. Os tratamentos existentes controlam a infecção e a inflamação, mas têm dificuldade em recuperar o que já foi destruído. Foi essa lacuna que motivou a equipe a buscar um material capaz de permanecer na região afetada e liberar substâncias terapêuticas diretamente no local da lesão.

A jaca entrou na fórmula por suas propriedades adesivas: seu látex consegue aderir à área danificada por tempo prolongado. A romã contribui com ação antimicrobiana, enquanto a sinvastatina, além de combater a inflamação, é conhecida por estimular processos ligados à formação óssea. A lógica é agir em múltiplas frentes ao mesmo tempo.

Nos testes laboratoriais, o medicamento foi incorporado ao gel em três concentrações diferentes, todas consideradas tecnicamente seguras. Experimentos com células-tronco humanas derivadas de tecido adiposo mostraram liberação sustentada da sinvastatina e aumento da osteoindução — o processo que leva células a se diferenciarem em direção à formação óssea — com resultados visíveis a partir de 14 dias e mais evidentes após 21 dias.

Os pesquisadores, porém, são cautelosos: o biomaterial ainda não foi testado em pacientes, e consumir jaca como alimento não tem qualquer efeito sobre doenças gengivais. Novas etapas de pesquisa, incluindo testes clínicos, serão necessárias antes que a tecnologia possa ser considerada para uso real.

Um biomaterial feito a partir de três ingredientes — látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina, um medicamento conhecido por reduzir colesterol — pode abrir novos caminhos para tratar a periodontite, a forma mais grave da doença gengival. Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, campus de Sorocaba, desenvolveram essa combinação e publicaram seus resultados em março de 2026 na revista Polymer Bulletin, apresentando dados que sugerem o potencial do material para regenerar tecidos danificados.

A periodontite é uma inflamação crônica de origem infecciosa que, quando avança, destrói as estruturas que sustentam os dentes. Ela causa perda óssea e enfraquece a ligação entre o dente e os tecidos ao seu redor. Os tratamentos disponíveis atualmente conseguem controlar a infecção e a inflamação, mas têm dificuldade em regenerar os tecidos já perdidos. Essa limitação motivou os cientistas a buscar um material que pudesse permanecer mais tempo na região afetada e liberar substâncias terapêuticas diretamente no local da lesão.

A escolha da jaca como componente principal baseou-se em suas propriedades adesivas. O látex da fruta tem a capacidade de aderir à área danificada pela periodontite por um período prolongado, criando um ambiente favorável para a liberação controlada de compostos curativos. Complementando essa base, os pesquisadores adicionaram extrato de casca de romã, reconhecido por suas propriedades antimicrobianas, e sinvastatina, um fármaco já estudado por seus efeitos anti-inflamatórios e pela capacidade de estimular processos relacionados à formação óssea. A lógica dessa combinação é trabalhar em múltiplas frentes simultaneamente: combater microrganismos, manter o material aderido à lesão e ativar sinais biológicos que favoreçam a regeneração óssea.

Nos testes laboratoriais, a sinvastatina foi incorporada ao gel em três concentrações diferentes: 0,3%, 0,6% e 1,2%. As análises mostraram que nenhuma dessas proporções alterou a estrutura do gel, e todas foram consideradas tecnicamente seguras. Os pesquisadores realizaram testes físico-químicos e biológicos para avaliar o comportamento do material, além de experimentos in vitro usando células-tronco humanas derivadas de tecido adiposo. Os resultados indicaram que o medicamento foi liberado de forma sustentada e que houve aumento da osteoindução, o processo que estimula as células a se diferenciarem em direção à formação óssea. Essa resposta começou a aparecer após 14 dias e tornou-se mais evidente após 21 dias de diferenciação celular.

Apesar dos resultados promissores obtidos em laboratório, a descoberta ainda está em estágio inicial. O estudo não testou o biomaterial em pacientes reais, e os pesquisadores deixam claro que consumir jaca como alimento não trata nem reverte doenças gengivais. A equipe ressalta que a tecnologia precisa passar por novas etapas de pesquisa — incluindo testes clínicos — antes que sua eficácia e segurança possam ser avaliadas de forma mais ampla e antes que qualquer aplicação em pacientes seja considerada.

Os tratamentos atuais ajudam a controlar infecção e inflamação, mas têm limitação para regenerar tecidos perdidos
— Pesquisadores da PUC-SP
A tecnologia precisa passar por novas etapas de pesquisa para que sua eficácia e segurança sejam avaliadas de forma mais ampla
— Autores do estudo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a jaca especificamente? Há algo único no látex dela que não existe em outras plantas?

Model

O látex de jaca tem propriedades adesivas muito particulares. Ele consegue grudar na área lesionada e ficar lá por mais tempo, o que permite que os outros componentes — a romã e a sinvastatina — façam seu trabalho de forma mais concentrada e prolongada.

Inventor

E a romã? Ela é usada há séculos na medicina tradicional. Isso influenciou a escolha?

Model

Provavelmente sim, mas o que importa aqui é que a casca de romã tem propriedades antimicrobianas comprovadas. Em um ambiente local, controlado, ela pode ajudar a eliminar as bactérias que causam a inflamação.

Inventor

A sinvastatina é um medicamento para colesterol. Como alguém pensou em usá-la para gengivas?

Model

Ela já era estudada por seus efeitos anti-inflamatórios e, mais importante, por estimular a formação óssea. Na periodontite, você perde osso. Então faz sentido usar algo que sinalize às células para reconstruírem osso.

Inventor

Os testes mostraram que funciona. Então por que não está sendo usado em pacientes ainda?

Model

Porque laboratório é uma coisa, corpo humano é outra. Eles testaram com células em uma placa. Agora precisam testar em animais, depois em humanos, para ter certeza de que é seguro e que realmente funciona da forma esperada.

Inventor

Quanto tempo até isso chegar ao consultório de um dentista?

Model

Ninguém sabe. Pode ser anos. Pesquisa em biomateriais é lenta. Mas se passar nos próximos testes, pode mudar bastante a forma como tratamos periodontite.

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