O que mais tem aí no Congresso, no Senado, é rato
Em Brasília, uma proposta legislativa sobre métodos de captura de roedores tornou-se palco de crítica política quando Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis, usou a metáfora do 'rato' para questionar as prioridades da deputada federal Duda Salaber. O episódio revela como debates aparentemente triviais podem encobrir tensões mais profundas sobre competência, relevância e moralidade pública dentro do Congresso. Que o vídeo tenha sido removido logo depois sugere que as palavras, uma vez soltas, às vezes pesam mais do que seus autores antecipam.
- Gleidson Azevedo publicou um vídeo nas redes sociais sugerindo que fitas cola-rato deveriam ser instaladas no próprio Congresso para capturar os 'ratazanas' que lá habitam.
- A deputada Duda Salaber negou ter apresentado o projeto de lei mencionado, transformando a crítica em uma acusação sem alvo confirmado.
- O vídeo foi removido das redes sociais de Azevedo, sinalizando um possível recuo diante da repercussão negativa ou de pressões internas.
- A troca expõe as tensões entre legisladores de campos opostos, onde propostas de nicho se tornam munição para ataques à credibilidade pessoal.
- O episódio ganha camadas ao revelar a influência da família Azevedo na política mineira, com o irmão senador Cleitinho como pré-candidato ao governo de Minas.
O que poderia ter sido um debate técnico sobre controle de pragas urbanas tornou-se uma escaramuça política quando Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e irmão do senador Cleitinho Azevedo, publicou um vídeo nas redes sociais criticando a deputada federal Duda Salaber. O alvo era um suposto projeto de lei para proibir o uso de fita cola-rato no Brasil — método tradicional de captura de roedores e pombos que, segundo os defensores da proposta, causaria sofrimento desnecessário aos animais e risco sanitário.
Azevedo não se limitou a discordar da iniciativa. Com ironia afiada, sugeriu que, se a deputada queria mesmo combater ratos, deveria instalar as fitas no Congresso e no Senado, onde, em sua avaliação, 'ratazanas' abundavam. A metáfora era transparente: enquanto problemas urgentes aguardavam solução, a deputada desperdiçaria tempo legislativo com regulações sobre pragas.
Salaber, porém, negou ter apresentado qualquer projeto com esse teor, esvaziando parcialmente a crítica e deixando Azevedo a atacar uma sombra. O vídeo foi retirado do ar pouco depois, sugerindo recuo ou reconhecimento de que a polêmica havia saído do controle.
O episódio ilumina dinâmicas recorrentes no Congresso: críticas pessoais disfarçadas de debate sobre políticas públicas, e vice-versa. Também evidencia o peso dos laços familiares na política mineira — os Azevedo, filiados ao Republicanos, operam em sintonia, e a intervenção do ex-prefeito reforça um campo político que tem no senador Cleitinho seu nome mais proeminente. No fim, a fita cola-rato pode ter sido apenas o pretexto; o alvo real parecia ser a reputação da deputada.
Um vídeo postado nas redes sociais por Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e irmão do senador Cleitinho Azevedo, transformou uma discussão sobre métodos de controle de pragas em crítica política afiada contra a deputada federal Duda Salaber. A provocação surgiu em resposta a um projeto de lei que Salaber teria apresentado — embora ela negue — para proibir o uso de fita cola-rato no Brasil, um método tradicional de captura de roedores e pombos.
Segundo Azevedo, a deputada do Psol argumenta que a fita cola-rato causa sofrimento animal desnecessário e representa risco sanitário, já que os roedores agonizam liberando urina e fezes. O ex-prefeito, porém, viu na iniciativa uma perda de tempo legislativo e respondeu com uma metáfora mordaz: se Salaber quisesse realmente eliminar ratos, deveria instalar as fitas no próprio Congresso, onde, em sua avaliação, o que mais abundava era "rato".
No vídeo, Azevedo questionou a prioridade da deputada diante do que chamou de "monte de serviço" pendente na Casa. Sua fala foi direta: perguntou por que Salaber não colocava as fitas no Congresso e no Senado, sugerindo que capturaria "um monte de ratazana" — uma crítica velada aos colegas legisladores, equiparando-os a pragas urbanas. A mensagem era clara: enquanto havia problemas reais a resolver, a deputada gastava energia com regulações sobre métodos de controle de roedores.
Duda Salaber respondeu negando ter apresentado tal projeto de lei. O vídeo de Azevedo foi posteriormente removido de suas redes sociais, sugerindo que a polêmica gerada pela crítica levou a um recuo ou que a controvérsia foi considerada prejudicial. A troca evidencia as tensões dentro do Congresso Nacional, onde críticas pessoais frequentemente se mascaram em debates sobre políticas públicas, e vice-versa.
O episódio também revela a dinâmica familiar na política mineira: Cleitinho Azevedo, irmão de Gleidson, é senador e pré-candidato ao governo de Minas, ambos filiados ao Republicanos. A intervenção do ex-prefeito em defesa de posições políticas alinhadas com seu irmão não é incomum em contextos onde laços familiares e alianças partidárias se entrelaçam. O que começou como uma crítica a uma proposta legislativa específica transformou-se em um ataque mais amplo à competência e às prioridades da deputada, deixando em aberto a questão sobre se a fita cola-rato era realmente o alvo ou apenas o pretexto.
Citas Notables
Duda, com esse monte de serviço que tem aí no Congresso você vai fazer um projeto de lei de fita cola-rato? O que mais tem aí no Congresso, no Senado, é rato.— Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que um ex-prefeito se envolveria em uma discussão sobre fita cola-rato? Parece uma briga muito pequena.
Não é sobre a fita. É sobre o poder de ridicularizar um adversário político usando uma proposta que soa absurda. Se você consegue fazer a pessoa parecer ridícula, você a enfraquece.
Mas a deputada nega ter apresentado o projeto. Como ele critica algo que ela diz que não fez?
Exatamente. Ele cria uma narrativa — verdadeira ou não — e a usa como arma. O vídeo foi deletado depois, o que sugere que alguém percebeu que a estratégia saiu do controle.
Há uma questão real de bem-estar animal aqui, ou é só política?
Provavelmente ambas. A deputada pode estar genuinamente preocupada com crueldade animal. Mas em um Congresso polarizado, qualquer proposta vira munição.
E a família Azevedo? Por que o irmão do senador está fazendo isso?
Porque em política mineira, a família é a base. Se Cleitinho quer ser governador, ter aliados que defendem sua narrativa — mesmo que de forma agressiva — é útil. O ex-prefeito está jogando para o time.
O que o apagamento do vídeo significa?
Que alguém calculou que o dano à reputação de Azevedo era maior que o benefício de atacar Salaber. Ou que pressão foi feita. De qualquer forma, significa que a crítica foi longe demais.