As crianças ficaram aterrorizadas e eu não conseguia acalmá-las
No Golfo Pérsico, onde a história costuma se mover em ciclos de tensão e contenção, o Irã lançou mísseis contra aliados americanos pelo segundo vez em três dias, rachando a frágil trégua vigente desde abril. Por trás dos projéteis interceptados e das explosões que acordaram crianças no Kuwait, há um impasse diplomático sobre armas nucleares, ativos congelados e a guerra no Líbano — questões que nenhuma das partes parece disposta a ceder. O mundo observa o Estreito de Ormuz, rota vital do petróleo global, e se pergunta se o intervalo entre guerras está chegando ao fim.
- Sete mísseis balísticos iranianos cruzaram o céu do Golfo Pérsico na madrugada de sábado, acordando famílias aterrorizadas no Bahrein e no Kuwait — o segundo ataque em apenas três dias.
- A trégua de abril, já frágil, está se desfazendo: os EUA atacaram radares iranianos, o Irã respondeu com mísseis, e cada lado acusa o outro de ter violado o acordo primeiro.
- No Líbano, mais de 3.560 mortos e bombardeios que continuam apesar de novos cessar-fogos assinados em Washington — o Hezbollah rejeitou o pacto, e Israel atacou 150 posições do grupo em 48 horas.
- As negociações travam em três pontos sem solução à vista: o programa nuclear iraniano, 24 bilhões de dólares em ativos congelados e o futuro do Hezbollah no Líbano.
- O Estreito de Ormuz permanece fechado, os mercados de petróleo pressionados, e Trump enfrenta o impasse às vésperas das eleições legislativas de novembro — sem uma saída clara no horizonte.
No sábado de manhã, uma explosão enorme acordou moradores do Bahrein. Reem, uma mãe egípcia que vive no Kuwait, descreveu filhos aterrorizados que ela não conseguia acalmar. O que ela ouviu foram sete mísseis balísticos iranianos disparados contra o Bahrein e o Kuwait, aliados estratégicos dos Estados Unidos. Seis foram interceptados. O sétimo não atingiu seu alvo. Mas a frágil trégua que havia mantido a região em relativa paz desde abril estava visivelmente rachando.
O caminho até esse ponto foi pavimentado por provocações acumuladas. Na sexta-feira, o Comando Central americano anunciou ter interceptado drones iranianos e atacado duas instalações de radar no Irã. A Guarda Revolucionária respondeu no sábado com os mísseis. Era o segundo ataque contra os dois países aliados em apenas três dias — e o Bahrein, sede da Quinta Frota americana, chamou a ação de agressão flagrante.
Por trás dos confrontos está um impasse diplomático que parece intransponível. O Irã exige 24 bilhões de dólares em ativos congelados. Os EUA e Israel insistem que o programa nuclear iraniano é uma ameaça existencial, enquanto Teerã afirma que é apenas civil. E há ainda o Líbano, onde mais de 3.560 pessoas morreram desde março. No fim de semana, três militares libaneses foram mortos em ataque israelense; dois soldados israelenses também perderam a vida. Um bombardeio em Saksakiyeh matou duas mulheres e feriu 22. O Hezbollah rejeitou o novo cessar-fogo assinado em Washington, e Israel anunciou ter atacado cerca de 150 posições do grupo em 48 horas.
Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, foi direto em entrevista à CNN: as negociações chegaram a um impasse, e Trump precisa encontrar uma saída. O presidente americano enfrenta pressão nos mercados de petróleo e um cenário político complicado antes das eleições de novembro. O Estreito de Ormuz permanece fechado. Cada novo ataque estreita ainda mais as possibilidades de acordo. A trégua de abril, que surgiu como alívio, agora parece apenas um intervalo em uma guerra que ninguém sabe como encerrar.
No sábado pela manhã, enquanto o Bahrein dormia, uma explosão enorme acordou os moradores. Reem, uma egípcia que vive no Kuwait e mãe de dois filhos, descreveu o momento à agência de notícias: as crianças acordaram aterrorizadas, e ela não conseguia acalmá-las. O que ela ouviu foi o som de sete mísseis balísticos iranianos disparados contra o Bahrein e o Kuwait, aliados estratégicos dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Seis foram interceptados. O sétimo não atingiu seu alvo. Mas o dano já estava feito — não apenas físico, mas político. A frágil trégua que havia mantido a região em relativa paz desde abril estava rachando.
O que levou a esse ponto foi uma sequência de provocações que se acumularam ao longo de semanas. Na sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos informou que suas forças haviam interceptado quatro drones iranianos e realizado ataques contra duas instalações de radar em território iraniano. A Guarda Revolucionária do Irã respondeu no sábado afirmando ter lançado mísseis contra bases inimigas na região. O Bahrein, que abriga a Quinta Frota da Marinha americana, chamou a ação de agressão flagrante. O Kuwait a descreveu como uma escalada perigosa. Era o segundo ataque contra os dois países em apenas três dias.
Por trás desses confrontos diretos está um impasse diplomático que parece intransponível. Desde abril, quando um cessar-fogo entrou em vigor após mais de um mês de ofensivas que devastaram a estrutura de poder iraniana, as negociações têm avançado pouco. O Irã exige a liberação de 24 bilhões de dólares em ativos congelados no exterior. Os Estados Unidos e Israel insistem que o programa nuclear iraniano representa uma ameaça existencial, enquanto Teerã sustenta que é apenas para fins civis. E há ainda a questão do Líbano, onde o Hezbollah, apoiado pelo Irã, continua em confronto com Israel apesar de um novo acordo de cessar-fogo assinado em Washington esta semana.
O conflito libanês é particularmente sangrento. Mais de 3.560 pessoas morreram no Líbano desde o início da escalada em março. No fim de semana, três militares libaneses foram mortos em um ataque israelense no sul do país. Israel perdeu dois soldados em combate, elevando seu total de baixas militares para 29. Um bombardeio na cidade de Saksakiyeh matou duas mulheres e deixou 22 feridas. O presidente libanês, Joseph Aoun, condenou os ataques israelenses incessantes, que continuam apesar dos acordos de cessar-fogo. O Hezbollah rejeitou o novo pacto, e Israel anunciou ter atacado cerca de 150 posições do grupo em 48 horas.
Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, foi direto ao ponto em uma entrevista à CNN na sexta-feira: as negociações chegaram a um impasse, e Trump precisa encontrar uma saída. O presidente americano enfrenta uma situação que pressiona os mercados internacionais de petróleo e complica seu cenário político às vésperas das eleições legislativas de novembro. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de combustíveis, permanece fechado. Cada novo ataque ameaça fechar ainda mais as possibilidades de acordo.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques americanos como uma violação flagrante da trégua. Neste sábado, o país também criticou um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica que expressou preocupação com a falta de acesso dos inspetores às instalações nucleares iranianas. Enquanto isso, o comandante do Exército libanês viajou ao Paquistão para se reunir com o chefe das Forças Armadas do país, considerado uma peça importante nos esforços de mediação. Mas cada reunião, cada comunicado, cada novo ataque sugere que a distância entre as partes só aumenta. A trégua que começou em abril como um alívio agora parece um intervalo em uma guerra que ninguém sabe como encerrar.
Notable Quotes
As negociações chegaram a um impasse e Trump precisa encontrar uma saída para essa situação— Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano
Ataques israelenses incessantes, que permanecem impunes apesar dos acordos de cessar-fogo— Joseph Aoun, presidente do Líbano
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que essa trégua de abril foi tão frágil desde o início?
Porque nenhuma das questões de fundo foi resolvida. Apenas pararam de atirar enquanto negociavam, mas o Irã quer seus ativos desbloqueados, os EUA querem garantias nucleares, e o Líbano continua sendo um campo de batalha. É como colocar um curativo em uma ferida que não cicatrizou.
O que torna o Líbano tão central nessas negociações?
O Hezbollah é o braço armado do Irã na região. Enquanto o grupo continuar atacando Israel, Teerã não pode recuar nas negociações sem perder credibilidade com seus aliados. É um nó que ninguém consegue desatar.
E por que Trump está sob pressão agora especificamente?
Porque a escalada ameaça os preços do petróleo e a economia global, e ele enfrenta eleições legislativas em novembro. Uma crise regional que ele não consegue resolver é exatamente o que ele não precisa neste momento.
Há alguma chance real de acordo?
Enquanto o Irã exigir a liberação de 24 bilhões de dólares e os EUA insistirem em garantias nucleares, as posições estão muito distantes. Cada novo ataque afasta mais a possibilidade de diálogo.
E os civis? Como vivem nessa situação?
Acordam com explosões, como Reem no Kuwait. Crianças aterrorizadas. No Líbano, mais de 3.500 pessoas morreram. Eles vivem em um conflito que não começou com eles e que ninguém sabe como vai terminar.