Olhei para minha mão e ela estava tremendo. Agora eu sei: era Parkinson.
Por duas décadas, o corpo de Donna Marshall enviou sinais que ninguém soube ler: a perda silenciosa do olfato e do paladar, os impulsos de consumo que ela mesma não compreendia. Só aos 44 anos, quando os tremores finalmente apareceram numa caminhada à beira-mar, um diagnóstico de Parkinson de início jovem veio nomear o que havia começado lá pelos seus 20 anos. A história dela ilumina uma lacuna profunda no reconhecimento da doença — a distância entre os sinais que o corpo oferece e os que a medicina, e a cultura, aprendeu a enxergar.
- Donna Marshall viveu quase vinte anos com sintomas de Parkinson sem que nenhum médico conectasse os pontos — a anosmia, os comportamentos compulsivos, as mudanças sutis que não cabiam no retrato clássico da doença.
- A perda de olfato, presente em até 95% dos pacientes com Parkinson, costuma ser o primeiro sinal do corpo, mas é tão silenciosa que passa despercebida por décadas — tanto pelos pacientes quanto pelos profissionais de saúde.
- Comportamentos compulsivos como compras excessivas — Marshall chegou a gastar fortunas numa única festa de Halloween — raramente são associados ao Parkinson, deixando pacientes confusos e sem direção.
- O tremor, único sintoma que a sociedade reconhece como 'Parkinson', só surgiu 16 anos depois dos primeiros sinais, e foi ele que finalmente abriu a porta para o diagnóstico.
- Com o diagnóstico em mãos, Marshall agora fala publicamente sobre os sinais atípicos, apostando que seu relato pode encurtar o caminho de outras pessoas que vivem sem nome para o que sentem.
Donna Marshall estava caminhando pela praia quando viu a própria mão tremer. Tinha 44 anos, e aquele tremor — o sinal que todos associam ao Parkinson — era, na verdade, o capítulo final de uma história que havia começado duas décadas antes.
Lá pelos 20 anos, Marshall perdeu o paladar e o olfato. A anosmia, como é chamada a redução do olfato, afeta até 95% dos pacientes com Parkinson e costuma ser o primeiro aviso do corpo. Mas porque não se parece com o que imaginamos quando pensamos na doença, passa facilmente despercebida — inclusive por médicos. Durante anos, ninguém conectou esse sintoma a nada.
Além da perda sensorial, ela desenvolveu comportamentos compulsivos que a deixavam sem explicação. Tornou-se uma compradora compulsiva, chegando a gastar milhares em uma única festa de Halloween. Compulsões como essa — que incluem também vício em jogos e compulsão alimentar — são efeitos do Parkinson que raramente entram nas conversas sobre a doença.
O tremor só chegou 16 anos depois dos primeiros sinais. Quando apareceu, foi quase um alívio: um sintoma reconhecível, investigável, que finalmente levou ao diagnóstico de Parkinson de início jovem. Essa forma da doença progride mais lentamente e causa menos declínio cognitivo do que a versão que surge após os 50 anos, mas exige medicação contínua e pode trazer efeitos colaterais mais intensos.
Ao compartilhar sua história, Marshall aponta para um problema maior: quando os sinais do Parkinson não se parecem com o que esperamos, eles podem passar anos sem nome. Ela viveu duas décadas assim. Agora fala sobre esses sinais incomuns na esperança de que outras pessoas reconheçam, antes dela, o que levou tanto tempo para ser nomeado.
Donna Marshall estava caminhando pela praia quando olhou para a própria mão e viu algo que não conseguia explicar: tremores. Naquele momento, aos 44 anos, ela finalmente tinha um nome para duas décadas de sintomas que ninguém havia conectado entre si. Havia recebido o diagnóstico de Parkinson de início jovem — uma forma da doença que costuma aparecer bem antes da idade típica, quando a maioria dos casos surge após os 50 anos.
Mas a história de Marshall não começou naquela cena na praia. Os sinais haviam aparecido muito antes, lá pelos seus 20 anos, disfarçados de coisas que pareciam não ter relação uma com a outra. Ela perdeu o paladar e o olfato — uma perda que durou quase vinte anos. Esse sintoma em particular é tão comum quanto despercebido: até 95% das pessoas com Parkinson experimentam a anosmia, como é chamada a redução do olfato, e frequentemente é o primeiro aviso que o corpo dá. Mas porque não é o tremor clássico que todos imaginam quando pensam em Parkinson, passa facilmente despercebido, mesmo por médicos.
Além da perda sensorial, Marshall notou mudanças em seu comportamento que a deixavam confusa. Tornou-se uma compradora compulsiva — um efeito colateral menos conhecido da doença que afeta alguns pacientes. A empresária chegou a gastar milhares de reais em uma única festa de Halloween, um gasto que não fazia sentido para ela mesma. Comportamentos compulsivos como esse, incluindo vício em jogos de azar e compulsão alimentar, são impactos do Parkinson que raramente aparecem nas conversas sobre a doença.
O tremor, aquele sinal que todos reconhecem, só apareceu 16 anos depois que os primeiros sintomas começaram. Quando finalmente chegou, foi quase um alívio — um sintoma que tinha nome, que as pessoas compreendiam, que podia ser investigado. Marshall procurou ajuda médica e recebeu o diagnóstico que explicava tudo: a perda de células nervosas na substância negra do cérebro, a queda de dopamina, o hormônio mensageiro responsável por regular o movimento do corpo.
O Parkinson de início jovem, como o que Marshall tem, segue um padrão diferente do que aparece em pessoas mais velhas. A progressão tende a ser mais lenta ao longo do tempo, e os pacientes sofrem menos com declínio cognitivo — a demência que assusta muitos diagnosticados. Mas há um custo: esses pacientes frequentemente enfrentam mais sintomas físicos e efeitos colaterais mais intensos dos medicamentos que precisam tomar para o resto da vida.
O que a história de Marshall revela é um problema de reconhecimento. Quando os sinais da doença não se parecem com o que esperamos — quando é perda de olfato em vez de tremor, quando é compulsão por compras em vez de rigidez — eles podem passar anos sem serem conectados ao Parkinson. Uma mulher viveu duas décadas com sintomas não diagnosticados, mudanças em seu corpo e comportamento que ninguém conseguiu juntar. Agora, com o diagnóstico finalmente em mãos, ela fala sobre esses sinais incomuns, esperando que outras pessoas reconheçam em si mesmas o que levou tanto tempo para ser nomeado.
Notable Quotes
Eu estava caminhando pela praia. Eu olhei para a minha mão e ela estava tremendo, eu me perguntei por que isso acontecia. Obviamente, agora eu sei, era Parkinson.— Donna Marshall, ao Daily Mail
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que levou tanto tempo para que Donna Marshall recebesse o diagnóstico, se os sintomas começaram aos 20 anos?
Porque os sinais iniciais não pareciam Parkinson. Perda de olfato é tão comum em tantas outras condições — alergias, resfriados, envelhecimento normal — que ninguém conecta isso a uma doença neurológica. E comportamentos compulsivos? Isso parece psicológico, não neurológico. O tremor é o que todos esperam ver.
Então o tremor é realmente o sintoma mais confiável?
Para diagnóstico, sim. Mas não é o primeiro. A anosmia afeta 95% dos pacientes com Parkinson, muitas vezes antes de qualquer tremor aparecer. O problema é que ninguém está procurando por isso. Os médicos não perguntam sobre olfato quando alguém chega reclamando de outras coisas.
E quanto aos comportamentos compulsivos — como as compras excessivas? Isso é reversível?
Não é reversível, mas é gerenciável. É um efeito direto da perda de dopamina no cérebro, a mesma coisa que causa o tremor. Quando você entende que é a doença, não um defeito de caráter, muda a forma como você lida com isso.
Qual é a diferença entre Parkinson de início jovem e o Parkinson típico?
O de início jovem progride mais lentamente, o que é bom. Mas causa mais sintomas físicos e os medicamentos têm efeitos colaterais mais intensos ao longo de décadas de uso. É um trade-off: você vive mais com a doença, então precisa lidar com mais complicações.
O que Marshall espera que as pessoas entendam agora?
Que Parkinson não é apenas tremor. Que se você perdeu o olfato há anos e ninguém conseguiu explicar, ou se está gastando dinheiro de forma compulsiva sem entender por quê, vale a pena investigar. Vinte anos é muito tempo para viver com uma doença sem nome.