Para quem já tem emprego, a tendência é aprender a trabalhar com a ferramenta
Em setembro de 2025, o Federal Reserve de Nova York lançou um estudo que oferece uma perspectiva mais serena sobre um dos grandes temores da era tecnológica: a substituição humana pela inteligência artificial. Por enquanto, o mercado de trabalho americano não está em colapso, mas em transição — as empresas, em sua maioria, preferem treinar a demitir, sugerindo que a relação entre humano e máquina ainda está sendo negociada, não encerrada.
- A ansiedade coletiva sobre demissões em massa causadas pela IA não encontra respaldo nos dados: apenas 1% das empresas de serviços cortou trabalhadores por esse motivo nos últimos seis meses.
- O verdadeiro impacto silencioso está na redução de novas contratações — 12% das empresas de serviços contrataram menos pessoas, especialmente em vagas que exigem diploma universitário, dificultando a entrada de recém-formados no mercado.
- A estratégia dominante das empresas não é substituir, mas adaptar: mais de um terço das empresas de serviços está treinando seus funcionários para trabalhar com ferramentas de IA.
- O horizonte traz incerteza equilibrada — 13% das empresas planejam demissões nos próximos seis meses, mas entre 10% e 15% também esperam contratar profissionais com expertise em IA, esboçando um cenário de reconfiguração, não de ruptura.
O Federal Reserve de Nova York publicou, no início de setembro, um estudo que mediu o impacto real da inteligência artificial no mercado de trabalho americano. A conclusão é, por ora, tranquilizadora: os efeitos são modestos e as demissões em massa ainda não chegaram.
Quarenta por cento das empresas de serviços já incorporaram IA em seus processos — um salto de 25 pontos percentuais em relação ao ano anterior. No setor manufatureiro, o crescimento foi de 16% para 26%. Mas o dado mais revelador não é a adoção da tecnologia, e sim o que as empresas fizeram com seus trabalhadores depois disso.
Apenas 1% das empresas de serviços demitiu funcionários por causa da IA nos últimos seis meses, queda expressiva frente aos 10% do ano anterior. No setor manufatureiro, nenhuma empresa relatou cortes. Ainda assim, 13% das empresas de serviços planejam demissões nos próximos seis meses — uma intenção que, até agora, raramente se concretizou.
O estudo identificou um impacto mais sutil: 12% das empresas de serviços contrataram menos trabalhadores, sem demitir os existentes. Essa redução se concentrou em postos que exigem diploma universitário, o que pode explicar parte das dificuldades enfrentadas por recém-formados. Em contrapartida, 11% das empresas de serviços e 7% das manufatureiras contrataram mais pessoas por causa da IA.
A resposta mais comum continua sendo o treinamento. Pouco mais de um terço das empresas de serviços e 14% das manufatureiras estão capacitando seus funcionários para usar as novas ferramentas. O mercado de trabalho, portanto, não está desaparecendo — está sendo reconfigurado. Quem aprender a trabalhar com a IA terá espaço; quem não conseguir se adaptar corre o risco de ficar para trás.
O Federal Reserve de Nova York publicou um estudo no início de setembro que procurou medir o impacto real da inteligência artificial no mercado de trabalho americano. A conclusão é tranquilizadora, pelo menos por enquanto: os efeitos são modestos, e as empresas ainda não estão demitindo em massa.
Os pesquisadores entrevistaram companhias na região de Nova York e norte de Nova Jersey, descobrindo que 40% das empresas de serviços já incorporaram IA em seus processos — um salto de 25 pontos percentuais em relação ao ano anterior. No setor manufatureiro, o crescimento foi de 16% para 26%. Mas o que importa não é apenas quantas empresas usam a ferramenta. O que importa é o que elas fizeram com seus funcionários.
Entre as empresas de serviços, apenas 1% demitiu trabalhadores nos últimos seis meses por causa de IA. Isso é uma queda significativa comparado aos 10% que afirmaram ter optado por demissões no ano passado. No setor manufatureiro, nenhuma empresa relatou ter feito cortes. Esses números sugerem que, apesar de toda a ansiedade em torno da automação, as empresas ainda estão hesitantes em usar IA como ferramenta de redução de pessoal. Mas essa hesitação pode não durar. Treze por cento das empresas de serviços disseram que planejam fazer demissões nos próximos seis meses por causa da IA — uma proporção que se mantém estável em relação às expectativas do ano anterior, ainda que poucas tenham realmente concretizado esses planos.
O estudo identificou um padrão mais interessante: em vez de substituir pessoas, as empresas estão escolhendo outras estratégias. Cerca de 12% das empresas de serviços que usam IA contrataram menos trabalhadores nos últimos seis meses, sugerindo que a ferramenta está reduzindo a necessidade de novas contratações mesmo sem gerar demissões imediatas. Essa redução foi concentrada em postos que exigem diploma universitário, o que pode estar contribuindo para as dificuldades que recém-formados enfrentam ao procurar emprego. Ao mesmo tempo, 11% das empresas de serviços e 7% das manufatureiras disseram ter contratado mais trabalhadores por causa da IA, e entre 10% e 15% esperavam fazer novas contratações nos próximos seis meses.
O cenário que emerge é o de um mercado em transição, não em colapso. A resposta mais comum das empresas não é demitir, mas treinar. Pouco mais de um terço das empresas de serviços e 14% das manufatureiras relataram estar treinando seus funcionários para usar IA. Essa abordagem sugere que, para quem já tem emprego, a tendência é aprender a trabalhar com a ferramenta, não ser substituído por ela. O estudo aponta que as empresas têm basicamente quatro caminhos: demitir e automatizar, reduzir contratações, contratar pessoas que já sabem usar IA, ou treinar sua força de trabalho existente. Até agora, a maioria está escolhendo os dois últimos.
O uso de IA varia bastante conforme o setor. Mais da metade das empresas em informação, finanças e serviços profissionais já usam a ferramenta, enquanto nenhuma empresa do setor agrícola indicou usar. No varejo, educação, saúde e lazer, cerca de um terço a 45% das empresas já incorporaram IA. Metade das empresas de serviços agora usa ferramentas pagas de IA, um aumento de 16 pontos percentuais em um ano. No setor manufatureiro, o salto foi ainda mais dramático: de 7% para 46%.
Os pesquisadores do Federal Reserve reconhecem que o cenário pode mudar. Eles observam que as expectativas de demissões no ano passado não se materializaram em grande escala, mas advertem que daqui para frente espera-se que os cortes e as reduções nos planos de contratação aumentem. O que o estudo sugere, portanto, é um período de relativo equilíbrio: algumas empresas demitindo, outras contratando, muitas treinando. O mercado de trabalho não está desaparecendo, mas está sendo reconfigurado. Quem conseguir se adaptar — aprendendo a usar as ferramentas — terá espaço. Quem não conseguir pode ficar para trás.
Citações Notáveis
A IA está influenciando o recrutamento, com algumas empresas reduzindo as contratações e outras adicionando trabalhadores proficientes em seu uso— Pesquisadores do Federal Reserve de Nova York
Daqui para frente, espera-se que as demissões e a redução nos planos de contratação devido ao uso da IA aumentem— Pesquisadores do Federal Reserve de Nova York
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que um estudo sobre demissões por IA mostra números tão baixos quando a ansiedade em torno do tema é tão alta?
Porque as empresas ainda estão explorando como usar IA. Demitir é caro, gera risco legal, prejudica a moral dos funcionários. É mais fácil contratar alguém novo que já sabe usar a ferramenta ou treinar quem você já tem.
Mas o estudo diz que 13% das empresas planejam demitir nos próximos seis meses. Isso não é preocupante?
É um número para acompanhar, mas note que 13% disseram a mesma coisa no ano passado e muito poucas realmente fizeram. As empresas superestimam o que vão fazer com IA. A realidade é mais lenta.
E quanto aos recém-formados que estão tendo dificuldade para encontrar emprego? O estudo menciona isso.
Sim, porque as empresas estão reduzindo contratações de pessoas com diploma universitário. Não é que estejam demitindo esses profissionais — é que estão contratando menos deles. A IA está fazendo certos trabalhos que antes exigiam um recém-formado.
Então a IA está criando desemprego sem criar demissões?
Parcialmente. Está reduzindo a necessidade de novas contratações em alguns setores. Mas ao mesmo tempo, 11% das empresas de serviços contrataram mais gente por causa de IA. O mercado está se reorganizando, não desaparecendo.
Qual é o setor mais afetado?
Informação, finanças e serviços profissionais — mais da metade já usa IA. Mas a agricultura não usa nada. Tudo depende de quanto a IA pode fazer do trabalho que existe naquele setor.
O que o treinamento de funcionários diz sobre como as empresas realmente veem a IA?
Que elas a veem como uma ferramenta para tornar as pessoas mais produtivas, não como um substituto. Um terço das empresas de serviços está treinando funcionários. Isso é um investimento em pessoas, não uma aposta em automação total.