Idosos sem vacinação concentram 75% dos casos graves de gripe no ES

21 óbitos por SRAG associada à Influenza registrados no período, sendo 14 em idosos sem vacinação; 127 casos graves em não vacinados, incluindo 41 crianças menores de 6 anos.
A gripe não é um simples resfriado para quem tem 60 anos
Danielle Grillo, responsável técnica do Programa Estadual de Imunizações, sobre por que idosos precisam se vacinar contra Influenza.

No Espírito Santo, a gripe revela uma verdade antiga sobre a fragilidade humana diante do medo e da desinformação: três em cada quatro hospitalizações graves por Influenza ocorrem em pessoas não vacinadas, e a morte recai de forma desproporcional sobre os idosos que resistiram à proteção disponível. Com apenas 45% dos idosos imunizados — metade da meta estabelecida — o Estado enfrenta não apenas um desafio sanitário, mas uma crise de confiança entre a ciência e aqueles que mais precisam dela. A vacina existe, é gratuita e está acessível em mais de 700 pontos; o que falta é que a verdade sobre ela chegue antes que a doença.

  • Dos 168 casos graves de gripe registrados até junho, 127 ocorreram em pessoas sem vacinação — uma concentração que não deixa margem para dúvida sobre quem está em risco.
  • Quatorze dos 21 óbitos por complicações respiratórias graves foram de idosos não vacinados, revelando que a resistência à vacina tem um custo que se mede em vidas.
  • A cobertura vacinal entre idosos caiu de 56% em 2025 para apenas 45% agora, sinalizando um retrocesso perigoso em um grupo que já era o mais vulnerável.
  • Crenças equivocadas — de que a vacina causa gripe ou que a proteção de anos anteriores ainda vale — alimentam uma resistência que os serviços de saúde ainda não conseguiram vencer.
  • Equipes municipais levam a vacinação às escolas e comunidades, e a estratégia de imunizar netos e cuidadores surge como caminho para proteger indiretamente os idosos mais resistentes.
  • A vacina está disponível em mais de 700 salas de vacinação para toda a população acima de seis meses, mas o tempo conta: a proteção só se completa duas semanas após a dose.

No Espírito Santo, três em cada quatro pessoas hospitalizadas com complicações graves de gripe não haviam recebido a vacina. Dos 168 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave por Influenza registrados até meados de junho, 127 ocorreram em pessoas sem proteção vacinal. A morte segue ainda mais concentrada: dos 21 óbitos no período, 14 eram de idosos que nunca se vacinaram.

A responsável técnica pelo Programa Estadual de Imunizações, Danielle Grillo, aponta as razões dessa vulnerabilidade: muitos idosos encaram a gripe como algo trivial, acreditam que a vacina causa a própria doença ou temem efeitos colaterais. Essas barreiras têm consequências mensuráveis — para quem tem 60 anos ou mais, a gripe pode evoluir para pneumonia, agravar doenças crônicas e levar à morte.

Os números de cobertura revelam o tamanho do problema. Apenas 45,13% dos idosos capixabas se vacinaram, quando a meta é de 90%. No ano anterior, a cobertura havia sido de 56,45% — um recuo preocupante. As crianças pequenas também estão expostas: 41 dos 127 casos graves em não vacinados envolviam crianças de 6 meses a menos de 6 anos, e a cobertura nessa faixa caiu de 74% para 46%.

Grillo reforça que a vacina não impede totalmente a infecção, mas reduz drasticamente o risco de formas graves, hospitalizações e mortes. Há ainda uma dimensão coletiva: quando netos e cuidadores se vacinam, reduzem a circulação do vírus e protegem indiretamente os idosos mais vulneráveis. A vacina está disponível em mais de 700 salas de vacinação em todo o Estado, gratuita para toda a população acima de seis meses. O desafio agora é fazer a mensagem chegar onde mais importa.

No Espírito Santo, três em cada quatro pessoas hospitalizadas com complicações graves de gripe não haviam recebido a vacina. Até meados de junho, dos 168 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave causada por Influenza registrados no Estado, 127 ocorreram em pessoas sem proteção vacinal. Entre esses casos graves, 59 envolveram idosos com 60 anos ou mais. Os números revelam um padrão preocupante: enquanto a população desprotegida concentra a maioria dos casos, a morte segue ainda mais concentrada. Dos 21 óbitos por essa complicação respiratória no período, 14 eram de idosos que nunca se vacinaram contra a gripe.

A razão por trás dessa vulnerabilidade não é mistério para os gestores de saúde do Estado. Danielle Grillo, responsável técnica pelo Programa Estadual de Imunizações, aponta que muitos idosos ainda encaram a gripe como algo trivial, um simples resfriado que passa sozinho. Essa percepção equivocada alimenta a resistência à vacinação. Além disso, circulam entre essa população medos concretos: a crença de que a própria vacina causa gripe, o receio de reações adversas, e dúvidas sobre a real eficácia do imunizante. Essas barreiras psicológicas e informacionais têm consequências mensuráveis. Para quem tem 60 anos ou mais, a gripe não é benigna. Pode evoluir para pneumonia, agravar doenças crônicas já existentes e levar à hospitalização ou morte.

Os números de cobertura vacinal refletem essa resistência. Apenas 45,13% dos idosos do Espírito Santo haviam se vacinado contra gripe até o momento do levantamento, quando a meta estabelecida é de 90%. No ano anterior, 2025, o Estado havia alcançado 56,45% de cobertura nesse grupo — um recuo preocupante. A vacina é atualizada a cada ano conforme as cepas de vírus que circulam no País, tornando a imunização anual essencial. Mas essa necessidade de repetição anual parece não estar clara para muitos idosos, que talvez acreditem estar protegidos pela vacinação de anos anteriores.

As crianças pequenas também enfrentam risco. Entre os 127 casos graves de Influenza em pessoas sem vacinação, 41 envolviam crianças de 6 meses a menores de 6 anos. Embora nenhuma morte tenha sido confirmada nessa faixa etária até agora, o volume de hospitalizações é suficiente para acender um alerta. Apenas 46,02% das crianças nessa idade receberam a dose contra gripe no Estado. No ano passado, a cobertura foi de 74,35%, ainda distante da meta de 90%.

Grillo enfatiza um ponto que frequentemente se perde na discussão sobre vacinas: a imunização não promete impedir totalmente a infecção, mas reduz drasticamente a chance de desenvolver formas graves, de precisar de hospitalização ou de morrer. Esse é o objetivo real da vacinação. A proteção não é imediata — leva cerca de duas semanas após a dose para se desenvolver plenamente. Por isso, quanto antes alguém se vacina, melhor.

Há também uma dimensão coletiva nessa proteção individual. Muitos idosos contraem gripe através do contato com netos e cuidadores. Quando essas pessoas próximas também se vacinam, reduzem a circulação do vírus no ambiente e protegem indiretamente quem tem maior vulnerabilidade. É um efeito em cascata que depende de múltiplas pessoas tomando a mesma decisão.

A vacina está disponível em mais de 700 salas de vacinação espalhadas pelo Estado e é destinada a toda a população com mais de seis meses de idade, enquanto houver estoque. Para os grupos prioritários — crianças pequenas, gestantes e idosos — ela integra a rotina de imunizações. Grillo reforça que a vacina é segura e salva vidas, e que as equipes municipais estão fazendo esforços para levar a vacinação além dos postos, inclusive nas escolas. Mas os números mostram que a mensagem ainda não penetrou onde mais importa: entre os idosos que mais precisam se proteger.

A vacina contra a Influenza é a principal medida para evitar que a gripe evolua para uma internação ou um óbito. A gripe não é um simples resfriado. Para quem tem 60 anos ou mais, ela pode provocar pneumonia, agravar doenças crônicas e levar à hospitalização.
— Danielle Grillo, referência técnica do Programa Estadual de Imunizações
A vacinação de crianças e outros contatos do idoso reduz a circulação do vírus e ajuda a proteger quem apresenta maior vulnerabilidade.
— Danielle Grillo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que você acha que idosos resistem tanto à vacinação contra gripe, mesmo vendo esses números de morte?

Model

Há uma combinação de coisas. Muitos ainda veem a gripe como algo banal, um resfriado que passa. Não entendem que aos 60 anos, o corpo responde diferente. Além disso, circulam histórias — que a vacina causa gripe, que tem efeitos colaterais perigosos. Desinformação pura, mas que assusta.

Inventor

E a vacina realmente funciona? Ou é só marketing de saúde pública?

Model

Não impede totalmente a infecção, mas reduz muito a chance de ficar grave, de precisar de hospital, de morrer. Esse é o ponto. Não é sobre nunca pegar gripe. É sobre não morrer dela.

Inventor

Então por que não vacinam os netos e cuidadores? Isso protegeria os idosos indiretamente.

Model

Exatamente. Muitos idosos pegam gripe justamente de quem cuida deles ou visita. Se essas pessoas se vacinassem, o vírus circularia menos. Mas depende de todo mundo entender isso e agir.

Inventor

Quanto tempo leva para a vacina funcionar?

Model

Umas duas semanas. Por isso quanto antes você toma, melhor. Se espera até estar doente, já é tarde.

Inventor

E as crianças pequenas? Vi que 41 ficaram graves.

Model

Sim, crianças de 6 meses a menores de 6 anos são grupo de risco. Nenhuma morreu ainda, mas 41 hospitalizações é bastante. E só 46% foram vacinadas. Falta muito para chegar nos 90% que seria ideal.

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