Ibovespa sobe 2,68% com IPCA fraco e dólar cai a R$ 5,09

Inflação desacelerou mais do que se pensava, abrindo espaço para cortes
O IPCA de junho surpreendeu para baixo em 0,16%, reforçando expectativas de novo corte da Selic em agosto.

Em uma sexta-feira marcada pelo alívio das pressões inflacionárias, o mercado financeiro brasileiro respondeu com entusiasmo ao IPCA de junho, que surpreendeu ao registrar apenas 0,16% — metade do que os analistas esperavam. O Ibovespa superou os 177 mil pontos pela primeira vez desde maio, o dólar recuou a R$ 5,09 e os juros futuros despencaram, todos convergindo para a mesma leitura: o Banco Central tem espaço para voltar a cortar a Selic em agosto. No horizonte, porém, a escalada entre Estados Unidos e Irã lembra que a tranquilidade doméstica convive com uma ordem global ainda instável.

  • O IPCA de junho veio em 0,16%, quase metade da projeção de 0,31%, surpreendendo o mercado e reacendendo o debate sobre o ritmo de afrouxamento monetário.
  • Ibovespa disparou 2,68% e rompeu os 177 mil pontos, nível não visto desde maio, liderado por grandes bancos e varejistas como Magazine Luiza, que subiu quase 8%.
  • Juros futuros caíram mais de 20 pontos-base e o dólar recuou a R$ 5,09, sinalizando que o mercado já precifica um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto.
  • No front externo, Trump declarou o fim do cessar-fogo com o Irã e o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu de 30 para 22 travessias em um dia, mantendo o petróleo como variável de risco.
  • Economistas alertam que a alta do petróleo ainda não aparece no IPCA de junho e pode contaminar os próximos índices via combustíveis, fretes e câmbio caso persista.

A bolsa brasileira encerrou a sexta-feira em forte alta, com o Ibovespa avançando 2,68% e ultrapassando os 177 mil pontos pela primeira vez desde maio. O gatilho foi o IPCA de junho: apenas 0,16%, bem abaixo da projeção de 0,31% e menor que os 0,58% de maio — a leitura mensal mais baixa desde outubro do ano anterior. A queda foi puxada por alimentos e combustíveis, que recuaram 0,24% e 0,48%, respectivamente.

O resultado reforçou as apostas em um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto, quando o Copom se reúne novamente. A taxa está atualmente em 14,25% ao ano. Os contratos de juros futuros despencaram mais de 20 pontos-base, e o dólar cedeu a R$ 5,09. Grandes bancos lideraram os ganhos — Santander subiu 4,23%, Bradesco 4,00%, Itaú 3,15% e Banco do Brasil 2,95% —, enquanto Magazine Luiza avançou 7,82% entre as varejistas.

Economistas, no entanto, ponderaram que o cenário externo segue volátil. Trump declarou o fim do cessar-fogo com o Irã, e o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz caiu de 30 para 22 travessias em um único dia. A alta do petróleo registrada após a retomada dos ataques ainda não está refletida no IPCA de junho — apurado em um período de expectativa de distensão — e pode pressionar os próximos índices via combustíveis, fretes e câmbio caso se mostre persistente.

No exterior, as bolsas europeias fecharam sem direção única, enquanto os mercados asiáticos avançaram, com destaque para o Kospi sul-coreano, que saltou 2,5%, impulsionado pelas fabricantes de semicondutores. A SK Hynix disparou 14% em sua estreia na Nasdaq após uma oferta de ações de US$ 26,5 bilhões, sinalizando apetite resiliente dos investidores pelo setor de chips.

A bolsa brasileira fechou sexta-feira em forte alta, com o Ibovespa avançando 2,68% e ultrapassando a marca de 177 mil pontos pela primeira vez desde maio. O movimento foi impulsionado por um resultado de inflação significativamente mais fraco do que o esperado, abrindo caminho para que o Banco Central volte a cortar a taxa básica de juros em agosto.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu apenas 0,16% em junho, bem abaixo da projeção de analistas que apontavam para uma alta de 0,31%. O resultado também ficou menor que o avanço de 0,58% registrado em maio, marcando a leitura mensal mais baixa desde outubro do ano anterior. Na base de comparação anual, o índice chegou a 4,64%, recuando dos 4,72% do mês anterior — o primeiro recuo nessa métrica desde fevereiro. A queda foi puxada principalmente pela redução nos preços de alimentos, que caíram 0,24%, e de combustíveis, que recuaram 0,48%, ajudando a conter a pressão da energia elétrica sobre o índice geral.

O alívio inflacionário reforçou as apostas do mercado em um novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic em agosto, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá novamente. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Os contratos de juros futuros despencaram mais de 20 pontos-base ao longo do pregão, refletindo essa expectativa. Economistas destacaram que o resultado do IPCA-15 já havia antecipado uma normalização da inflação, mas o dado de junho surpreendeu ainda mais para baixo, indicando que o processo inflacionário subjacente da economia brasileira não está reacelerando e que as pressões altistas recentes foram amplamente influenciadas por condições adversas de oferta em combustíveis e alimentos.

No mercado de câmbio, o dólar comercial caiu a R$ 5,09, com perdas de 0,44% ao longo do dia. A moeda americana recuou ante boa parte das divisas de países emergentes, incluindo o real, que voltou a se aproximar dos R$ 5,10. O Banco Central informou a PTAX de fechamento com compra a R$ 5,1082 e venda a R$ 5,1088. Os grandes bancos lideraram os ganhos da bolsa, com Santander subindo 4,23%, Bradesco avançando 4,00%, Itaú ganhando 3,15% e Banco do Brasil subindo 2,95%. Magazine Luiza foi destaque entre as varejistas, com alta de 7,82%, enquanto Vale renovava máximas com ganho de 2,02%.

Apesar do otimismo doméstico, economistas alertaram que o cenário internacional permanece volátil. A escalada entre Estados Unidos e Irã continua pesando sobre os mercados globais, com o presidente Donald Trump afirmando que o cessar-fogo com Teerã "acabou", apesar da retomada de contatos diplomáticos mediados pelo Catar. O tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz caiu para 22 travessias na quinta-feira, ante 30 no dia anterior, conforme operadores permanecem cautelosos após a retomada de ataques. Analistas observaram que, embora o resultado do IPCA de junho tenha reduzido parte da preocupação com a inflação corrente, o risco externo — particularmente a alta do petróleo decorrente das tensões no Oriente Médio — deslocou a atenção dos investidores. A alta do petróleo registrada após a retomada dos ataques ainda não aparece no IPCA de junho, apurado em um período no qual prevalecia a expectativa de distensão. Caso o aumento do petróleo se mostre persistente, seus efeitos poderão chegar aos próximos índices por meio dos combustíveis, dos fretes, dos custos de produção e do câmbio.

No exterior, as bolsas europeias fecharam sem direção única, com o FTSE 100 em Londres subindo 0,24%, o DAX em Frankfurt caindo 0,13%, o CAC 40 em Paris ganhando 0,15%, o FTSE MIB em Milão avançando 0,44% e o Ibex 35 em Madri subindo 0,29%. Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram majoritariamente em alta, com o Kospi da Coreia do Sul saltando 2,5% e o Nikkei do Japão avançando 1,2%, impulsionados pelo desempenho positivo das fabricantes de semicondutores. A SK Hynix, fabricante sul-coreana de chips, disparou 14% em sua estreia na Nasdaq após uma oferta de ações de US$ 26,5 bilhões, sinalizando que o entusiasmo dos investidores por ações de fabricantes de semicondutores permanece resiliente apesar da recente perda de fôlego do setor.

A inflação segue acima do teto do regime de metas, as expectativas permanecem desancoradas e a atividade doméstica continua resiliente
— Leonardo Costa, economista da ASA
O dado de hoje reduz parte da preocupação com a inflação corrente, mas desloca a atenção para o risco externo
— Cassio de Jesus, Diretor de Investimentos da Pilar Capital
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um dado de inflação mais fraco que o esperado move tanto a bolsa?

Model

Porque muda as expectativas sobre o que o Banco Central vai fazer. Se a inflação está desacelerando mais rápido do que se pensava, há mais espaço para cortar juros. Juros mais baixos tornam as ações mais atrativas — o dinheiro sai da renda fixa e entra na bolsa.

Inventor

Mas o IPCA ainda está acima da meta de 3%?

Model

Está, em 4,64% nos últimos 12 meses. Mas o que importa agora é a trajetória. Junho foi 0,16%, muito abaixo do esperado. Isso sugere que o pior passou, que a inflação está normalizando. O mercado aposta que em agosto o BC corta 0,25 ponto percentual.

Inventor

E o petróleo? Não é um risco?

Model

É o grande risco prospectivo. Os ataques entre EUA e Irã estão acontecendo agora, mas o petróleo mais caro ainda não apareceu no IPCA de junho. Se a escalada continuar, o preço do barril sobe, e isso vira combustível mais caro, frete mais caro, inflação mais alta nos próximos meses.

Inventor

Então o mercado está celebrando cedo?

Model

Não exatamente. O mercado está celebrando o alívio real de hoje — a inflação desacelerou, há espaço para cortes. Mas está de olho no risco. Por isso os analistas dizem: se o petróleo se comportar, os cortes continuam; se houver nova escalada, o BC fica mais cauteloso.

Inventor

Por que o dólar caiu?

Model

Porque juros mais baixos no Brasil tornam os ativos brasileiros menos atraentes em termos de rendimento. Investidores estrangeiros precisam menos de reais para ganhar. Além disso, há alívio nas tensões geopolíticas — não é certeza de guerra iminente, então o apetite por risco volta.

Inventor

E as ações de banco? Por que subiram tanto?

Model

Bancos ganham com juros altos, mas também ganham com volume de operações quando a economia está aquecida. Um corte de juros que vem acompanhado de confiança — inflação controlada, economia resiliente — é bom para os bancos. Eles emprestam mais, ganham mais.

Quer a matéria completa? Leia o original em InfoMoney ↗
Fale Conosco FAQ