Ibovespa sobe 1,22% com esperança de trégua entre EUA e Irã

O mercado se apegou ao copo meio cheio
Investidores interpretaram sinais diplomáticos como evidência de que a crise seria episódica, não estrutural.

Em meio a sinais diplomáticos ainda não confirmados sobre um possível entendimento entre Washington e Teerã, os mercados financeiros globais optaram pela esperança nesta quinta-feira. O Ibovespa avançou 1,22%, fechando aos 172.742,12 pontos, numa jornada em que a queda do petróleo e o recuo das curvas de juros lembraram que a geopolítica, quando parece ceder, libera energia represada nos ativos de risco. O Brasil, como tantas vezes, navegou entre o que é fato e o que é expectativa — e por ora, a expectativa venceu.

  • Declarações de Trump sobre contato iraniano e mediações de Paquistão e Catar bastaram para que o mercado apostasse no fim rápido do conflito, mesmo sem confirmação oficial.
  • O petróleo Brent recuou cerca de 2%, afastando o fantasma dos 90 dólares por barril e aliviando a pressão inflacionária que ameaçava juros mais altos no Brasil e nos EUA.
  • Ações cíclicas dispararam — Magazine Luiza subiu 7% — enquanto bancos avançaram e petrolíferas como a Petrobras recuaram, espelhando com precisão a lógica do dia.
  • O Estreito de Ormuz registrou apenas 14 navios carregados na quarta-feira, menos da metade da média recente, sinalizando que a crise logística global ainda não foi resolvida.
  • Na sexta-feira, o IPCA de junho será divulgado e poderá confirmar ou abalar a narrativa benigna que sustentou os ganhos desta sessão.

A bolsa brasileira encerrou a quinta-feira em alta de 1,22%, com o Ibovespa chegando a 172.742,12 pontos após uma tarde de recuperação progressiva. O movimento acompanhou os mercados de Nova York e refletiu uma aposta coletiva de que o conflito entre Estados Unidos e Irã seria passageiro, não duradouro.

O gatilho foi diplomático. Trump havia declarado que o Irã queria muito um acordo, e fontes regionais indicaram que Paquistão e Catar trabalhavam nos bastidores para reaproximar as partes. Ainda que extraoficiais, essas informações foram suficientes para que o mercado adotasse, nas palavras de um estrategista, a leitura do 'copo meio cheio'. Marco Saravalle, da Krivo Capital, reconheceu o tom positivo das declarações, mas ressalvou o caráter não confirmado dos contatos.

No mercado de commodities, o petróleo Brent caiu cerca de 2%, aproximando-se de 75 dólares por barril. O recuo afastou o cenário de preços acima de 90 dólares, abriu espaço para que as curvas de juros cedessem e reacendeu o apetite por ações. Com menos pressão inflacionária nos combustíveis, a urgência de altas de juros nos EUA diminuía — e no Brasil, ao menos mais um corte na Selic para agosto voltava a ser precificado.

Os setores responderam de forma clara: ações cíclicas lideraram, bancos avançaram acima de 1% e o setor metálico acompanhou. As petrolíferas foram exceção, recuando com o petróleo, mas sem ofuscar o tom positivo do restante da bolsa. Gustavo Bertotti, da Fami Capital, descreveu uma recuperação praticamente generalizada, alimentada pelo fechamento da curva de juros e por um clima externo menos hostil.

Um alerta, porém, permanecia: o tráfego no Estreito de Ormuz havia despencado para apenas 14 navios carregados na quarta-feira, contra uma média de 34 desde o cessar-fogo de junho. A esperança do mercado era que essa interrupção durasse dias, não meses. Na sexta-feira, o IPCA de junho — com mediana projetada em 0,31%, após 0,58% em maio — ofereceria um novo teste para a narrativa benigna que sustentou os ganhos desta sessão.

A bolsa brasileira fechou a quinta-feira em alta, com o Ibovespa avançando 1,22% para 172.742,12 pontos, impulsionado por uma mudança de humor no mercado global. Depois de abrir com estabilidade pela manhã, o índice escalou durante a tarde, chegando a tocar 172.932,89 pontos — seu maior nível do dia — antes de recuar ligeiramente no fechamento. O movimento acompanhou ganhos em Nova York e refletiu uma aposta coletiva de que a tensão entre Estados Unidos e Irã seria episódica, não estrutural.

O catalisador foi uma série de sinais diplomáticos. O presidente Donald Trump havia declarado na quarta-feira que o Irã desejava muito chegar a um acordo, e fontes regionais confirmaram à CNN que Paquistão e Catar estavam trabalhando nos bastidores para trazer americanos e iranianos de volta à mesa de negociações. Essas informações, ainda que extraoficiais, foram suficientes para que o mercado financeiro adotasse o que um estrategista chamou de leitura do "copo meio cheio". Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, observou que a declaração de Trump foi interpretada positivamente, embora ressalvasse o caráter não confirmado das informações sobre o contato iraniano.

O alívio foi tangível no mercado de commodities. O petróleo Brent caiu cerca de 2%, aproximando-se de 75 dólares por barril — um patamar que afastava o cenário catastrófico de preços acima de 90 dólares que havia assombrado o mercado dias antes. Esse recuo abriu espaço para que as curvas de juros cedessem, reduzindo a pressão sobre a economia brasileira e abrindo apetite para investimentos em ações. Saravalle apontou que com menos pressão inflacionária vinda dos combustíveis, a necessidade de o Federal Reserve elevar juros rapidamente diminuía, e aqui no Brasil isso significava alívio na curva de juros, com pelo menos mais um corte na Selic precificado para agosto.

Os setores refletiram essa dinâmica de forma clara. Ações cíclicas lideraram os ganhos — Magazine Luiza subiu 7% — enquanto bancos também avançaram acima de 1%. O setor metálico acompanhou a recuperação. As petrolíferas, incluindo Petrobras, foram das poucas quedas do dia, uma consequência lógica da queda do petróleo, mas seu recuo não foi suficiente para ofuscar o movimento positivo do resto da bolsa. Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, descreveu uma recuperação praticamente generalizada dos setores, alimentada pelo fechamento da curva de juros e por um clima mais ameno no exterior, apesar das notícias duras. Havia consenso de que os ataques não durariam muito tempo.

O volume financeiro do dia ficou em 19,49 bilhões de reais, abaixo da média, refletindo liquidez reduzida pelo feriado em São Paulo. Na semana, o Ibovespa ainda acumulava queda de 0,76%, mas no mês passava a subir 0,42% e no ano mantinha ganho de 7,21%. Havia, porém, um alerta que não podia ser ignorado: o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz havia caído bruscamente. Apenas 14 navios carregados com commodities cruzaram o estreito na quarta-feira, contra uma média diária de 34 embarcações desde o cessar-fogo em junho, segundo dados da Bloomberg. A esperança do mercado era que essa interrupção fosse temporária, uma questão de dias ou semanas, não meses.

Na sexta-feira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de junho seria divulgado às 9 da manhã, e esse número funcionaria como um novo calibrador para as expectativas sobre a Selic. A mediana das projeções apontava para uma desaceleração a 0,31%, após alta de 0,58% em maio. Dependendo do resultado, o mercado teria mais clareza sobre quantos cortes de juros viriam nos próximos meses — e se a aposta de hoje em um cenário mais benigno se sustentaria.

O mercado lê a declaração de Trump de maneira positiva, mas são informações extraoficiais
— Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital
Há um clima mais ameno no exterior. Mesmo com algumas notícias mais duras, há o entendimento de que os ataques não vão durar muito tempo
— Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o mercado decidiu, de repente, que essa crise era temporária?

Model

Porque Trump disse que o Irã o procurou. Não é confirmado, mas foi o suficiente. Quando você está assustado e alguém sussurra que talvez haja uma saída, você quer acreditar.

Inventor

E o petróleo caindo 2% muda tudo?

Model

Muda porque muda a expectativa sobre inflação e juros. Se o petróleo não vai a 90 dólares, o Federal Reserve não precisa subir juros desesperadamente. E se não sobe lá, aqui também respira.

Inventor

Mas o tráfego em Ormuz caiu de 34 navios para 14. Isso não é um problema real?

Model

É um problema real. Mas o mercado está apostando que é temporário. Se durar semanas, tudo bem. Se durar meses, a história muda completamente.

Inventor

Magazine Luiza subiu 7%. Por quê?

Model

Porque é cíclica. Quando a curva de juros cede e as pessoas acham que a economia vai melhorar, ações de consumo sobem. É aposta no futuro.

Inventor

E as petrolíferas caíram?

Model

Claro. Petróleo mais barato é ruim para quem vende petróleo. Mas foram poucas quedas em um dia de alta generalizada.

Inventor

O que muda se o IPCA de amanhã vier acima do esperado?

Model

Tudo. Se a inflação não desacelera como o mercado espera, a Selic não cai em agosto. E aí a história de hoje — de alívio nos juros — vira ficção.

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