Ibovespa sobe 1% com otimismo externo; dólar cai a R$ 5,12 antes de IPCA

Bancos, Vale e Petrobras correspondem a metade da carteira
Os três setores concentram poder desproporcional sobre o desempenho do índice principal.

Em um dia em que o mundo conteve a respiração diante de sinais de distensão entre Washington e Teerã, a bolsa brasileira respondeu com a linguagem universal dos mercados: alta. O Ibovespa encerrou a quinta-feira com ganho de 1,22%, alcançando 172.742,12 pontos, enquanto o dólar recuou para R$ 5,12 — um lembrete de que a geopolítica e a economia doméstica raramente caminham em trilhas separadas. O país aguarda agora o IPCA de junho, dado que poderá confirmar ou desafiar o otimismo que coloriu o pregão.

  • A perspectiva de negociações entre EUA e Irã injetou alívio nos mercados globais, derrubando o dólar e abrindo espaço para que o apetite ao risco voltasse a circular.
  • Magazine Luiza disparou 7,76% e liderou os ganhos, enquanto a Petrobras — pressionada pela queda de 2,20% no petróleo Brent — recuou 1,43% e funcionou como âncora nos avanços do índice.
  • O ministro Dario Durigan adiou para a próxima semana a decisão sobre o subsídio à gasolina, sinalizando que o governo prefere cautela enquanto o cenário geopolítico ainda oscila.
  • Wall Street, Europa e Tóquio também fecharam em alta, confirmando que o alívio geopolítico foi sentido de forma ampla — com exceção de Hong Kong, que recuou 0,70%.
  • O mercado brasileiro agora mira o IPCA de junho, previsto para sexta-feira: a mediana das projeções aponta desaceleração para 0,31%, mas o acumulado de 12 meses seguiria acima do teto da meta de inflação.

A bolsa brasileira fechou a quinta-feira em alta, impulsionada pelo alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã e pela expectativa de que negociações de cessar-fogo possam avançar. O Ibovespa subiu 1,22%, encerrando em 172.742,12 pontos, enquanto o dólar recuou 0,50% para R$ 5,1227 — reflexo do renovado apetite por ativos de risco nos mercados globais.

No cenário doméstico, o ministro da Fazenda Dario Durigan anunciou que a decisão sobre eliminar a subvenção à gasolina, esperada para esta semana, foi adiada para a próxima em razão das turbulências entre Washington e Teerã. A cautela do governo contrastou com o otimismo dos pregões, onde a queda do dólar e o alívio nos juros futuros criaram terreno fértil para as ações.

Magazine Luiza foi o grande destaque positivo, com alta de 7,76% para R$ 4,86. No lado oposto, a Petrobras pesou sobre o índice: com o Brent caindo 2,20% para US$ 76,30 o barril, a estatal recuou entre 1,11% e 1,43%. Vale recuperou parte das perdas anteriores com ganho de 0,62%, e o BTG Pactual reiterou recomendação de compra para a mineradora. O setor financeiro avançou 2,44%, com o Itaú subindo 1,67%.

No exterior, Wall Street fechou em alta com recuperação das ações de tecnologia — Nasdaq subiu 1,30%, S&P 500 avançou 0,81% e Dow Jones ganhou 0,27%. Europa e Japão também registraram ganhos, enquanto Hong Kong recuou levemente.

O próximo teste para o mercado chega na sexta-feira, com a divulgação do IPCA de junho pelo IBGE às 9h. As projeções apontam desaceleração da inflação mensal para 0,31%, após 0,58% em maio. No acumulado de 12 meses, a mediana indica 4,79% — ainda acima do teto da meta. O dado poderá confirmar ou questionar o otimismo que marcou o pregão desta quinta.

A bolsa brasileira fechou o pregão de quinta-feira em terreno positivo, impulsionada por um alívio nas tensões geopolíticas internacionais e pela expectativa de que negociações entre Estados Unidos e Irã possam avançar em direção a um cessar-fogo. O Ibovespa subiu 1,22%, encerrando em 172.742,12 pontos, enquanto o dólar à vista recuou 0,50% para R$ 5,1227, refletindo o apetite renovado por ativos de risco que caracterizou o dia nos mercados globais.

No Brasil, o ministro da Fazenda Dario Durigan alimentou as conversas do mercado ao anunciar que a decisão sobre eliminar a subvenção à gasolina, que seria tomada nesta semana, foi adiada para a próxima semana em razão dos novos atritos entre Washington e Teerã. A declaração sinalizou cautela do governo diante de um cenário internacional ainda instável, mesmo que os mercados tivessem começado a precificar uma desescalada.

O movimento de queda do dólar e a melhora do apetite ao risco enfraqueceram os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, o que se refletiu no alívio da curva de juros futuros brasileira. Magazine Luiza liderou os ganhos do índice com alta de 7,76%, fechando a R$ 4,86, enquanto Axia Energia marcou o lado oposto com queda de 2,68% para R$ 51,63. Entre as ações de maior peso, Vale recuperou perdas do dia anterior com ganho de 0,62% a R$ 73,15, e o BTG Pactual reiterou recomendação de compra para a mineradora, argumentando que seus papéis estão descontados em relação aos pares internacionais.

O setor financeiro também respondeu bem ao clima de otimismo. O Índice Financeiro avançou 2,44%, com o Itaú subindo 1,67% para R$ 42,59. Porém, a Petrobras funcionou como freio nos ganhos do Ibovespa. Com o petróleo Brent caindo 2,20% para US$ 76,30 o barril no pregão eletrônico de Londres, a estatal recuou 1,43% em PETR3 (R$ 43,53) e 1,11% em PETR4 (R$ 39,21). Bancos, Vale e Petrobras juntos representam metade da carteira teórica do índice, o que explica por que seus movimentos têm peso desproporcional no resultado final.

Nos mercados internacionais, Wall Street fechou em alta com recuperação das ações de tecnologia e alívio nos preços do petróleo. O Nasdaq subiu 1,30% para 26.206,89 pontos, o S&P 500 avançou 0,81% para 7.543,64 pontos, e o Dow Jones ganhou 0,27% para 52.487,41 pontos. Na Europa, o índice Stoxx 600 encerrou com avanço de 0,78% aos 640,87 pontos, com atenções voltadas para o cenário geopolítico e a ata do Banco Central Europeu. Na Ásia, o Nikkei do Japão subiu 1,38% para 67.743,85 pontos, enquanto o Hang Seng de Hong Kong recuou 0,70% para 24.030,18 pontos.

O mercado brasileiro agora aguarda a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de junho, prevista para sexta-feira às 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As projeções do Broadcast indicam desaceleração da inflação mensal para 0,31% na mediana das estimativas, após alta de 0,58% em maio. No acumulado de 12 meses, a mediana aponta para 4,79%, acima do teto da meta de inflação que estava em 4,72% em maio. Os dados de inflação podem reforçar ou questionar o otimismo que marcou o pregão desta quinta-feira.

O ministro da Fazenda afirmou que a decisão sobre eliminar a subvenção à gasolina, que seria tomada nesta semana, ficará para a próxima semana diante dos novos atritos entre EUA e Irã
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
BTG Pactual reiterou recomendação de compra para as ações da mineradora, considerando que os papéis estão descontados em relação aos principais pares internacionais
— BTG Pactual
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a notícia de negociações EUA-Irã teve tanto peso no mercado brasileiro?

Model

Quando há redução nas tensões geopolíticas, os investidores globais ganham confiança para assumir riscos maiores. Isso significa mais dinheiro fluindo para mercados emergentes como o Brasil, em vez de ficar preso em ativos seguros como títulos do Tesouro americano.

Inventor

E o adiamento da decisão sobre a gasolina — isso foi bom ou ruim para o mercado?

Model

Foi interpretado como prudência. O governo sinalizou que não vai tomar decisões importantes enquanto há incerteza geopolítica. Para o mercado, isso é melhor do que uma ação precipitada que pudesse gerar volatilidade adicional.

Inventor

A Petrobras caiu enquanto o Ibovespa subiu. Como isso é possível?

Model

Porque o Ibovespa é um índice ponderado. Petrobras tem 12% do índice, mas Magazine Luiza, Vale e os bancos tiveram ganhos maiores. Os ganhos dos outros compensaram a queda da estatal.

Inventor

O que o mercado está realmente esperando agora?

Model

Os números de inflação de sexta-feira. Se a inflação acumulada em 12 meses continuar acima do teto da meta, isso pode pressionar o Banco Central a manter juros altos por mais tempo, o que afetaria toda a precificação de ativos.

Inventor

Por que Wall Street subiu menos que o Ibovespa se as notícias eram as mesmas?

Model

Porque o Brasil é mais sensível a mudanças no apetite por risco. Quando há otimismo global, mercados emergentes ganham mais percentualmente. Mas também porque tecnologia em Wall Street subiu apenas 1,30%, enquanto bancos e commodities no Brasil tiveram ganhos maiores.

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