IA de egresso da Uespi gera laudos médicos em segundos com aprovação no Centelha 3

O médico apenas revisa e valida o resultado
Como funciona o LaudoÁgil: a IA gera o laudo estruturado, mas a responsabilidade clínica permanece com o profissional.

Há uma tensão antiga na medicina entre o ato de cuidar e o peso burocrático que o acompanha. Andreiver Mateus Ferreira Silva, egresso da Universidade Estadual do Piauí, observou essa tensão nos laudos de ultrassonografia — documentos essenciais, mas produzidos por horas de digitação repetitiva — e desenvolveu o LaudoÁgil, um sistema de inteligência artificial que gera esses laudos em segundos. Aprovado em junho de 2026 pelo Programa Centelha 3, o projeto avança agora para testes em ambientes clínicos reais, carregando a promessa de devolver aos médicos o tempo que a máquina burocrática lhes subtrai.

  • Médicos perdem horas por semana digitando manualmente dados de ultrassom — tempo que poderia ser dedicado à análise clínica e ao cuidado dos pacientes.
  • O LaudoÁgil intercepta esse fluxo repetitivo: a IA analisa os dados brutos do exame e entrega um laudo estruturado em segundos, sem substituir o julgamento médico.
  • O diferencial está na integração direta com o equipamento de ultrassom, tornando o sistema parte natural do processo clínico em vez de mais uma ferramenta isolada.
  • A aprovação no Programa Centelha 3 transforma o projeto de protótipo acadêmico em candidato real ao mercado, com financiamento e suporte para testes hospitalares.
  • Se validado em campo, o impacto pode ser multiplicado por dezenas de profissionais em uma mesma instituição — e o modelo, replicado em clínicas e hospitais de todo o país.

Andreiver Mateus Ferreira Silva, formado pela Uespi, identificou um problema cotidiano da medicina: após cada ultrassom, médicos dedicam um tempo desproporcional à digitação manual de dados e observações clínicas. Enxergando ali uma oportunidade, ele criou o LaudoÁgil — um sistema de inteligência artificial que automatiza a geração de laudos estruturados em poucos segundos.

O funcionamento é integrado ao fluxo já existente. Em vez de operar como ferramenta isolada, o LaudoÁgil conecta-se diretamente ao equipamento de ultrassom, captura os dados do exame e produz automaticamente o laudo completo. O médico permanece no centro do processo: cabe a ele revisar e validar o resultado antes de liberá-lo. A tarefa mecânica é eliminada; o julgamento clínico, preservado. Dario Calçada, professor da Uespi em Parnaíba e orientador do projeto, destaca que o sistema utiliza modelos de IA já treinados para diferentes tipos de ultrassonografia.

Em junho de 2026, o projeto foi aprovado no Programa Centelha 3 — reconhecimento que vai além do simbólico. O aporte financeiro e o suporte institucional permitem à equipe avançar dos laboratórios para testes em ambientes hospitalares reais, com médicos usando o sistema na prática diária. É o passo decisivo para demonstrar que a tecnologia entrega o que promete.

Para Ferreira Silva, a aprovação confirma uma premissa simples: profissionais de saúde estão sobrecarregados com tarefas administrativas que podem ser automatizadas sem comprometer a qualidade diagnóstica. Cada médico que adotar o LaudoÁgil pode ganhar horas por semana. Multiplicado por dezenas de profissionais em uma instituição, o ganho de eficiência é expressivo. A trajetória do projeto também ilustra algo maior — a capacidade de uma universidade pública do Piauí de gerar soluções tecnológicas com impacto real, transformando observação acadêmica em empreendimento concreto.

Andreiver Mateus Ferreira Silva, formado pela Universidade Estadual do Piauí, observou um problema que médicos enfrentam todos os dias: depois de realizar um ultrassom, eles precisam passar horas digitando manualmente os dados capturados, as medidas, as observações clínicas. Cada exame gera um laudo que exige documentação cuidadosa. Ele viu ali uma oportunidade. O resultado foi o LaudoÁgil, um sistema de inteligência artificial que transforma esse processo burocrático em uma questão de segundos.

O funcionamento é direto. Quando um ultrassom é realizado, a máquina captura os dados. Normalmente, um médico teria de revisar essas informações e digitá-las em um formulário estruturado — um trabalho repetitivo e que consome tempo precioso. O LaudoÁgil intercepta esse fluxo. A inteligência artificial analisa automaticamente os dados brutos do exame e gera um laudo completo e estruturado em poucos segundos. O médico responsável então apenas revisa e valida o resultado antes de liberá-lo. Não há substituição do julgamento clínico; há apenas eliminação da tarefa mecânica que o precede.

O diferencial técnico está na integração. Muitas soluções de automação funcionam como ferramentas isoladas. O LaudoÁgil foi desenhado para se conectar diretamente ao equipamento de ultrassom e ao fluxo clínico existente, tornando-se parte natural do processo em vez de um obstáculo adicional. Dario Calçada, professor do curso de Tecnologia e Computação da Uespi no campus de Parnaíba, que orienta o projeto, explica que o sistema captura as informações do exame com precisão, usando modelos de inteligência artificial já treinados para diferentes tipos de ultrassonografia.

Em junho de 2026, o projeto recebeu aprovação no Programa Centelha 3, um reconhecimento que vai além do simbólico. A seleção fornece aporte financeiro e suporte institucional que permite à equipe sair da fase de desenvolvimento e entrar em testes clínicos reais. Esse é o próximo passo crítico: validar a tecnologia em ambientes hospitalares, com dados reais, com médicos usando o sistema na prática cotidiana.

Para Ferreira Silva e sua equipe, a aprovação representa validação de uma ideia que nasceu de uma observação simples: profissionais de saúde estão sobrecarregados com tarefas administrativas que poderiam ser automatizadas sem comprometer a qualidade do diagnóstico. O objetivo não é substituir médicos, mas libertar seu tempo para o que realmente importa — a análise clínica, a interpretação, o julgamento especializado. Se o LaudoÁgil funcionar como proposto, cada médico ganhará horas por semana. Multiplicado por dezenas de profissionais em uma instituição, o impacto na eficiência é substancial.

O reconhecimento também aponta para uma tendência maior: a transformação de conhecimento acadêmico em soluções práticas. A Uespi, instituição pública de ensino superior no Piauí, gerou um egresso que identificou um problema real e desenvolveu uma resposta tecnológica viável. Isso é exatamente o que programas como o Centelha 3 buscam catalisar — a ponte entre universidade e mercado, entre teoria e aplicação.

Os próximos meses serão decisivos. A equipe usará o financiamento e o suporte para refinar o sistema, testar sua robustez em cenários clínicos variados, e demonstrar que a tecnologia entrega o que promete. Se os testes confirmarem a eficiência, o LaudoÁgil pode se tornar um modelo replicável em clínicas e hospitais. E Ferreira Silva passará de desenvolvedor a empreendedor — alguém que viu um problema, criou uma solução, e a colocou no mundo.

A inteligência artificial faz a análise dos dados capturados pelo ultrassom e gera um laudo estruturado em segundos
— Andreiver Mateus Ferreira Silva, desenvolvedor do projeto
O sistema automatiza uma etapa burocrática do processo de diagnóstico por imagem, capturando diretamente as informações do exame com uso de inteligência artificial
— Dario Calçada, professor orientador da Uespi
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que você focou especificamente em laudos de ultrassonografia e não em outros tipos de exame?

Model

A ultrassonografia é um ponto de estrangulamento claro. Cada exame gera múltiplas medidas e observações que precisam ser transcritas manualmente. Outros exames têm fluxos diferentes, mas esse era o mais imediato para começar.

Inventor

O médico realmente confia em um laudo gerado por máquina?

Model

Não é confiança cega. O médico sempre revisa e valida. A IA faz o trabalho estrutural — captura dados, organiza em formato padrão — mas a responsabilidade clínica permanece com o profissional. É como um assistente muito rápido e preciso.

Inventor

Qual é o ganho real de tempo para um médico?

Model

Depende do volume, mas imagine um radiologista que faz 20 ultrassons por dia. Cada laudo manual leva 10 a 15 minutos de digitação. Se a IA reduz isso para 2 minutos de revisão, você libera 2 a 3 horas por dia.

Inventor

E se a IA cometer um erro na análise?

Model

Por isso o médico valida. Se houver discrepância entre o que a IA gerou e o que o médico observa, ele corrige. O sistema aprende com essas correções ao longo do tempo.

Inventor

Como você chegou a essa ideia?

Model

Conversando com profissionais de saúde, ouvindo as frustrações deles. A burocracia administrativa rouba tempo que deveria ser dedicado ao paciente. Percebi que era um problema tecnicamente solucionável.

Inventor

O que muda agora com a aprovação no Centelha 3?

Model

Agora saímos do laboratório. Vamos testar em hospitais reais, com dados reais, com fluxos reais. É onde descobrimos se a teoria funciona na prática.

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