Hospital Platão Araújo abre seleção exclusiva para PCDs com vagas em 10 áreas

Mais que ampliar quadro, estamos fortalecendo uma cultura de diversidade
Diretor do hospital explicou que a inclusão de PCDs vai além de legislação, refletindo compromisso ético institucional.

Em Manaus, um hospital público abre pela segunda vez suas portas de forma exclusiva a pessoas com deficiência — não como gesto simbólico, mas como afirmação de que ambientes de cura se tornam mais humanos quando refletem a diversidade de quem os habita. Dez vagas em áreas distintas, inscrições até agosto, e uma coordenadora que já viu a primeira edição transformar não apenas currículos, mas autoestimas. A iniciativa convida a perguntar o que significa, de fato, incluir.

  • O mercado de trabalho hospitalar ainda é terreno árido para pessoas com deficiência, e cada seleção exclusiva é uma fissura nessa barreira.
  • Dez cargos — do jardineiro ao farmacêutico — sinalizam que a inclusão não se limita a funções periféricas, mas atravessa toda a estrutura da instituição.
  • A plataforma Burh centraliza as inscrições até 3 de agosto, criando uma janela concreta e acessível para candidatos em Manaus.
  • A coordenadora de Gente e Gestão relata que a primeira seleção gerou impactos emocionais profundos nos contratados, elevando autoestima além do salário.
  • O diretor do hospital posiciona a iniciativa como escolha ética, não como cumprimento de cota — um deslocamento sutil, mas significativo, na linguagem institucional.

O Hospital Platão Araújo, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano em Manaus, abriu inscrições para seu segundo processo seletivo dedicado exclusivamente a pessoas com deficiência. As candidaturas seguem até 3 de agosto pela plataforma Burh, com dez vagas distribuídas entre funções administrativas e assistenciais — de assistente administrativo a farmacêutico, passando por técnico de enfermagem e assistente social.

A amplitude dos cargos não é acidental. Ela traduz a intenção do hospital de integrar pessoas com deficiência em diferentes camadas da operação, e não apenas em posições de apoio. Para participar, os candidatos precisam ter ao menos 18 anos, escolaridade compatível com o cargo, currículo atualizado e laudo médico recente com CID.

Rosana Siebra, coordenadora de Gente e Gestão, descreveu a primeira edição como transformadora: os colaboradores contratados relataram ganhos que ultrapassaram o financeiro, tocando em autoestima e bem-estar. Já o diretor Juliano Botero foi além da linguagem da conformidade legal — para ele, a iniciativa é um posicionamento ético sobre como o hospital deseja se relacionar com a comunidade que serve. A diversidade, nessa visão, não é concessão. É parte do que a instituição quer ser.

O Hospital e Pronto-Socorro Doutor Aristóteles Platão Bezerra de Araújo, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano, abriu as portas para um processo seletivo dedicado exclusivamente a pessoas com deficiência. As inscrições começaram na terça-feira, 1º de julho, e seguem até 3 de agosto, oferecendo uma segunda oportunidade deste tipo na instituição.

Dez posições estão em disputa, distribuídas entre setores administrativos e assistenciais da unidade. Os candidatos podem concorrer a vagas de assistente administrativo, auxiliar de almoxarifado, jardineiro, profissional do Serviço de Prontuário do Paciente, técnico de segurança do trabalho, assistente social, auxiliar de farmácia, técnico de enfermagem, enfermeiro e farmacêutico. A diversidade de cargos reflete a intenção do hospital de integrar pessoas com deficiência em diferentes níveis da operação hospitalar.

Rosana Siebra, coordenadora de Gente e Gestão do hospital, descreveu o primeiro processo seletivo como uma experiência transformadora. Segundo ela, os colaboradores que ingressaram relataram impactos que iam além do financeiro, tocando em aspectos emocionais e de autoestima. A instituição vê nessa iniciativa mais do que uma obrigação legal: uma oportunidade de fortalecer equipes enquanto constrói um ambiente verdadeiramente inclusivo.

Os requisitos para participação são diretos. Candidatos precisam ter no mínimo 18 anos, apresentar escolaridade compatível com o cargo desejado, currículo atualizado e laudo médico emitido nos últimos 12 meses com a Classificação Internacional de Doenças. O processo de inscrição acontece exclusivamente pela plataforma Burh, que centraliza as candidaturas.

Juliano Botero, diretor do hospital, posicionou a abertura das vagas como expressão de um compromisso institucional mais amplo. Para ele, a inclusão de pessoas com deficiência representa não apenas conformidade com legislação trabalhista, mas um posicionamento ético sobre como a instituição deseja se relacionar com a comunidade que atende. Essa perspectiva sugere que o hospital enxerga a diversidade como elemento constitutivo de sua identidade, não como concessão ou cumprimento de cota.

Obtivemos resposta muito positiva no primeiro processo. Colaboradores relataram impacto na autoestima e bem-estar emocional
— Rosana Siebra, coordenadora de Gente e Gestão do HPS Platão Araújo
A inclusão de pessoas com deficiência representa compromisso ético com construção de ambiente mais humano e representativo
— Juliano Botero, diretor do HPS Platão Araújo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o hospital decidiu fazer uma segunda seleção exclusiva para PCDs? Não teria sido mais simples manter um processo único?

Model

A primeira seleção funcionou bem. Eles viram pessoas transformadas — não apenas ganhando salário, mas recuperando autoestima. Isso criou momentum interno, vontade de repetir.

Inventor

E quanto aos outros candidatos? Não há risco de criar ressentimento ao abrir seleções exclusivas?

Model

É uma questão legítima. Mas o hospital argumenta que sem essa porta exclusiva, pessoas com deficiência raramente chegam até o final do processo. É sobre corrigir uma assimetria que já existe.

Inventor

Os dez cargos parecem bem variados — desde jardineiro até farmacêutico. Como o hospital garante que cada posição é realmente acessível?

Model

Boa pergunta. O edital não detalha adaptações específicas. Provavelmente cada departamento terá que pensar nisso caso a caso. Pode ser um ponto fraco.

Inventor

E se ninguém se inscrever para alguns cargos? O que acontece com as vagas?

Model

O edital não menciona isso. Mas dado o sucesso anterior, o hospital provavelmente espera demanda forte. Se sobrar vaga, imagino que abrem para processo geral depois.

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