Hospital Abelardo Santos alerta sobre proteção solar e hidratação no verão amazônico

A água pura deve ser sempre a bebida preferencial no calor
Nutricionista do Hospital Abelardo Santos reforça a importância da hidratação adequada durante o verão amazônico intensificado pelo El Niño.

Com o El Niño intensificando o verão amazônico em julho, o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Icoaraci, Belém, convoca a população a repensar sua relação com o sol e com o próprio corpo. As orientações divulgadas pela instituição não são apenas instruções médicas — são um lembrete de que o calor extremo revela as fragilidades humanas e exige que cada grupo, das gestantes aos pacientes renais, encontre seu próprio equilíbrio entre o mundo natural e os limites da saúde.

  • O El Niño reduz as chuvas e eleva as temperaturas no Pará justamente em julho, quando praias e balneários amazônicos recebem multidões em férias escolares.
  • O hospital já registra aumento na procura por atendimentos de queimaduras solares, desidratação e complicações do calor — sinais de que a população ainda subestima os riscos.
  • Grupos vulneráveis como gestantes, bebês, crianças e pacientes com doença renal crônica enfrentam riscos específicos que exigem protocolos individualizados, não receitas genéricas.
  • Médica e nutricionista do HRAS detalham desde o horário ideal para exposição solar até a complexidade da hidratação para quem faz diálise, tentando traduzir ciência em hábito cotidiano.
  • A mensagem central é de prevenção: queimaduras de terceiro grau, arritmias por excesso de potássio e quedas de pressão em gestantes são evitáveis com informação e atenção.

O El Niño está aquecendo o Pacífico e secando o Norte do Brasil, e o Pará sente os efeitos com força em julho — mês de férias, praias cheias e temperaturas em alta. O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Icoaraci, distrito de Belém, divulgou orientações preventivas diante do crescimento nos atendimentos por queimaduras solares, desidratação e complicações do calor intenso.

Gestantes são um grupo de atenção especial: as mudanças hormonais da gravidez favorecem o melasma, manchas escuras provocadas pela radiação solar, e o calor agrava a desidratação, podendo causar tontura e queda de pressão. A recomendação inclui chapéus de abas largas e protetores com cor. Para bebês menores de seis meses, a regra é clara — nada de sol direto nem protetor solar convencional; roupas leves e sombra são a única proteção adequada. Crianças maiores devem usar blusas com proteção UV, bonés e beber água antes mesmo de sentir sede.

A médica Mayana Brito, coordenadora da Clínica Médica do HRAS, orienta que a exposição solar seja feita antes das dez da manhã ou após as quatro da tarde, sempre com filtro FPS acima de 50, reaplicado regularmente. As queimaduras solares variam do primeiro grau — vermelhidão e ardência — ao terceiro, com bolhas intensas, febre, calafrios e queda de pressão. Bolhas nunca devem ser rompidas, e casos graves exigem atendimento médico imediato.

A nutricionista Juliana Leite reforça que a água pura é insubstituível e que frutas como melancia, melão e laranja ajudam na hidratação. Para pacientes com doença renal crônica, porém, o protocolo é individualizado: a restrição de líquidos depende do estágio da doença, da presença de inchaços e do tipo de tratamento. Frutas ricas em potássio, comuns no verão, podem desencadear arritmia cardíaca nesses pacientes e só devem ser consumidas com orientação profissional.

O HRAS é a maior unidade pública do Governo do Pará, com mais de um milhão de atendimentos em 2025, 360 leitos, pronto-socorro funcionando 24 horas e um centro de terapia renal — estrutura que reflete a dimensão do desafio de cuidar de uma população exposta a um verão cada vez mais extremo.

O fenômeno climático El Niño está aquecendo as águas do Oceano Pacífico e reduzindo as chuvas na região Norte do Brasil, com consequências diretas para o Pará. No mês de julho, quando as férias escolares trazem multidões para as praias e balneários amazônicos, as temperaturas prometem atingir patamares ainda mais altos. O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Icoaraci, distrito de Belém, vê crescer a procura por atendimentos relacionados a queimaduras solares, desidratação e complicações do calor intenso. A instituição divulgou um conjunto de orientações preventivas que abrangem desde cuidados básicos com a pele até recomendações especializadas para grupos vulneráveis.

Gestantes enfrentam desafios particulares neste período. As mudanças hormonais provocadas pela gravidez favorecem o surgimento do melasma, manchas escuras que aparecem no rosto quando a melanina, o pigmento natural da pele, é estimulada pela radiação solar direta. O calor intenso agrava ainda a desidratação, que pode resultar em quedas de pressão e tonturas. A recomendação médica inclui o uso de chapéus de abas largas e protetores solares com cor, que funcionam como barreira física contra a luz. Para as crianças, os cuidados variam conforme a idade. Bebês menores de seis meses não devem ser expostos diretamente ao sol e não podem usar protetor solar comum; a proteção deve ser feita com roupas leves e permanência em áreas sombreadas. Crianças maiores precisam de blusas com proteção ultravioleta, bonés e ingestão constante de água, mesmo antes de manifestarem sede.

A médica Mayana Brito, coordenadora da Clínica Médica do HRAS, enfatiza que a exposição solar deve ser priorizada antes das dez da manhã e após as quatro da tarde, períodos em que a radiação ultravioleta é menos intensa. Para atividades ao ar livre, recomenda-se o uso de filtro solar com fator de proteção acima de FPS 50, além de camisas com proteção UV, chapéus, óculos escuros e guarda-sóis. O produto deve ser reaplicado periodicamente, pois a transpiração e os banhos reduzem sua eficácia. Segundo a médica, a prevenção é a melhor estratégia para evitar queimaduras e reduzir riscos de envelhecimento precoce e câncer de pele.

As queimaduras solares apresentam três níveis de gravidade. As de primeiro grau, consideradas leves, manifestam-se por vermelhidão, ardência e pele quente, podendo descamar após alguns dias. No segundo grau, classificado como moderado, surgem inchaço e pequenas bolhas, gerando dor intensa e maior risco de infecção. Os casos graves, de terceiro grau, caracterizam-se pelo aparecimento intenso de bolhas acompanhado de febre, calafrios, mal-estar e queda da pressão arterial. Para queimaduras leves, recomenda-se resfriar a pele com compressas frias ou banho em água fresca, evitando gelo direto. Hidratantes ou loções calmantes indicadas por profissionais ajudam a aliviar o desconforto. Bolhas nunca devem ser rompidas, pois funcionam como proteção natural contra infecções. Assistência médica imediata deve ser buscada quando houver queimaduras extensas, múltiplas bolhas grandes, febre, calafrios, náuseas, vômitos ou sinais de infecção. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especializada imediata.

A hidratação adequada é fundamental para manter o equilíbrio do organismo durante o calor intenso. Juliana Leite, nutricionista do HRAS, reforça que a água pura deve ser sempre a bebida preferencial, pois nenhum outro líquido a substitui em uma hidratação adequada. O volume ideal varia conforme a idade, prática de atividade física e perda de suor. Frutas com alto teor de água, como melancia, melão e laranja, auxiliam na reposição hídrica, enquanto pratos gordurosos devem ser evitados devido ao maior esforço exigido do metabolismo durante a digestão. Refeições leves e fracionadas são a melhor opção para o período.

Pacientes com doença renal crônica requerem protocolo de hidratação personalizado. Diferentemente da população geral, a ingestão de água para esse grupo depende do estágio da doença, da presença de inchaços, do volume de urina produzido e se o paciente realiza diálise. A nutricionista Juliana Leite esclarece que a restrição de líquidos não é uma regra universal e deve ser avaliada individualmente. Muitos pacientes em acompanhamento conservador, que recebem apenas medicamentos e dieta sem necessidade de máquina, não precisam limitar a água de forma rigorosa. Para os que possuem recomendação de controle, o monitoramento evita o acúmulo de fluidos que pode sobrecarregar o coração e os pulmões. A rotina alimentar também requer cuidados com minerais como sódio, fósforo e potássio. Alimentos comuns no verão, como água de coco, melancia e melão, são ricos em potássio e devem ser consumidos sob estrita orientação profissional, pois o excesso desse mineral no sangue pode desencadear arritmia cardíaca.

O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos é a maior unidade pública do Governo do Pará e referência no atendimento à mulher, criança e população indígena. Em 2025, realizou mais de um milhão de atendimentos. A estrutura conta com pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico funcionando 24 horas, 360 leitos distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, Unidade de Terapia Intensiva e Unidades de Cuidados Intermediários, além de ser uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de cinco mil partos anuais, e contar com um centro de terapia renal.

A prevenção é a melhor forma de evitar queimaduras solares e reduzir o risco de envelhecimento precoce e câncer de pele
— Dra. Mayana Brito, coordenadora da Clínica Médica do HRAS
A água pura deve ser sempre a bebida preferencial. Nenhum outro líquido a substitui em uma hidratação adequada
— Juliana Leite, nutricionista do HRAS
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
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Por que o El Niño torna o verão paraense tão perigoso para a saúde?

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O fenômeno aquece as águas do Pacífico e reduz as chuvas na região Norte. Isso significa temperaturas muito mais altas justamente em julho, quando as férias escolares trazem mais gente para praias e balneários. A combinação de calor extremo, exposição solar prolongada e falta de chuva cria um cenário perfeito para queimaduras, desidratação e complicações.

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Gestantes parecem estar em risco particular. O que muda para elas?

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As mudanças hormonais da gravidez favorecem o melasma, aquelas manchas escuras no rosto. O calor intenso piora a desidratação, que pode causar quedas de pressão e tonturas. Por isso a recomendação é chapéu de abas largas e protetor solar com cor, que funciona como barreira física.

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E para bebês? Eles não podem usar protetor solar comum?

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Exato. Bebês menores de seis meses não devem ser expostos ao sol direto. O protetor solar comum não é seguro para eles. A proteção vem de roupas leves e permanência em áreas sombreadas. Crianças maiores já podem usar roupas com proteção UV e precisam de água constante.

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Qual é o horário mais seguro para ficar ao sol?

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Antes das dez da manhã e depois das quatro da tarde. Nesses períodos, a radiação ultravioleta é menos intensa. Fora disso, especialmente entre dez e quatro, o risco de queimadura é muito maior.

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Se alguém se queimar, como saber se é grave?

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Queimaduras leves deixam a pele vermelha e quente, podendo descamar. Moderadas têm inchaço e bolhas pequenas com dor intensa. Graves têm muitas bolhas e vêm acompanhadas de febre, calafrios e queda de pressão. Nesse último caso, é emergência.

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Há algo especial sobre hidratação para quem tem problema nos rins?

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Sim. Ao contrário do público geral, pacientes com doença renal crônica não podem simplesmente beber água à vontade. A quantidade depende do estágio da doença e se fazem diálise. Além disso, alimentos comuns no verão como melancia e água de coco são ricos em potássio, que em excesso pode causar arritmia cardíaca.

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