Mulheres eram 45,5% dos assalariados mas recebiam apenas 41,9% da renda
Em 2023, o mercado de trabalho formal brasileiro confirmou o que os dados repetem há décadas: mulheres recebem menos que homens, não por acaso, mas por estrutura. O IBGE revelou uma diferença de 15,8% nos salários médios — R$ 544,26 a menos por mês para as mulheres —, uma lacuna que diminuiu levemente em relação a 2022, mas que ainda reflete padrões profundos de segregação ocupacional e acesso desigual ao poder econômico. Para 52,6 milhões de assalariadas brasileiras, essa estatística não é abstrata: é o saldo que chega ao fim do mês.
- Homens ganham R$ 3.993,26 mensais enquanto mulheres recebem R$ 3.449,00 — uma diferença de R$ 544,26 que se acumula mês a mês, ano a ano.
- Mulheres são 45,5% dos assalariados formais, mas controlam apenas 41,9% da massa salarial total, revelando uma concentração de renda sistematicamente desfavorável a elas.
- A segregação por setor aprofunda o abismo: mulheres dominam saúde e educação, setores historicamente menos remunerados, enquanto homens concentram-se na indústria e construção, onde os salários são mais altos.
- A desigualdade recuou de 17% em 2022 para 15,8% em 2023 — um avanço real, mas insuficiente para quem sente a diferença no orçamento de cada mês.
Em novembro de 2025, o IBGE divulgou os dados do Cempre referentes a 2023, e o retrato do mercado de trabalho formal brasileiro trouxe uma constatação familiar: homens ganham mais que mulheres. A remuneração média masculina foi de R$ 3.993,26 mensais, enquanto a feminina ficou em R$ 3.449,00 — uma diferença de 15,8%, ou R$ 544,26 a menos por mês para as mulheres. Em outros termos, o salário médio feminino equivalia a apenas 86,4% do masculino.
Há uma nota de esperança nos números: a desigualdade recuou. Em 2022, a diferença era de 17%, e a redução de 1,2 ponto percentual indica algum movimento. Ainda assim, a lacuna permanece estrutural. As mulheres representavam 45,5% dos assalariados formais, mas recebiam apenas 41,9% da massa salarial total. Os homens, 54,5% dos trabalhadores, concentravam 58,1% da renda.
Essa disparidade tem endereço certo: os setores onde cada gênero trabalha. Quase um em cada cinco homens atua na indústria de transformação, enquanto entre as mulheres, o setor mais comum é a administração pública. A construção civil é 87,4% masculina. Já saúde humana e serviços sociais é o setor com maior presença feminina — três em cada quatro trabalhadores são mulheres —, e historicamente um dos menos remunerados.
A escolaridade adiciona outra camada à desigualdade. Assalariados com ensino superior recebiam em média R$ 7.489,16 mensais — mais que o triplo dos sem diploma universitário. Mas 76,4% dos trabalhadores formais não tinham nível superior, e a distribuição desse acesso também não é neutra em relação ao gênero. O quadro que emerge é o de uma economia que avança devagar demais para quem vive, todos os meses, o peso concreto dessa diferença.
Em novembro de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou um retrato do mercado de trabalho formal brasileiro que confirma uma realidade persistente: os homens ganham significativamente mais que as mulheres. Os dados de 2023 mostram que a remuneração média dos homens foi de R$ 3.993,26 mensais, enquanto a das mulheres ficou em R$ 3.449,00 — uma diferença de R$ 544,26 por mês, ou 15,8% a menos para elas. Traduzido de outro modo: o salário médio feminino representava apenas 86,4% do que os homens recebiam.
A notícia traz uma pequena esperança embutida. A desigualdade diminuiu em relação ao ano anterior. Em 2022, a diferença era de 17%, o que significa que houve uma redução de 1,2 ponto percentual. Ainda assim, a lacuna permanece substancial e estrutural, refletindo padrões profundos de segregação ocupacional e acesso desigual a posições melhor remuneradas.
O levantamento, chamado Estatísticas do Cempre (Cadastro Central de Empresas), reuniu informações de todas as empresas e organizações formais brasileiras com CNPJ, incluindo órgãos públicos e entidades sem fins lucrativos. Em 2023, o Brasil tinha 10 milhões de empresas e organizações formais ativas, um crescimento de 6,3% em relação a 2022. Dessas, 7 milhões não tinham pessoal assalariado. O mercado de trabalho formal ocupava 66 milhões de pessoas ao final do ano, avanço de 5,1% ante o período anterior. Desse total, 79,8% (52,6 milhões) eram assalariados, enquanto 13,3 milhões estavam na condição de sócios ou proprietários.
Os números revelam uma concentração desproporcionada de renda. Embora as mulheres representassem 45,5% dos assalariados, recebiam apenas 41,9% da massa salarial total. Os homens, por sua vez, eram 54,5% dos assalariados mas concentravam 58,1% da renda. Essa disparidade não é aleatória — ela está profundamente ligada aos setores em que homens e mulheres trabalham. Quase um em cada cinco homens (19,4%) trabalha na indústria de transformação, enquanto entre as mulheres, 19,9% estão na administração pública, defesa e seguridade social. A construção é o setor mais masculinizado, com 87,4% de homens assalariados. As indústrias extrativas (83,1%) e transporte, armazenagem e correio (81,3%) também são predominantemente masculinas. Por outro lado, saúde humana e serviços sociais é o setor com maior presença feminina: a cada quatro trabalhadores, três (75%) são mulheres.
A escolaridade amplifica essas diferenças. Entre os assalariados com ensino superior, o salário médio mensal foi de R$ 7.489,16 — mais que o triplo do rendimento de quem não tinha formação universitária (R$ 2.587,52). Porém, 76,4% do pessoal ocupado assalariado não tinha diploma. A educação é o setor com maior proporção de assalariados com nível superior (65,5%), seguido por atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (59,9%). No extremo oposto, 96,1% dos assalariados no setor de alojamento e alimentação não tinham ensino superior, assim como 93,8% na agropecuária.
O quadro que emerge é o de uma economia onde a segregação ocupacional por gênero persiste, onde mulheres se concentram em setores historicamente menos remunerados, e onde o acesso à educação superior permanece desigual. A redução gradual da lacuna salarial de um ano para o outro sugere movimento, mas o ritmo é lento demais para quem vive a realidade dessa diferença todos os meses.
Notable Quotes
O salário médio das mulheres representou 86,4% da remuneração dos homens— IBGE, Estatísticas do Cempre 2023
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a diferença salarial diminuiu de 17% para 15,8% em apenas um ano? Isso reflete mudanças reais no mercado?
Provavelmente reflete um pouco de ambos. Pode haver mulheres entrando em posições melhor remuneradas, ou salários femininos crescendo mais rápido. Mas também pode ser flutuação estatística. O que importa é que a redução é pequena — em dez anos nesse ritmo, ainda haveria disparidade.
As mulheres ganham menos mesmo fazendo o mesmo trabalho?
O IBGE não detalha isso. Os números são de salário médio total por gênero, não por função. Então a diferença vem de uma mistura: mulheres em setores menos pagos, mulheres em posições mais juniores, e possivelmente também desigualdade dentro da mesma função. É tudo junto.
Então a solução seria colocar mais mulheres na construção e na indústria extrativa?
Seria parte da solução, sim. Mas não é simples. Esses setores têm barreiras históricas, culturais, às vezes físicas. E há também a questão de por que saúde e educação — setores feminizados — pagam menos. Não é só sobre onde as mulheres trabalham, é sobre quanto a sociedade paga por esse trabalho.
A educação superior faz diferença?
Enorme. Quem tem diploma ganha três vezes mais. Mas 76% dos assalariados não têm ensino superior. E entre esses, a disparidade de gênero provavelmente é ainda maior.
Isso vai melhorar?
Está melhorando, mas devagar. A tendência é positiva, mas se continuar nesse ritmo, levaremos décadas para igualdade real. Precisa de políticas mais agressivas — não só deixar o mercado resolver sozinho.