Minha sorte foi que eles não conseguiram atirar em mim
Érick foi abordado por criminosos armados próximo à ponte de Barra do Pojuca e colocado à força dentro de carro preto. Veículo apresentou problemas mecânicos, permitindo que guia quebrasse vidro com bota e fugisse pela mata circundante.
- Érick foi abordado por três homens armados em carro preto perto da ponte de Barra do Pojuca
- Veículo apresentou pane mecânica, permitindo fuga ao quebrar vidro com bota
- Reserva Sapiranga registra histórico de assaltos desde pelo menos 2017
- Guia sofreu escoriações e dores no joelho durante fuga pela mata
Guia turístico foi sequestrado por três homens armados na Reserva Sapiranga, em Mata de São João, mas conseguiu escapar ao quebrar vidro do veículo durante pane mecânica. Caso reforça histórico de violência na região.
Érick estava a caminho do trabalho quando três homens armados o abordaram perto da ponte de Barra do Pojuca, na Reserva Sapiranga, em Mata de São João, no litoral norte da Bahia. Era meio-dia. Os suspeitos estavam em um carro preto. Renderam-no à força e o colocaram no porta-malas, depois o transferiram para o interior do veículo enquanto seguiam pela região. Um deles tentou imobilizá-lo com um pano no rosto enquanto os outros mantinham as armas apontadas.
O que poderia ter terminado em tragédia ganhou um desfecho inesperado quando o carro começou a apresentar problemas mecânicos perto da mesma ponte onde tudo havia começado. Os criminosos desceram para verificar o que havia acontecido com o veículo, deixando a porta aberta e a atenção dividida. Érick não hesitou. Usou a própria bota para quebrar o vidro do carro e saiu correndo em direção à mata circundante, perseguido pelos homens armados.
Conseguiu chegar até a entrada da Reserva Sapiranga, onde foi encontrado por familiares que o levaram para atendimento médico. As feridas físicas eram menores — escoriações e dores no joelho adquiridas durante a fuga pela vegetação densa. O abalo emocional, porém, era evidente. "Minha sorte foi que eles não conseguiram atirar em mim", disse depois, resumindo em uma frase a gravidade do que havia vivido.
O sequestro de Érick não é um incidente isolado. A Reserva Sapiranga carrega um histórico de violência que se estende por anos. Em 2017, visitantes e trabalhadores já relatavam assaltos frequentes dentro da área de preservação. Grupos armados abordavam turistas, roubavam celulares, relógios, qualquer coisa de valor. Na época, a recorrência dos casos já levantava questões incômodas sobre a segurança do lugar.
Apesar de seu potencial turístico e ambiental, a reserva permanece sendo apontada como uma zona vulnerável, especialmente nos trechos mais afastados e nos horários em que há menos movimento de pessoas. O caso de Érick reforça uma preocupação que nunca desapareceu completamente entre quem trabalha ou visita a região. A polícia militar ainda não se pronunciou sobre o sequestro.
Citas Notables
Minha sorte foi que eles não conseguiram atirar em mim— Érick, guia turístico sequestrado
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que você acha que o carro quebrou justamente naquele momento?
Não há como saber. Pode ter sido sorte genuína, ou pode ter sido uma falha mecânica que estava se desenvolvendo há tempo. O que importa é que Érick reconheceu a oportunidade e agiu.
Ele tinha alguma razão para acreditar que seria libertado se não fugisse?
Nenhuma. Três homens armados não sequestram alguém com intenção de deixá-lo ir embora. Érick entendeu isso e fez a única coisa que fazia sentido.
A Reserva Sapiranga é um lugar onde as pessoas deveriam se sentir seguras?
Teoricamente, sim. É uma área de preservação ambiental, um espaço público. Mas desde 2017, pelo menos, há relatos consistentes de assaltos e abordagens criminosas. As pessoas que trabalham lá sabem disso.
E ninguém fez nada para mudar isso?
Não há informações sobre ações concretas. O que se vê é um padrão que persiste — vulnerabilidade em trechos afastados, horários de baixa circulação, criminosos que sabem disso.
Érick vai voltar a trabalhar lá?
Não sabemos. Mas é uma pergunta que muitos guias turísticos e trabalhadores da região provavelmente estão se fazendo agora.