Guia completo de vacinas contra infecções respiratórias em Porto Alegre

Pneumococo causa mortalidade de cerca de 30% em casos de meningite bacteriana em crianças, responsável por até 50% dos casos de meningite infantil.
A vacina protege da infecção evoluir para um quadro grave
Segundo infectologista, o objetivo não é impedir a doença, mas evitar suas formas mais perigosas.

Com a chegada do inverno em Porto Alegre, os hospitais registram um aumento de 12,3% nas internações por doenças respiratórias — um padrão previsível que, desta vez, encontra um arsenal vacinal mais amplo do que nunca. Contra influenza, covid-19, VSR e pneumococo, as vacinas disponíveis no SUS e na rede privada não eliminam o risco de adoecer, mas reduzem drasticamente a chance de que a doença se torne grave ou fatal. A proteção individual, quando multiplicada por uma população, torna-se proteção coletiva — e a janela para agir está aberta.

  • As internações por doenças respiratórias cresceram 12,3% em Porto Alegre entre maio e junho, pressionando hospitais já sobrecarregados.
  • Crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades concentram o maior risco de complicações graves — e são exatamente os grupos com menor cobertura vacinal atualizada.
  • O pneumococo, responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana infantil e com mortalidade de 30%, ganha agora um imunizante mais abrangente distribuído gratuitamente pelo SUS a partir de junho.
  • A vacina contra o VSR, disponível na rede privada para idosos e indicada para gestantes a partir da 28ª semana, protege também os recém-nascidos nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade.
  • Especialistas alertam: vacinar-se não é apenas proteção pessoal, mas um gesto que alivia a pressão sobre todo o sistema de saúde em um momento crítico do inverno.

Com a queda das temperaturas em Porto Alegre, os vírus respiratórios ganham força e os hospitais sentem o peso: entre maio e junho, as internações por doenças respiratórias cresceram 12,3%, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. O frio torna o cenário previsível — mas não inevitável. A infectologista Cynara Nunes, da Unimed Porto Alegre, lembra que as vacinas disponíveis não impedem completamente a infecção, mas evitam que ela evolua para quadros graves, internações e mortes.

A vacina contra influenza é o ponto de partida. O SUS oferece a versão trivalente gratuitamente para grupos prioritários; a rede privada disponibiliza a tetravalente por cerca de R$ 100. A atualização anual é essencial, especialmente para idosos e imunocomprometidos, já que a resposta imune declina com o tempo. Para covid-19, a vacinação segue no calendário nacional para gestantes, idosos acima de 60 anos e crianças de seis meses a cinco anos, com reforços semestrais recomendados para os mais vulneráveis.

Contra o Vírus Sincicial Respiratório — responsável por 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos —, a vacina é indicada prioritariamente para gestantes a partir da 28ª semana, protegendo também os recém-nascidos. Idosos e pessoas com doenças crônicas podem acessá-la na rede privada.

A principal novidade é a vacina pneumocócica conjugada 20-valente, que começa a ser distribuída gratuitamente pelo SUS em junho. Ela amplia a cobertura contra os sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de pneumonia e meningite — uma doença que responde por até 50% dos casos de meningite bacteriana infantil, com mortalidade de cerca de 30%. A Unimed Porto Alegre também oferece a vacina contra pneumonia gratuitamente para beneficiários idosos do programa Viver Bem.

O baixo índice de vacinação no Rio Grande do Sul contribui diretamente para a superlotação dos serviços de saúde. Manter o calendário vacinal em dia é, ao mesmo tempo, proteção individual e responsabilidade coletiva — e o momento de agir é agora.

As temperaturas caem em Porto Alegre e as internações por infecções respiratórias sobem. Entre maio e junho, os hospitais da cidade registraram um aumento de 12,3% no número de pacientes internados com quadros respiratórios, conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde. O frio traz consigo uma realidade previsível: vírus respiratórios circulam com mais intensidade, e sem proteção vacinal, as complicações podem ser graves.

Mas existe um escudo disponível. Quem mantém o calendário de vacinação em dia reduz drasticamente o risco de hospitalização e morte — especialmente crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas. A médica infectologista Cynara Nunes, cooperada da Unimed Porto Alegre, resume o ponto essencial: nenhuma vacina oferece proteção absoluta, mas todas funcionam para evitar que a doença evolua para um quadro grave. A pessoa pode ficar doente, sim, mas com sintomas muito mais leves, sem necessidade de internação.

A vacina contra influenza é o ponto de partida. O vírus da gripe circula com pico entre março e maio, então o ideal é se vacinar antes disso, garantindo proteção durante o inverno. Mas o benefício se estende o ano todo, e a vacinação é indicada para todas as idades. O SUS oferece a versão trivalente, que protege contra três cepas do vírus — duas do tipo A (H1N1 e H3N2) e uma do tipo B. A rede privada disponibiliza a tetravalente, com proteção contra quatro cepas. O imunizante não apenas protege quem o recebe: reduz a circulação do vírus na população, diminuindo a pressão sobre os serviços de saúde. Cynara enfatiza que a influenza exige atualização anual para todos, especialmente idosos e imunocomprometidos, porque a resposta imune da vacina declina ao longo do tempo.

Para covid-19, o cenário mudou. Apesar das mutações do vírus, as vacinas disponíveis mantêm eficácia contra as formas graves da doença, geralmente entre seis e 12 meses após a dose. No Brasil, a vacinação integra o calendário nacional para gestantes, idosos com 60 anos ou mais e crianças de seis meses a cinco anos. Grupos prioritários — imunocomprometidos, trabalhadores de saúde, indígenas, quilombolas e pessoas com doenças crônicas — têm indicação de reforços periódicos. Para adultos sem comorbidades que já completaram três doses, não há mais recomendação de atualização. Mas para idosos e imunocomprometidos, a orientação é tomar uma dose a cada semestre, sempre que possível.

A vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) protege contra a bronquiolite, uma das principais causas de internação em bebês e também responsável por hospitalizações em idosos. No Brasil, o VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos. O público-alvo prioritário são mulheres grávidas a partir da 28ª semana de gestação. Uma dose única a cada nova gravidez protege não apenas as mães, mas também os recém-nascidos durante os primeiros meses de vida. Idosos, portadores de doenças crônicas e imunocomprometidos podem acessar a vacina na rede privada.

A novidade mais recente é a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20). Antes disponível apenas na rede privada, ela começou a ser distribuída pelo SUS a partir de junho. O imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de pneumonia e meningite. O pneumococo é responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças, com mortalidade de cerca de 30%. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença pneumocócica é a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível. A nova vacina amplia significativamente a cobertura contra os sorotipos em circulação e gradualmente substituirá os imunizantes anteriores.

No SUS, a vacinação contra gripe é prioritária para crianças, gestantes e idosos, grupos mais vulneráveis a hospitalizações e mortes. A dose custa em torno de R$ 100 na rede privada. A vacina contra covid-19 é disponibilizada gratuitamente apenas na rede pública, com vacinação retomada em abril em unidades como a Clínica da Família Moab Caldas, Clínica da Família IAPI, Centro de Saúde Santa Marta, Centro de Saúde Modelo e Unidade de Saúde Tristeza. A vacina VSR custa em média R$ 1.500 na rede privada para idosos e pessoas com doenças crônicas. A pneumocócica 20-valente estará disponível gratuitamente em breve nos postos de saúde; na rede privada, custa cerca de R$ 500. A Unimed Porto Alegre oferece vacinação gratuita contra pneumonia para beneficiários idosos do programa Viver Bem, com adesão integralmente gratuita pelo aplicativo da cooperativa.

O cenário de superlotação nos estabelecimentos de saúde do Rio Grande do Sul reflete um baixo índice de vacinação. Manter as vacinas em dia não é apenas uma questão individual de proteção — é um ato que reduz a pressão sobre o sistema de saúde inteiro. Com o frio chegando e a circulação de vírus respiratórios intensificando, a janela para se vacinar está aberta.

A influenza exige atualização anual para todo mundo, especialmente idosos e pessoas imunocomprometidas, porque a resposta da vacina declina ao longo do tempo
— Cynara Nunes, médica infectologista da Unimed Porto Alegre
A pessoa até pode ficar doente, mas não vai ter sintomas graves, não vai precisar de internação
— Cynara Nunes, médica infectologista da Unimed Porto Alegre
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o aumento de 12,3% em internações é significativo? Parece um número pequeno.

Model

Não é pequeno quando você pensa em pessoas reais. Significa dezenas de camas ocupadas que poderiam estar livres. E isso em apenas dois meses, entre maio e junho. Quando chega o inverno de verdade, esses números crescem ainda mais.

Inventor

A vacina contra gripe precisa ser tomada todo ano. Por quê?

Model

Porque o vírus muta. A resposta imune que você desenvolveu no ano passado enfraquece com o tempo. Então você precisa de uma dose nova, com a cepa atualizada, para manter a proteção forte.

Inventor

Se a vacina não oferece proteção absoluta, por que as pessoas deveriam se vacinar?

Model

Porque proteção absoluta não existe em nada na medicina. O ponto é que você pode ficar doente, mas não vai ficar gravemente doente. Não vai precisar de internação, não vai ter sequelas. É a diferença entre um resfriado e estar intubado.

Inventor

A vacina pneumocócica 20-valente é realmente uma mudança grande?

Model

Sim. Antes ela só existia na rede privada, cara. Agora o SUS vai distribuir. E ela protege contra 20 sorotipos em vez de menos. Considerando que o pneumococo causa 30% de mortalidade em meningite infantil, essa expansão salva vidas.

Inventor

Qual é o grupo que mais precisa se vacinar?

Model

Tecnicamente, todos. Mas se você é idoso, imunocomprometido, ou tem uma criança pequena em casa, a urgência é maior. Essas pessoas têm menos margem de segurança se ficarem doentes.

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