Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos acolherá de volta
Em Ecône, na Suíça, a Fraternidade São Pio 10º consagrou quatro bispos sem a bênção do papa Leão 14, repetindo o gesto que já havia custado ao seu fundador a excomunhão décadas atrás. O Vaticano respondeu com a mesma medida automática, aprofundando uma fratura que o grupo não reconhece como definitiva. Para os fiéis da fraternidade, a ruptura é menos um fim do que uma pausa — uma espera pela abertura de uma porta que, segundo eles, já se abriu antes.
- A consagração de quatro bispos sem autorização papal em 1º de julho desencadeou excomunhão automática de todo o grupo, o ato canônico mais severo da Igreja Católica.
- O Vaticano afirma ter oferecido diálogo antes do cisma; a fraternidade responde que o papa nunca ouviu de verdade suas preocupações sobre a fé.
- Sem qualquer sinal de arrependimento, um padre do grupo subiu ao púlpito dias depois e declarou que as ordenações foram feitas por amor à Igreja — não para romper com ela.
- A fraternidade aposta num precedente histórico: Bento 16 revogou uma excomunhão semelhante em 2009, e o grupo acredita que um papa futuro repetirá o gesto.
- A frase do padre Georg Kopf resume a postura do movimento: 'Gostaríamos que isso acontecesse amanhã' — paciência e urgência coexistindo numa espera calculada.
Na última semana, a Fraternidade São Pio 10º consagrou quatro bispos em Ecône, na Suíça, sem a aprovação do papa Leão 14. Os ordenados foram o suíço Pascal Schreiber, o americano Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. No mesmo dia, o Vaticano decretou a excomunhão automática do grupo inteiro — a pena mais grave prevista pelo direito canônico.
No domingo seguinte, o padre Georg Kopf pregou em Wil, também na Suíça, e deixou claro como a fraternidade interpreta o próprio futuro: a porta fechada hoje se abrirá sob outro papa. Ele invocou o precedente de Bento 16, que em 2009 revogou a excomunhão de um grupo semelhante após décadas de ruptura iniciada pelo fundador Marcel Lefebvre — que, nos anos 1980, fez exatamente o que acaba de acontecer.
Fundada em 1970, a fraternidade defende a missa tradicional em latim, rejeita o diálogo formal com não católicos e acredita que a Igreja se afastou da verdadeira fé. O grupo tem sede na Suíça, mas possui seguidores em todo o mundo, inclusive no Brasil.
O que distingue este momento é a ausência de arrependimento. Kopf negou qualquer intenção de criar uma estrutura paralela a Roma, argumentando que as ordenações foram realizadas por amor à Igreja e à salvação das almas. O Vaticano não reconhece essa lógica como válida. Ainda assim, é ela que sustenta a esperança do grupo. 'Estou convicto de que haverá outro papa que dará à tradição seu devido lugar', disse Kopf. 'Gostaríamos que isso acontecesse amanhã.'
Na quarta-feira passada, a Fraternidade São Pio 10º fez algo que a Igreja Católica considera tão grave que a excomunhão é automática: consagrou quatro bispos sem a aprovação do papa Leão 14. O ato aconteceu em Ecône, no oeste da Suíça, durante uma cerimônia que elevou o suíço Pascal Schreiber, o americano Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier ao episcopado. Naquele mesmo dia, o Vaticano respondeu com a excomunhão do grupo inteiro.
No domingo seguinte, um padre da fraternidade subiu ao púlpito em Wil, também na Suíça, e disse aos fiéis algo que revela como o grupo vê seu próprio futuro: um dia, sob um papa diferente, serão acolhidos de volta. Georg Kopf falava em alemão, e sua mensagem era clara — a porta que se fechou agora se abrirá novamente. Ele invocou o precedente de Bento 16, que em 2009 revogou a excomunhão de um grupo semelhante após décadas de ruptura.
A Fraternidade São Pio 10º não é um movimento novo. Fundada em 1970, ela se enraizou na convicção de que a Igreja Católica se afastou da verdadeira fé. Seus membros celebram a missa antiga em latim, rejeitam o diálogo formal com não católicos e mantêm uma visão tradicional que, para eles, representa fidelidade. O grupo tem sede na Suíça mas possui seguidores espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil. Quando o fundador, Marcel Lefebvre, fez exatamente o que acaba de acontecer — consagrar bispos sem aprovação papal — no final dos anos 1980, a reação foi a mesma: excomunhão automática.
O que distingue este momento é a atitude do grupo diante da ruptura. Não há arrependimento. Kopf afirmou que o papa não ouviu as preocupações da fraternidade antes do cisma. O Vaticano, por sua vez, insiste que ofereceu diálogo. A excomunhão, segundo o Vaticano, foi consequência inevitável de um ato considerado tão grave quanto tentar estabelecer uma igreja paralela.
Mas Kopf negou isso do púlpito. Disse que nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de romper com Roma ou criar uma estrutura paralela. Pelo contrário, argumentou, as ordenações foram realizadas por amor à Igreja e ao papa, para cuidar da salvação das almas. É uma lógica que a hierarquia vaticana não reconhece como válida — mas é a lógica que permite ao grupo manter a esperança de retorno.
"Estou convicto de que haverá outro papa como ele que dará à tradição seu devido lugar novamente", disse Kopf. "É claro que gostaríamos que isso acontecesse amanhã." A frase revela tanto a paciência quanto a urgência que caracterizam o movimento. Eles esperam, mas não querem esperar muito. A história oferece um precedente: Bento 16 abriu a porta em 2009. A aposta da fraternidade é que algum papa futuro fará o mesmo.
Citas Notables
Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos acolherá de volta, assim como o papa Bento— Georg Kopf, padre da Fraternidade São Pio 10º
Nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de estabelecer uma igreja paralela ou romper com Roma. Foi precisamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas— Georg Kopf, em sermão em Wil
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que um grupo católico consagraria bispos sabendo que seria excomungado automaticamente?
Porque para eles, a fidelidade à tradição que entendem como verdadeira é mais importante que a obediência institucional neste momento. Eles acreditam que estão salvando almas, não destruindo a Igreja.
Mas não é exatamente o que o Vaticano diz — que eles estão criando uma estrutura paralela?
É o que o Vaticano diz, sim. Mas o grupo nega isso. Para eles, é um ato de amor à Igreja, não de rejeição. A diferença entre como você vê seu próprio gesto e como a instituição o vê é o abismo que existe aqui.
Por que Kopf menciona especificamente Bento 16?
Porque Bento 16 fez exatamente o que eles esperam que outro papa faça: revogou a excomunhão de um grupo similar em 2009. É o único precedente que têm. É a prova de que a porta pode se abrir novamente.
Eles realmente acreditam que isso vai acontecer?
Kopf diz que está convicto disso. Mas há uma tensão na frase dele — "gostaríamos que isso acontecesse amanhã". Eles esperam, mas não sabem quanto tempo vão esperar. Pode ser anos, décadas.
O que o Vaticano quer deles?
Arrependimento. Reconhecimento de que o ato foi errado. Mas o grupo não oferece isso. Eles oferecem apenas a insistência de que agiam por amor. É por isso que a porta permanece fechada.