Desta vez, havia comando. No domingo, o secretário estava nos EUA.
Três dias após o maior ataque às instituições democráticas brasileiras desde a redemocratização, Brasília se preparava para uma nova prova. O governo Lula ergueu um escudo de segurança em torno da Esplanada dos Ministérios, convocou centenas de agentes da Força Nacional e obteve respaldo judicial do Supremo para conter qualquer tentativa de repetir a invasão e depredação dos palácios do poder. Por trás da mobilização, uma pergunta que toda democracia eventualmente precisa responder: até onde as instituições conseguem proteger a si mesmas quando são o próprio alvo?
- Uma convocação circulando no Telegram chamava bolsonaristas para uma 'mega manifestação nacional' às 18h de quarta-feira, acendendo o alerta máximo em Brasília apenas três dias após a invasão dos Três Poderes.
- O interventor federal Ricardo Cappelli garantiu que desta vez havia comando — ele próprio estaria na Esplanada, preenchendo o vazio deixado pelo secretário de segurança que estava nos Estados Unidos no domingo dos ataques.
- O STF acatou pedido da AGU e determinou que autoridades impedissem bloqueios e invasões, com o ministro Alexandre de Moraes identificando formalmente a existência de uma organização criminosa visando desestabilizar as instituições republicanas.
- Anderson Torres, ex-secretário de Segurança ausente no dia dos ataques e ex-ministro de Bolsonaro, foi exonerado, teve sua prisão decretada e anunciou que retornaria ao Brasil para se entregar.
- Seiscentos e cinquenta novos agentes da Força Nacional foram enviados a Brasília, com mobilização total prevista até o dia 19, enquanto o presidente Lula avisava parlamentares que qualquer gesto contra a democracia seria punido.
- A capital estava armada de efetivo, decretos e determinação — mas a verdadeira prova só viria quando os manifestantes convocados chegassem à Esplanada naquela tarde.
Brasília acordou na quarta-feira sob vigilância reforçada, três dias depois de apoiadores do ex-presidente Bolsonaro invadirem e depredarem o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal — o maior ataque às instituições democráticas brasileiras desde o fim da ditadura militar.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça e interventor federal, Ricardo Cappelli, apresentou-se à imprensa com uma mensagem direta: os eventos do domingo não se repetiriam. A Esplanada seria parcialmente fechada, todas as forças de segurança estariam em alerta máximo e, desta vez, haveria comando. Cappelli estaria pessoalmente no local — diferente do domingo, quando o secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres, encontrava-se nos Estados Unidos. Torres, ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro, foi exonerado, teve sua prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes e anunciou que retornaria ao Brasil para se entregar.
O Supremo acatou pedido da Advocacia-Geral da União para impedir bloqueios de vias e invasões de prédios públicos, após a identificação de uma convocação no Telegram para uma 'mega manifestação nacional' às 18h. Na decisão, Moraes reconheceu a existência de uma organização criminosa com o objetivo de desestabilizar as instituições republicanas. O Ministério da Justiça anunciou o envio de 650 novos integrantes da Força Nacional a Brasília, com atuação garantida até o dia 19 por portaria do ministro Flávio Dino.
Em reunião com parlamentares, Lula foi categórico: qualquer gesto contra a democracia seria punido. O governo não apenas reforçava a segurança — enviava um recado. Naquela tarde, o plenário virtual do Supremo confirmaria as decisões que determinaram a prisão de Torres e o afastamento temporário do governador Ibaneis Rocha. O que aconteceria quando os manifestantes chegassem à Esplanada ainda estava por ser visto.
Brasília acordou na quarta-feira sob vigilância reforçada. O governo Lula havia passado a noite anterior montando um esquema de segurança que, segundo seus responsáveis, tornaria impossível uma repetição do que havia acontecido no domingo anterior — quando apoiadores do ex-presidente Bolsonaro invadiram e depredaram os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Era o maior ataque às instituições democráticas brasileiras desde o fim da ditadura militar.
Ricardo Cappelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça e interventor federal na segurança pública do Distrito Federal, comparecia à imprensa naquela manhã com uma mensagem clara: não havia hipótese de os fatos inaceitáveis do domingo se repetirem. A Esplanada dos Ministérios seria parcialmente fechada. Todas as forças de segurança estariam mobilizadas em alerta máximo. E havia uma diferença crucial em relação ao domingo: desta vez, havia comando. Cappelli estaria pessoalmente na Esplanada acompanhando a operação. No domingo anterior, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, estava nos Estados Unidos — uma ausência que não passaria despercebida.
Torres, que havia sido ministro da Justiça no governo Bolsonaro, foi exonerado do cargo no domingo pelo governador afastado Ibaneis Rocha. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, havia decretado sua prisão. Torres anunciaria no Twitter que estava retornando ao Brasil para se entregar às autoridades e preparar sua defesa.
O arsenal montado pelo governo era extenso. O Supremo havia acatado um pedido da Advocacia-Geral da União, feito por Jorge Messias, determinando que autoridades federais e estaduais adotassem medidas para impedir bloqueios de vias e rodovias, bem como invasões de prédios públicos. O pedido havia sido motivado pela identificação, em um grupo do Telegram, de uma convocação para uma "mega manifestação nacional" pela "retomada do poder" em todas as capitais naquele dia às 18 horas. Moraes, em sua decisão, identificou a existência de uma organização criminosa visando desestabilizar as instituições republicanas — particularmente aquelas com competência constitucional para se contrapor a atos ilegais, como o Congresso e o Supremo.
O Ministério da Justiça havia anunciado que 650 novos integrantes da Força Nacional de Segurança Pública estavam chegando a Brasília. Uma portaria do ministro Flávio Dino prorrogava o emprego desses policiais na capital até o dia 19. O contingente total seria mobilizado para garantir que o que havia acontecido no domingo — a invasão, a depredação, o caos nas ruas — não se repetisse.
Em reunião com parlamentares naquela quarta-feira, Lula havia deixado claro que qualquer gesto contra a democracia brasileira seria punido. O governo não estava apenas reforçando a segurança; estava enviando uma mensagem. Naquela mesma tarde, o Supremo confirmaria, em julgamentos no plenário virtual, as decisões de Moraes que determinaram a prisão de Torres e o afastamento temporário de Ibaneis.
O que se desenrolaria nas horas seguintes — quando os manifestantes convocados chegassem à Esplanada — testaria se o esquema montado funcionaria. Brasília estava pronta, ou assim diziam seus responsáveis. A questão era se a preparação seria suficiente para impedir que a capital vivesse novamente o caos do domingo anterior.
Citas Notables
Não há hipótese de se repetir na capital federal os fatos inaceitáveis que aconteceram no dia 8— Ricardo Cappelli, interventor federal na segurança pública do DF
Qualquer gesto contra a democracia brasileira será punido— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o governo sentiu necessidade de trazer 650 policiais adicionais se já havia forças de segurança em Brasília?
Porque no domingo anterior não havia comando. O secretário de Segurança estava fora do país. Não era falta de policiais — era falta de coordenação, de presença, de alguém no terreno tomando decisões em tempo real.
Anderson Torres, o secretário que estava nos EUA, era um bolsonarista?
Ele havia sido ministro da Justiça de Bolsonaro. Sua ausência no domingo, quando tudo acontecia, levantou questões óbvias sobre negligência ou conivência. O Supremo decretou sua prisão.
O Supremo identificou uma "organização criminosa". Isso significa que havia planejamento prévio para os ataques?
Segundo a decisão de Moraes, sim. Havia convocações em grupos de Telegram para manifestações coordenadas em todas as capitais. Não era espontâneo — era organizado.
Se o governo tinha essa informação sobre o Telegram, por que não impediu os ataques de domingo?
Essa é a pergunta que o governo estava tentando responder com o reforço de segurança. Havia falhas na inteligência, na coordenação, na presença de comando. Desta vez, tudo seria diferente — ou assim prometiam.
Cappelli disse que a chance de repetição era zero. Isso é realista?
Nenhum interventor federal diria que há risco. Mas a verdade é que você não pode garantir zero quando há organização criminosa envolvida. O que você pode fazer é aumentar o custo, aumentar a presença, deixar claro que há consequências.
O que aconteceria se os manifestantes tentassem invadir novamente?
Desta vez havia comando na Esplanada, havia 650 policiais adicionais, havia alerta máximo. A resposta seria imediata. Mas ninguém sabia exatamente como os manifestantes reagiriam à presença reforçada.