É o único local onde ocorre a lagartixa-da-montanha
No coração de Portugal continental, onde a terra toca os seus pontos mais altos, a Serra da Estrela enfrenta um momento de escolha coletiva. O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas abre à participação pública o Plano de Gestão da sua Zona Especial de Conservação — um documento reescrito à luz dos grandes incêndios de 2022 e 2025, que obrigaram a repensar o que significa proteger uma montanha viva. Até 16 de julho, cidadãos e comunidades são convidados a contribuir para o futuro de um território que guarda, entre outras singularidades, a única população conhecida da lagartixa-da-montanha em todo o país.
- Dois ciclos de incêndios devastadores — em 2022 e novamente em 2025 — forçaram uma revisão completa de um plano que se julgava pronto, revelando a fragilidade dos instrumentos de proteção face ao fogo.
- Mais de 88 mil hectares distribuídos por sete concelhos aguardam orientações claras sobre como equilibrar conservação, pastoreio, gestão de fogos e pressão humana crescente.
- A sobrevivência da lagartixa-da-montanha — espécie endémica que não existe em mais nenhum ponto do país — depende diretamente da qualidade das decisões que este plano vier a consagrar.
- O plano propõe restaurar ecossistemas fluviais, promover pastagens sustentáveis e adaptar o combate aos incêndios rurais sem comprometer os valores naturais protegidos.
- A consulta pública, aberta no portal Participa.pt até 16 de julho, é a janela através da qual quem conhece e habita a serra pode influenciar o rumo da sua gestão nos próximos anos.
A Serra da Estrela tem hoje um novo instrumento de proteção em debate. O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas abriu à participação pública o Plano de Gestão da Zona Especial de Conservação que cobre a região, dando aos cidadãos até 16 de julho para apresentar contributos sobre como a montanha deve ser gerida nos próximos anos.
O documento não é novo, mas foi profundamente revisto. Concluído inicialmente em março de 2022, os incêndios que varreram a serra nesse mesmo ano — e novamente em 2025 — tornaram inevitável uma reavaliação completa. A área protegida, integrada na rede europeia Natura 2000, estende-se por cerca de 88.536 hectares em sete concelhos dos distritos da Guarda, Castelo Branco e Coimbra, e inclui o Alto da Torre, em Seia, o ponto mais elevado de Portugal continental, a 1.993 metros de altitude.
O plano propõe medidas que refletem a complexidade de gerir um território montanhoso sujeito a pressões crescentes: restauro dos ecossistemas fluviais e ribeirinhos, gestão sustentável dos prados e pastagens, adaptação do controlo de incêndios rurais à proteção ambiental, e reforço da fiscalização. Tudo nasce de uma análise cuidada do que a serra oferece e do que precisa.
Há uma particularidade que torna este território insubstituível: a Serra da Estrela é o único lugar em Portugal onde existe a lagartixa-da-montanha, uma subespécie endémica cuja sobrevivência depende inteiramente da qualidade do ambiente que a rodeia. A consulta pública, disponível no portal Participa.pt, é a oportunidade para que quem conhece e habita esta montanha ajude a decidir o seu futuro.
A Serra da Estrela ganhou hoje um novo instrumento de proteção. O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas abriu à participação pública o Plano de Gestão da Zona Especial de Conservação que cobre a região, dando aos cidadãos até 16 de julho para apresentar contributos sobre como a montanha deve ser gerida nos próximos anos.
A zona faz parte da Natura 2000, a rede europeia de áreas protegidas criada para salvaguardar habitats naturais e espécies selvagens. O plano agora em discussão pública funciona como um mapa de intenções: identifica quais são os valores naturais que precisam de proteção especial e desenha as medidas concretas para os preservar. Trata-se de um documento que passou por revisão significativa. Foi inicialmente concluído em março de 2022, mas os incêndios de grande dimensão que varreram a serra em 2022 e novamente em 2025 forçaram uma reavaliação completa do que estava planeado.
A área protegida estende-se por aproximadamente 88.536 hectares, distribuindo-se por sete concelhos: Celorico da Beira, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia no distrito da Guarda, e Covilhã e Oliveira do Hospital nos distritos de Castelo Branco e Coimbra. Dentro deste perímetro situa-se o Alto da Torre, em Seia, o ponto mais elevado de Portugal continental, com 1.993 metros de altitude.
O plano propõe um conjunto de medidas que refletem a complexidade de gerir um território montanhoso. Inclui o restabelecimento dos ecossistemas fluviais e ribeirinhos, a promoção de uma gestão sustentável dos prados e pastagens, e a adaptação da forma como os incêndios rurais são controlados de modo a não comprometer os valores naturais protegidos. A fiscalização será reforçada. Todas estas ações nascem de uma análise cuidada do que a serra oferece e do que precisa.
A região alberga um mosaico variado de habitats, com elementos que representam diferentes regiões biogeográficas. Mas há uma particularidade que torna a Serra da Estrela única em Portugal: é o único local onde ocorre a lagartixa-da-montanha, uma subespécie endémica cuja sobrevivência depende inteiramente da qualidade do ambiente que a rodeia. Nenhuma outra população desta espécie existe no país.
Os cidadãos interessados em participar no processo podem consultar toda a documentação no portal Participa.pt e deixar os seus contributos até à data limite. O plano representa uma tentativa de equilibrar a conservação rigorosa com as realidades de uma região que enfrenta pressões crescentes, desde os incêndios florestais até às mudanças nos usos do solo. A Serra da Estrela, com a sua riqueza biológica e a sua importância ecológica, aguarda agora a voz dos que a conhecem e a habitam.
Citações Notáveis
A rede ecológica que visa contribuir para assegurar a biodiversidade através da conservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens no território europeu— Descrição da Natura 2000
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que um plano de gestão precisa de ser revisto depois de incêndios? Não era suposto estar preparado para essas situações?
Um plano feito em 2022 assumia certas condições no terreno. Quando incêndios de grande dimensão destroem habitats inteiros, as prioridades mudam. Não é que o plano fosse mau — é que a realidade se alterou radicalmente, e um documento de conservação tem de refletir o que realmente existe agora.
A lagartixa-da-montanha que mencionam — é realmente tão rara assim?
É endémica da Serra da Estrela. Existe apenas aqui em Portugal, e apenas nesta montanha. Se algo acontecer à serra, não há população de reserva noutro lado. É uma responsabilidade total.
O que significa exatamente "restabelecer o ecossistema fluvial"?
Os incêndios destroem a vegetação que protege as margens dos rios, afetam a qualidade da água, alteram o habitat dos peixes e outras espécies aquáticas. Restabelecer significa replantear, deixar recuperar, reconstruir as condições que permitem à vida fluvial existir novamente.
Quem vai fiscalizar se as medidas estão a ser cumpridas?
Esse é o trabalho do ICNF e das autoridades locais. Mas o reforço da fiscalização mencionado no plano sugere que reconhecem que a vigilância anterior não era suficiente.
E se os cidadãos que vivem na serra discordarem com algumas medidas?
Por isso é que está em consulta pública até julho. As pessoas que vivem ali, que usam a terra, que conhecem os padrões dos incêndios — têm voz nisto. O plano não é imposto de cima para baixo; é discutido.