Futuros de NY viram para alta e petróleo sobe após novos ataques dos EUA ao Irã

Os mercados enfrentam uma corda bamba entre esperança e medo
Enquanto investidores processam ataques militares, inflação persistente e possíveis altas de juros.

Futuros do S&P 500 e Nasdaq-100 sobem levemente; petróleo Brent avança 3% em resposta aos ataques americanos contra o Irã no Estreito de Ormuz. Conflitos entre EUA e Irã alimentam volatilidade, com divergências sobre fechamento do Estreito de Ormuz amplificando incerteza nos mercados globais.

  • Futuros do S&P 500 e Nasdaq-100 sobem levemente; petróleo Brent avança 3%
  • EUA lançam ataques contra o Irã no Estreito de Ormuz no domingo, 12 de julho
  • Empresas do S&P 500 devem registrar salto de 24% nos lucros do segundo trimestre
  • Operadores precificam 40 pontos-base de altas de juros pelo Fed até dezembro

Futuros de NY abrem instáveis após ataques dos EUA ao Irã, com petróleo subindo 3%. Mercados enfrentam incerteza geopolítica enquanto se preparam para temporada de resultados e dados de inflação críticos.

Os mercados americanos começaram a semana em terreno instável. Na noite de domingo, 12 de julho, os futuros das bolsas de Nova York abriram em queda, mas viraram para leve alta conforme a noite avançava — uma oscilação que refletia a incerteza geopolítica que tomava conta dos pregões globais. O Exército dos EUA havia lançado uma nova rodada de ataques contra o Irã, desta vez com o objetivo declarado de enfraquecer ainda mais a capacidade iraniana de atingir embarcações civis que navegam pelo Estreito de Ormuz. Os futuros do Dow Jones subiam 0,3%, enquanto o S&P 500 avançava 0,4% e o Nasdaq-100 registrava alta superior a 0,3%. O petróleo Brent, porém, reagiu com mais vigor: subiu 3% na abertura, refletindo as preocupações com possíveis interrupções no fluxo de energia global.

Os ataques americanos vieram em resposta a uma escalada de violência que havia começado dias antes, quando o Irã lançou drones e mísseis contra aliados dos EUA na região — Kuwait, Jordânia e Catar foram atingidos. A sequência de ações e reações criou um ciclo de tensão que os mercados ainda tentavam processar. Mas a incerteza não vinha apenas dos ataques em si. Informações conflitantes sobre o Estreito de Ormuz amplificavam a confusão: enquanto o Irã afirmava ter fechado a passagem marítima, autoridades militares e marítimas americanas insistiam que o tráfego de navios continuava fluindo pela rota sul. Ninguém sabia ao certo qual versão era a correta, e essa ambiguidade alimentava a volatilidade.

Nick Twidale, estrategista-chefe de mercados da AT Global Markets, captou o clima em uma nota aos clientes: os acontecimentos do fim de semana sugeriam que os mercados poderiam enfrentar uma abertura volátil, o que colocaria à prova o otimismo que havia prevalecido nas semanas anteriores. Os investidores estavam em um ponto de inflexão — entre o otimismo recente e a realidade de riscos geopolíticos concretos.

Mas a tensão no Oriente Médio não era a única coisa que preocupava Wall Street. A semana que se iniciava trazia consigo a temporada de resultados corporativos, considerada decisiva para o mercado. Goldman Sachs e JPMorgan Chase divulgariam seus balanços na terça-feira, abrindo o caminho para uma enxurrada de relatórios de ganhos. As expectativas eram altas: as empresas do S&P 500 deveriam registrar um salto de 24% nos lucros do segundo trimestre em relação ao ano anterior. Ainda assim, havia uma mudança importante em andamento. A recente valorização do índice dependia cada vez menos das gigantes de tecnologia — aquelas que haviam impulsionado os mercados nos últimos anos — e cada vez mais de ganhos dispersos entre outros setores.

Na Europa, estrategistas do Deutsche Bank projetavam crescimento de 12% nos lucros das empresas do índice Stoxx 600 para o segundo trimestre, após uma alta de 7% no primeiro. Na Ásia, a situação era ainda mais otimista: as empresas do MSCI Asia Pacific deveriam avançar 39% em lucros, comparado a um crescimento de apenas 6,9% no trimestre anterior. Os números sugeriam uma recuperação global dos ganhos corporativos.

Mas esse cenário otimista enfrentava obstáculos reais. A inflação persistia, os preços da energia haviam subido — impulsionados justamente pela tensão no Oriente Médio — e crescia a expectativa de que o Federal Reserve pudesse retomar as altas de juros. Com as bolsas americanas e globais próximas de máximas históricas e as avaliações consideradas elevadas, havia pouco espaço para decepções. Qualquer resultado corporativo abaixo das expectativas poderia desencadear uma correção significativa.

A semana traria dois momentos críticos. Primeiro, os dados de inflação dos EUA — tanto o índice de preços ao consumidor quanto o de preços ao produtor — que ofereceriam sinais sobre a trajetória futura dos juros. O maior avanço semanal do petróleo desde meados de maio havia reacendido preocupações de que custos mais altos de energia pudessem dificultar o processo de desaceleração inflacionária. Segundo, a reunião do Federal Reserve ainda naquele mês, onde a questão dos juros seria decidida. Os operadores já estavam precificando quase 40 pontos-base de altas de juros pelo Fed até dezembro — uma mudança dramática em relação aos apenas 15 pontos-base que eram esperados no início de junho.

Economistas consultados pela Bloomberg esperavam que tanto a inflação cheia quanto a subjacente tivessem desacelerado ligeiramente em junho, mas ambas deveriam permanecer muito acima da meta de 2% do banco central americano. Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve, faria sua primeira aparição no Congresso desde que assumiu o comando da instituição, e havia prometido reduzir o uso de orientações antecipadas sobre as perspectivas para os juros. Os mercados, portanto, enfrentavam uma semana de testes — testes geopolíticos, testes de ganhos corporativos, testes de inflação e testes sobre a disposição do Fed de agir.

Os acontecimentos do fim de semana sugerem que os mercados podem enfrentar uma abertura volátil, o que pode colocar à prova o otimismo que temos visto recentemente
— Nick Twidale, estrategista-chefe de mercados da AT Global Markets
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que os mercados subiram se havia acabado de haver ataques militares? Não deveria haver pânico?

Model

Há uma lógica perversa nos mercados de commodities e ações. Os ataques americanos foram vistos como uma demonstração de força, uma tentativa de manter aberto o Estreito de Ormuz. Para alguns investidores, isso significava menos risco de interrupção total do fluxo de petróleo. Mas o petróleo subiu porque a incerteza em si é cara — ninguém sabe se o próximo ataque será maior ou se o Irã revidará.

Inventor

Então o mercado estava apostando em qual cenário?

Model

Em múltiplos cenários simultaneamente. Os futuros subiram porque havia esperança de que a situação fosse controlada. O petróleo subiu porque havia medo de que não fosse. Ambas as coisas são verdadeiras ao mesmo tempo.

Inventor

E quanto aos resultados corporativos? Por que isso importa agora?

Model

Porque as avaliações estão altas. Se as empresas não entregarem ganhos de 24% como esperado, o mercado inteiro pode desabar. Os investidores estão em uma corda bamba — precisam de crescimento de lucros para justificar os preços atuais, mas enfrentam inflação persistente e possíveis altas de juros que podem comprimir as margens.

Inventor

O Federal Reserve vai realmente aumentar os juros?

Model

Os operadores estão precificando 40 pontos-base de altas até dezembro. Isso é uma mudança dramática em relação a junho. Tudo depende dos dados de inflação que saem esta semana. Se a inflação não desacelerar como esperado, o Fed terá pouca escolha.

Inventor

E se o Fed aumentar os juros enquanto há tensão no Oriente Médio?

Model

Então os mercados enfrentam uma tempestade perfeita — risco geopolítico, inflação persistente e aperto monetário simultâneos. Não há muitos precedentes para isso.

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