Fundo ligado a Vorcaro recebeu R$ 285 mi do Master antes da liquidação

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2025 após a Operação Compliance Zero.
risco de dilapidação irreversível do patrimônio destinado aos credores
Expressão usada pelo juiz ao bloquear a venda de bens ligados aos fundos investigados.

Nos meses que antecederam sua liquidação, o Banco Master transferiu R$ 285 milhões a um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, numa operação que a Justiça agora interpreta como possível esvaziamento deliberado do patrimônio destinado a credores. O juiz responsável pelo caso determinou o bloqueio de alienações vinculadas ao fundo Astralo 95, reconhecendo o risco de dano irreversível antes que as investigações cheguem a termo. O episódio revela, uma vez mais, como estruturas financeiras sofisticadas podem ser erguidas não para criar riqueza, mas para movê-la para fora do alcance de quem tem direito a ela.

  • R$ 285 milhões saíram do Banco Master em direção a um fundo controlado por Vorcaro entre junho e setembro de 2025 — meses antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição.
  • O liquidante do banco acionou a Justiça alertando que o Astralo 95 era peça de uma engrenagem montada para canalizar recursos em benefício pessoal do banqueiro, em detrimento dos credores.
  • Uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília e um duplex de R$ 30 milhões em São Paulo estão entre os bens adquiridos por meio de uma cadeia de fundos encadeados que culmina no Astralo 95.
  • Investigações do Banco Central e da Polícia Federal apontam que cerca de R$ 700 milhões em ativos foram transferidos para uma offshore nas Ilhas Cayman ao longo de 2025.
  • O juiz determinou o bloqueio imediato de qualquer venda de bens ligados ao fundo, citando risco de 'dilapidação irreversível' — e Vorcaro segue preso preventivamente desde março.

O Banco Master enviou R$ 285 milhões ao fundo Astralo 95, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, entre junho e setembro de 2025 — período que antecedeu diretamente a liquidação decretada pelo Banco Central. A transferência foi feita por meio do fundo Máxima 2 e agora é alvo de ação judicial movida pelo liquidante do banco, que busca impedir a dispersão de ativos que deveriam ser usados para ressarcir credores da instituição.

O juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências de São Paulo, acolheu os argumentos do liquidante e determinou o bloqueio de qualquer alienação de bens vinculados ao fundo, reconhecendo explicitamente o risco de 'dilapidação irreversível do patrimônio'. A preocupação tem base concreta: o Astralo 95 é o único cotista do Fundo Termopilas, que controla a Super Empreendimentos e Participações S.A., empresa responsável pela compra de imóveis de alto valor atribuídos a Vorcaro — entre eles uma mansão no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 36 milhões, e um apartamento duplex no Jardim Paulista, em São Paulo, adquirido por cerca de R$ 30 milhões.

O alcance das investigações vai além dos imóveis. Apurações do Banco Central e da Polícia Federal indicam que o fundo teria intermediado a transferência de aproximadamente R$ 700 milhões em ativos para uma offshore nas Ilhas Cayman durante 2025. O Supremo Tribunal Federal já determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens de investigados ligados ao caso, e Vorcaro permanece preso preventivamente desde março, após a Operação Compliance Zero.

O que estava em movimento — dinheiro, imóveis, investimentos em times de futebol como o Atlético Mineiro — agora está suspenso por ordem judicial, à espera de decisões que definirão se esses recursos retornarão aos credores do banco ou permanecerão presos nas estruturas financeiras erguidas ao redor do banqueiro.

O Banco Master movimentou R$ 285 milhões para um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro nos meses que antecederam sua liquidação decretada pelo Banco Central. A transferência, realizada entre junho e setembro de 2025 através do fundo Máxima 2, chegou ao fundo Astralo 95 e agora é alvo de investigação judicial que tenta impedir a dispersão de patrimônio que deveria servir para pagar credores da instituição.

O liquidante do banco, responsável por recuperar ativos para os credores, acionou a Justiça argumentando que o Astralo 95 funcionava como peça de uma engrenagem financeira montada para canalizar recursos do Master em benefício de Vorcaro. O juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências de São Paulo, acolheu a preocupação e determinou o bloqueio de qualquer venda de bens vinculados ao fundo, citando explicitamente o risco de "dilapidação irreversível do patrimônio" que credores precisam para ser ressarcidos.

As investigações revelam uma estrutura sofisticada de fundos encadeados. O Astralo 95 é o único cotista do Fundo Termopilas, que por sua vez controla a Super Empreendimentos e Participações S.A., empresa responsável pela aquisição de imóveis de altíssimo valor atribuídos a Vorcaro. Entre os bens em questão está uma mansão no Lago Sul, em Brasília, avaliada em cerca de R$ 36 milhões e comprada em 2024, além de um apartamento duplex no Jardim Paulista, em São Paulo, adquirido em 2023 por aproximadamente R$ 30 milhões. O liquidante também questiona investimentos realizados através do Fundo Galo Forte, ligado ao Astralo 95, na Sociedade Anônima do Futebol do Atlético Mineiro.

O escopo das operações sob investigação é ainda maior. Apurações do Banco Central e da Polícia Federal indicam que o fundo teria intermediado a transferência de cerca de R$ 700 milhões em ativos para uma offshore nas Ilhas Cayman durante 2025. Vorcaro permanece preso preventivamente desde março, após a Operação Compliance Zero, e o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 22 bilhões em bens de investigados ligados ao caso.

A ação judicial agora em andamento representa a tentativa do sistema de justiça de congelar esses ativos enquanto as investigações prosseguem. O juiz reconheceu indícios suficientes de irregularidades para justificar medidas cautelares que impeçam a venda de bens antes que se chegue a conclusões sobre o destino final do patrimônio. O que estava em movimento — dinheiro, imóveis, investimentos em times de futebol — agora está parado, à espera de decisões que determinarão se esses recursos retornarão aos credores do banco ou se permanecerão ligados a Vorcaro e suas estruturas financeiras.

O liquidante argumenta que o Astralo 95 foi utilizado em uma estrutura financeira destinada a movimentar recursos do banco para beneficiar Vorcaro
— Ação judicial do liquidante do Banco Master
Risco de dilapidação irreversível do patrimônio que deveria ser usado para pagar credores
— Juiz Adler Batista Oliveira Nobre, 3ª Vara de Falências de São Paulo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como um banco consegue transferir quase 300 milhões de reais para um fundo ligado a uma pessoa antes de ser liquidado? Não há controles?

Model

Há controles, mas eles funcionam depois. O Banco Central só decretou a liquidação após essas transferências já terem acontecido. O que o liquidante está argumentando é que essas operações foram feitas justamente para tirar dinheiro de circulação antes que a intervenção chegasse.

Inventor

E por que um fundo precisaria de uma mansão de 36 milhões e um apartamento de 30 milhões?

Model

Formalmente, esses imóveis foram comprados por uma empresa controlada pelo fundo. Na prática, o liquidante está dizendo que essa estrutura toda — os fundos, as empresas, os imóveis — foi montada para que Vorcaro tivesse acesso a recursos do banco sem que ficasse claro que era dele.

Inventor

Mas se o juiz bloqueou tudo, o dinheiro está seguro agora?

Model

Está bloqueado, sim. Mas há 700 milhões que já saíram do país para as Ilhas Cayman. Esse é o dinheiro que preocupa mais. Bloqueio é fácil quando o ativo está aqui. Recuperar dinheiro em offshore é outra história.

Inventor

Vorcaro pode sair da prisão?

Model

Ele está preso preventivamente, o que significa que a prisão é para garantir a investigação, não porque foi condenado. Enquanto isso, o Supremo bloqueou 22 bilhões em bens de investigados. Vorcaro é uma peça importante nesse quebra-cabeça.

Inventor

Qual é o próximo passo?

Model

A Justiça continua analisando se esses bens foram realmente desviados ou se as operações eram legítimas. Enquanto isso, o liquidante tenta impedir que qualquer coisa seja vendida. É uma corrida contra o tempo — quanto mais tempo passa, mais difícil fica recuperar patrimônio.

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