Florentino apresenta projeto para criar Dia Nacional de Conscientização sobre Síndrome de Phelan-McDermid

Milhares de crianças e famílias enfrentam diagnósticos inadequados e falta de apoio, com muitas recebendo apenas diagnóstico de autismo sem identificação da síndrome subjacente.
Nenhuma família deveria enfrentar esse caminho de incertezas sozinha
Ellen, vice-presidente da associação e mãe de uma jovem com a síndrome, sobre o significado do respaldo político.

No Brasil, onde cerca de 20 mil pessoas podem carregar uma condição genética sem jamais receber seu nome correto, um deputado federal transformou o testemunho de famílias invisíveis em proposta de lei. O projeto de Florentino Neto busca instituir o Dia Nacional de Conscientização sobre a Síndrome de Phelan-McDermid, reconhecendo que o silêncio em torno de doenças raras não é neutralidade — é uma forma de abandono. Nomear é o primeiro ato de cuidar.

  • De 20 mil casos estimados, apenas 200 foram diagnosticados — uma lacuna que revela não a raridade da síndrome, mas a precariedade do acesso a exames genéticos e informação médica adequada.
  • Crianças recebem diagnóstico de autismo e o caso é encerrado: a síndrome subjacente permanece oculta, e com ela, a possibilidade de tratamento específico e suporte real às famílias.
  • A Associação Brasileira da Síndrome de Phelan-McDermid levou histórias reais a Brasília, e o deputado Florentino Neto respondeu convertendo esses relatos no projeto de lei nº 4658/2025.
  • O projeto propõe campanhas educativas, iluminação de prédios públicos em verde e fortalecimento de políticas para doenças raras — medidas que transformam visibilidade simbólica em pressão institucional.
  • O texto aguarda votação na Câmara, e seu destino determinará se milhares de famílias continuarão navegando sozinhas por um diagnóstico que o Estado ainda se recusa a enxergar.

O deputado federal Florentino Neto apresentou o projeto de lei nº 4658/2025, que propõe instituir 22 de outubro como o Dia Nacional de Conscientização sobre a Síndrome de Phelan-McDermid — uma condição genética rara ligada ao cromossomo 22, que provoca atrasos no desenvolvimento, baixo tônus muscular, dificuldades na fala e características frequentemente associadas ao autismo.

A iniciativa não surgiu de pesquisas de gabinete. Nasceu do encontro entre o parlamentar e membros da Associação Brasileira da Síndrome de Phelan-McDermid, que vieram a Brasília para contar histórias de diagnósticos tardios, tratamentos inadequados e isolamento. Florentino Neto ouviu e decidiu agir.

Os números expõem a dimensão do problema: apenas 200 diagnósticos foram confirmados no Brasil, enquanto estima-se que até 20 mil pessoas vivam com a síndrome sem saber. A explicação é direta — faltam exames genéticos acessíveis, falta preparo nos consultórios, e muitas crianças encerram sua jornada diagnóstica com um laudo de autismo que não revela a causa subjacente.

O projeto vai além de marcar uma data. Prevê campanhas educativas, iluminação de prédios públicos em verde e o fortalecimento de políticas voltadas a doenças raras. Ellen, vice-presidente da associação e mãe de Luísa, de 18 anos, sintetizou o que está em disputa: nenhuma família deveria enfrentar esse caminho sozinha, e o respaldo político é o que transforma uma causa silenciada em direito reconhecido.

O projeto aguarda votação na Câmara. Se aprovado, representará mais do que um dia no calendário — será o reconhecimento de que doenças raras deixam de ser raras quando você é a família que vive com elas todos os dias.

Na última semana, o deputado federal Florentino Neto entrou na Câmara dos Deputados com um projeto de lei que pode mudar a vida de milhares de famílias brasileiras que vivem na sombra de uma doença que quase ninguém conhece. O projeto nº 4658/2025 propõe transformar 22 de outubro em Dia Nacional de Conscientização sobre a Síndrome de Phelan-McDermid, uma condição genética rara que afeta o cromossomo 22 e provoca atrasos no desenvolvimento, fraqueza muscular, dificuldades na fala e, frequentemente, características associadas ao Transtorno do Espectro Autista.

A iniciativa não nasceu de um gabinete. Ela veio das ruas, ou melhor, de Brasília, onde a Associação Brasileira da Síndrome de Phelan-McDermid reuniu-se recentemente com autoridades para contar histórias que precisavam ser ouvidas. Pais e mães compartilharam relatos sobre a jornada exaustiva de buscar diagnóstico, encontrar tratamento adequado e simplesmente não estar sozinhos nessa luta. Florentino Neto ouviu essas histórias e decidiu agir.

Os números revelam a dimensão do problema invisível. Apenas cerca de 200 diagnósticos foram confirmados oficialmente no Brasil. Mas esse número é enganoso. Estima-se que até 20 mil pessoas vivam com a síndrome sem saber, sem ter nome para aquilo que as afeta. A razão é simples e brutal: faltam exames genéticos acessíveis, falta informação nos consultórios, falta conhecimento entre os profissionais de saúde. Muitas crianças recebem diagnóstico de autismo e pronto. Ninguém investiga mais fundo. A síndrome permanece invisível, e com ela, as necessidades específicas dessas famílias.

O projeto que Florentino apresentou vai além de apenas nomear um dia. Prevê campanhas educativas para espalhar conhecimento sobre a condição, iluminação de prédios públicos em verde como símbolo de conscientização, e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para doenças raras. São ações concretas que reconhecem que invisibilidade mata — não literalmente, mas mata esperança, mata acesso, mata a possibilidade de uma criança receber o tratamento certo.

Ellen, vice-presidente da associação e mãe de Luísa, de 18 anos, resumiu o que está em jogo: nenhuma família deveria enfrentar esse caminho de incertezas sozinha. O respaldo político, disse ela, é fundamental para dar voz a uma causa que foi silenciada por tanto tempo. Florentino Neto, ao ouvir essas mães e pais que ele chamou de verdadeiros lutadores, transformou essa demanda em ação parlamentar.

Agora o projeto aguarda análise e votação na Câmara. Se aprovado, será um marco — não apenas para as 20 mil pessoas que vivem com a síndrome sem saber, mas para o reconhecimento de que doenças raras não são raras quando você é a família que vive com elas. Será um passo para romper a invisibilidade que agrava o sofrimento de quem já sofre demais.

Essas mães e pais são verdadeiros lutadores, que nunca desistem. O projeto que apresentamos é fruto direto da mobilização da associação e representa um passo importante para romper a invisibilidade
— Deputado Florentino Neto (PT)
Queremos garantir que nenhuma família precise enfrentar sozinha esse caminho de incertezas. O respaldo político é fundamental para dar voz à nossa causa e construir uma sociedade mais inclusiva
— Ellen, vice-presidente da Associação Brasileira da Síndrome de Phelan-McDermid
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que uma data nacional importa tanto para uma doença que afeta tão poucas pessoas?

Model

Porque essas poucas pessoas estão completamente sozinhas. Uma data nacional é um sinal de que o Estado reconhece que você existe, que seu sofrimento importa. Sem isso, você é invisível até para os médicos.

Inventor

Mas se apenas 200 pessoas foram diagnosticadas, como sabem que há 20 mil?

Model

Porque quando você começa a procurar, encontra. Crianças com atrasos no desenvolvimento, fraqueza muscular, dificuldades na fala — muitas estão sendo rotuladas apenas como autistas. Ninguém faz o teste genético que confirmaria a síndrome. É invisibilidade por falta de acesso, não por falta de casos.

Inventor

O que muda na vida de uma família quando a síndrome é identificada corretamente?

Model

Tudo. Você deixa de estar procurando respostas no escuro. Você encontra outras famílias, descobre que não está sozinho, acessa tratamentos específicos. É a diferença entre sofrer sem nome e sofrer sabendo exatamente o que é.

Inventor

Florentino Neto é médico, ou tem alguma ligação pessoal com a síndrome?

Model

Não. Ele ouviu as mães e pais em Brasília e decidiu transformar aquilo em ação. Às vezes a política funciona assim — alguém escuta, alguém se sensibiliza, alguém age.

Inventor

E se o projeto for aprovado? O que muda concretamente?

Model

Campanhas educativas chegam a médicos e famílias. Prédios públicos iluminados em verde viram símbolo visual. Políticas públicas para doenças raras ganham força. Não é cura, mas é reconhecimento. E reconhecimento abre portas.

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