Fenprof apresenta queixa na PGR sobre classificação eletrónica de exames nacionais

Professores classificadores enfrentam prolongamento de tarefas e possível adiamento de férias devido aos problemas técnicos no processo de classificação.
Distribuição intensiva de novas provas demonstra o desespero perante os prazos
A Fenprof critica o Ministério da Educação pela forma como continua a enviar provas para corrigir apesar da proximidade do prazo final.

Quando a modernização se precipita, são os mais vulneráveis que pagam o preço — alunos à espera de resultados e professores privados do descanso merecido. A Fenprof leva à Procuradoria-Geral da República a primeira experiência portuguesa de correção digital de exames nacionais, marcada por falhas técnicas, atrasos e dúvidas sobre a integridade do processo. O que foi apresentado como avanço administrativo tornou-se um teste à confiança institucional no sistema educativo.

  • A estreia da correção eletrónica dos exames nacionais transformou-se numa acumulação de falhas: atrasos, erros de digitalização e uma plataforma que não resistiu à pressão real do processo.
  • A Fenprof vai entregar queixa formal na PGR no próprio dia em que as pautas são afixadas — um gesto deliberado que sublinha a gravidade das suspeitas sobre a fiabilidade do sistema.
  • Os prazos já foram estendidos uma vez, mas professores continuam a receber novas provas para corrigir mesmo quando julgavam estar a terminar, num ritmo que a federação descreve como sinal de desespero ministerial.
  • Antecipa-se um número significativo de pedidos de reapreciação, o que poderá arrastar o processo e adiar ainda mais as férias de professores já sobrecarregados.
  • A investigação pedida à PGR deverá apurar se os problemas resultaram de implementação precipitada, testes insuficientes ou falhas de governação — e de quem é a responsabilidade.

A Federação Nacional dos Professores vai entregar esta sexta-feira uma queixa na Procuradoria-Geral da República, pedindo a abertura de um inquérito formal sobre o sistema digital de classificação dos exames nacionais do ensino secundário. É a primeira vez que as provas são corrigidas eletronicamente em Portugal: os alunos continuam a escrever em papel, mas as folhas são digitalizadas e distribuídas por uma plataforma aos professores classificadores.

Desde o início, o processo acumulou problemas: atrasos na disponibilização das provas, erros de digitalização e dificuldades técnicas generalizadas. A Fenprof identifica "inúmeros indícios" que comprometem a fiabilidade de toda a operação e vê na distribuição contínua de novos itens de correção — mesmo quando os professores estão a terminar — um sinal de desespero do Ministério da Educação face aos seus próprios prazos.

Os prazos já foram adiados uma vez, com os professores a terem agora até terça-feira para concluir, de forma a que as pautas sejam afixadas no dia 17 — o mesmo dia em que a queixa será entregue. A federação prevê um número significativo de pedidos de reapreciação, o que poderá prolongar ainda mais um processo que já está a adiar as férias de muitos professores classificadores.

A investigação que a PGR será convidada a conduzir deverá determinar se os problemas resultaram de uma implementação precipitada, de testes insuficientes, ou de ambos — e identificar as responsabilidades institucionais por aquilo que começou como uma simplificação e se tornou numa fonte de pressão adicional sobre professores e alunos.

A Federação Nacional dos Professores está a levar o processo de classificação dos exames nacionais do ensino secundário aos tribunais. Na sexta-feira, a Fenprof entregará uma queixa na Procuradoria-Geral da República solicitando a abertura de um inquérito formal sobre o sistema digital que este ano, pela primeira vez, passou a corrigir as provas de forma eletrónica.

O que começou como uma modernização transformou-se numa cascata de problemas técnicos. Os exames continuam a ser realizados em papel — os alunos ainda escrevem à mão — mas as folhas de resposta são agora digitalizadas e distribuídas através de uma plataforma digital aos professores classificadores. Desde o início do processo, porém, o sistema tem registado falhas recorrentes: atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas, dificuldades técnicas na plataforma responsável pela distribuição e classificação. A Fenprof identifica "inúmeros indícios" que colocam em causa a fiabilidade de toda a operação.

Os prazos já foram adiados uma vez. Os professores têm agora até terça-feira para concluir a classificação, permitindo que as pautas sejam afixadas no dia 17. Mas mesmo com essa extensão, continuam a receber novos itens para corrigir quando o fim está à vista. A federação vê nesta distribuição intensiva de novas provas um sinal de "desespero" do Ministério da Educação, Ciência e Inovação perante os prazos que estabeleceu.

A queixa que será entregue no mesmo dia da afixação das pautas pretende apurar responsabilidades sobre a fiabilidade, segurança e credibilidade da plataforma e dos procedimentos adotados. A Fenprof antecipa que o processo poderá terminar "com sérios problemas", prevendo um número significativo de pedidos de reapreciação de provas — o que significa que muitos alunos poderão contestar as suas classificações.

Mas há outro custo, menos visível. Os professores classificadores enfrentam o prolongamento das tarefas relacionadas com os exames, o que significa que muitos verão novamente adiado o gozo efetivo das férias. O que deveria ter sido uma simplificação administrativa transformou-se numa fonte de stress adicional para quem já trabalha sob pressão. A investigação que a PGR será convidada a abrir poderá revelar se os problemas foram resultado de implementação precipitada, falta de testes adequados, ou ambos.

Existem inúmeros indícios que colocam em causa a fiabilidade da plataforma utilizada na classificação das provas
— Fenprof
O processo de classificação dos exames nacionais poderá terminar com sérios problemas
— Fenprof
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Inventor

Porque é que a Fenprof decidiu apresentar uma queixa formal agora, e não apenas protestar internamente?

Model

Porque os problemas não são menores. Estamos a falar de um sistema que classifica exames que determinam o futuro académico de dezenas de milhares de alunos. Se há dúvidas sobre a fiabilidade, isso é uma questão de interesse público.

Inventor

Mas os exames ainda foram realizados em papel. Não há um registo físico?

Model

Há, mas o papel foi digitalizado. Se houve erros na digitalização, alguns alunos podem ter tido as suas respostas mal lidas pelo sistema. É impossível saber quantos sem uma investigação.

Inventor

Os prazos foram adiados. Isso não resolveu o problema?

Model

Adiou-o, mas não o resolveu. Os professores continuam a receber provas para corrigir dias antes do prazo final. Isso sugere que o sistema nunca esteve realmente pronto.

Inventor

Qual é o impacto real para os professores?

Model

Além do stress, muitos não conseguem tirar férias. Quando deviam estar descansados em julho, estão ainda a corrigir exames. É um custo humano que raramente aparece nos relatórios oficiais.

Inventor

A PGR conseguirá investigar isto antes das pautas serem afixadas?

Model

Improvável. A queixa é entregue no mesmo dia. A investigação será posterior, mas pode levar a mudanças para o próximo ano e a responsabilização de quem tomou as decisões.

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