Você pode bombardeá-los, destruir seus radares, mas é muito fácil atacar navios
Defesas aéreas de Teerã foram acionadas na madrugada de quarta-feira para combater aeronaves de reconhecimento, com explosões relatadas por moradores da capital iraniana. Trump considera operações de maior escala, incluindo bombardeio de complexos nucleares e possível tomada da ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã.
- Defesas aéreas de Teerã foram acionadas na madrugada de quarta-feira contra aeronaves de reconhecimento
- EUA realizaram ataques diários contra o Irã nos últimos cinco dias, incluindo bombardeio à ilha de Grande Tunb
- Trump considera operações para tomar a ilha de Kharg e bombardear complexos nucleares na montanha Pickaxe
- Vice-presidente Vance afirma que negociações serão necessárias apesar da frustração americana
Sistemas de defesa aérea foram ativados em Teerã após presença de aeronaves inimigas. Trump avalia ampliar operações militares contra o Irã, incluindo ataques a infraestrutura civil e alvos nucleares.
Na madrugada de quarta-feira, moradores de Teerã foram despertados por explosões que ecoaram pela capital iraniana. Os sistemas de defesa aérea da cidade foram acionados para enfrentar o que as autoridades iranianas descreveram como aeronaves de reconhecimento inimigas. A agência semioficial Fars informou que as defesas foram ativadas em resposta à presença desses aparelhos, enquanto a Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, confirmou que os disparos ocorreram nas zonas leste e oeste de Teerã. Um residente relatou ter sido acordado por uma forte explosão por volta das 4 da manhã, horário local.
Este incidente ocorre em um momento de escalada significativa das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Nos últimos cinco dias, os americanos realizaram ataques diários contra posições iranianas ao longo do Estreito de Ormuz, incluindo um bombardeio nesta mesma quarta-feira à ilha de Grande Tunb, que funciona como base militar iraniana. Oficiais americanos afirmam que esses ataques visam reduzir a capacidade do Irã de bloquear a passagem de navios comerciais pela hidrovia estratégica. Porém, a destruição de lançadores de mísseis e radares também prepara o terreno para operações militares de escala muito maior que o presidente Donald Trump está considerando.
Trump tem recebido opções para ampliar significativamente a campanha militar contra o Irã. Segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto, essas alternativas foram discutidas durante uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca na terça-feira, com foco em formas de intensificar os esforços para reduzir o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. O presidente afirmou publicamente que pretende intensificar os ataques na próxima semana, incluindo ameaças contra infraestrutura civil e, possivelmente, alvos ligados ao setor de energia. Nos bastidores, ele tem discutido diferentes cenários para futuras ações militares com altos integrantes do governo, buscando maneiras de pressionar o Irã a aceitar as exigências americanas após os esforços atuais não conseguirem fazer Teerã recuar.
Dois alvos específicos ganham destaque nas considerações de Trump. A primeira é a ilha de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo do Irã, que ele avalia tomar através de uma operação terrestre. A segunda envolve bombardear complexos subterrâneos na montanha Pickaxe, que se acredita estarem ligados ao programa nuclear iraniano. Trump confirmou seu interesse em ambos os alvos durante entrevistas nesta semana, embora tenha sugerido que uma operação terrestre para tomar Kharg poderia ficar a cargo de outro país. "Temos outras pessoas que farão a campanha terrestre por nós", disse à Fox News, sem fornecer detalhes adicionais.
A frustração de Trump com a falta de progresso nas negociações é evidente. O Irã continua recusando-se a ceder às exigências americanas sobre seu programa nuclear e mantém restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz. Trump já demonstrou, em outras ocasiões, sinais públicos e privados de disposição para ampliar a ofensiva, mas depois recuou. Desta vez, porém, sua determinação parece mais firme. Durante um evento da indústria de defesa na Pensilvânia nesta quarta-feira, Trump afirmou que o Irã quer desesperadamente um acordo e que descobrirá em breve se fará um acordo com o país ou se simplesmente terminará a situação. Uma semana antes, porém, ele havia expressado uma visão diferente, afirmando que era uma "perda de tempo" continuar conversando com o Irã.
Essa oscilação reflete a tensão dentro da administração americana sobre a melhor estratégia. O vice-presidente JD Vance, principal negociador do governo com o Irã, ofereceu uma perspectiva diferente durante uma entrevista de três horas ao apresentador Joe Rogan na terça-feira. Vance advertiu que a guerra não será vencida apenas com o uso da força militar. "Você pode bombardeá-los, destruir seus radares, eliminar parte de seus drones e de seus mísseis, mas é muito fácil atacar navios no estreito", disse. "Por isso, é preciso estar disposto a conversar e tentar resolver o problema." Sua posição sugere que, apesar da frustração americana, as negociações permanecerão necessárias para resolver o conflito de forma duradoura.
Citações Notáveis
Temos outras pessoas que farão a campanha terrestre por nós— Donald Trump, em entrevista à Fox News
Você pode bombardeá-los, destruir seus radares, eliminar parte de seus drones e de seus mísseis, mas é muito fácil atacar navios no estreito. Por isso, é preciso estar disposto a conversar e tentar resolver o problema— JD Vance, vice-presidente dos EUA
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
O que exatamente despertou os moradores de Teerã naquela madrugada?
Explosões. Os sistemas de defesa aérea foram acionados contra o que as autoridades iranianas chamam de aeronaves de reconhecimento inimigas. Um residente acordou com uma forte explosão por volta das 4 da manhã.
E isso é parte de um padrão maior?
Sim. Nos últimos cinco dias, os Estados Unidos realizaram ataques diários contra posições iranianas ao longo do Estreito de Ormuz. Bombardearam a ilha de Grande Tunb nesta mesma quarta-feira. Cada ataque destrói radares, lançadores de mísseis — infraestrutura militar.
Qual é o objetivo declarado?
Reduzir a capacidade do Irã de bloquear navios comerciais no Estreito. Mas há algo mais: esses ataques também preparam o terreno para operações muito maiores que Trump está considerando.
Que tipo de operações?
Tomar a ilha de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo iraniano. E bombardear complexos subterrâneos que se acredita estarem ligados ao programa nuclear. Trump confirmou interesse em ambos.
Como o Irã está respondendo?
Não está cedendo. Continua recusando as exigências americanas sobre seu programa nuclear e mantém restrições ao tráfego no Estreito. Isso aumenta a frustração de Trump.
Há espaço para negociações?
Teoricamente, sim. O vice-presidente Vance adverte que força militar sozinha não resolve o problema. Mas Trump oscila entre dizer que o Irã quer desesperadamente um acordo e afirmar que é perda de tempo conversar. A situação é volátil.