A equipe de segurança deixou a arma inoperante para evitar riscos
Em cumprimento a ordem do ministro Alexandre de Moraes, o Exército entregou à Polícia Federal armas vinculadas a Jair Bolsonaro — mas a entrega revelou ausências que aprofundam, em vez de encerrar, as questões em torno do arsenal do ex-presidente. Duas armas não foram localizadas sob custódia militar, e as explicações oferecidas pela defesa — um presente nunca retirado de uma importadora gaúcha e uma pistola encontrada com um segurança não autorizado — desenham um mapa de responsabilidades fragmentadas que agora chega ao Ministério Público.
- O STF ordenou a entrega imediata das armas após a defesa de Bolsonaro revelar que dez delas estavam guardadas em um batalhão do Exército.
- O Exército cumpriu a ordem, mas declarou não ter duas das armas listadas — uma pistola Glock e uma espingarda — criando um paradoxo público entre o que a defesa afirmou e o que a corporação confirmou possuir.
- A pistola Glock foi encontrada com um militar da segurança de Bolsonaro durante uma blitz em Taguatinga, sem autorização do proprietário para o porte — transformando uma questão de custódia em potencial infração legal.
- A própria defesa admitiu que a equipe de segurança havia desativado uma arma registrada no nome de Bolsonaro, citando preocupações com a saúde mental do ex-presidente como justificativa.
- O caso, agora nas mãos do Ministério Público, ultrapassa o controle de arsenal e levanta perguntas sobre cadeia de comando, autoridade legal e o estado de saúde de um ex-chefe de Estado.
O Exército entregou à Polícia Federal armas vinculadas a Jair Bolsonaro, cumprindo ordem do ministro Alexandre de Moraes. A entrega, porém, veio acompanhada de uma negação: dois itens do arsenal não estavam sob controle militar.
A situação começou quando a defesa de Bolsonaro informou ao STF que dez armas estavam guardadas no Batalhão de Polícia do Exército. Moraes ordenou a entrega imediata. Ao cumprir a ordem, o comandante do batalhão declarou não possuir uma Pistola Glock nem uma Espingarda Maestro Arms Company. Para a espingarda, os advogados explicaram que se tratava de um presente ao ex-presidente que nunca foi retirado de uma empresa importadora no Rio Grande do Sul.
A Glock, por sua vez, havia sido encontrada semanas antes em circunstâncias mais graves: um militar da segurança de Bolsonaro foi parado em uma blitz no Distrito Federal portando a arma sem autorização do proprietário e em desacordo com a lei. A defesa reconheceu o episódio e revelou ainda que a própria equipe de segurança havia deixado uma arma registrada em nome do ex-presidente inoperante, alegando preocupações com sua saúde mental.
O emaranhado de autorizações ausentes, armas não localizadas e um arsenal parcialmente desativado por razões de saúde agora segue para o Ministério Público — tocando em questões que vão muito além do simples controle de armamento.
O Exército entregou à Polícia Federal um lote de armas vinculadas a Jair Bolsonaro na última semana, cumprindo ordem do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal. Mas a entrega veio acompanhada de uma negação: dois itens do arsenal não estão sob controle militar, segundo comunicado da corporação.
O caso começou quando a defesa de Bolsonaro informou ao STF, na sexta-feira anterior, que dez armas estavam guardadas no Batalhão de Polícia do Exército. Duas delas, segundo os advogados, já tinham sido entregues à Polícia Federal em abril de 2023, após determinação do Tribunal de Contas da União. As oito restantes, afirmaram, permaneciam no batalhão. Moraes então ordenou a entrega imediata de tudo que estivesse em poder militar.
Quando o Exército cumpriu a ordem, porém, o Comandante do Batalhão de Polícia informou que não possuía duas das armas mencionadas: uma Pistola Glock e uma Espingarda Maestro Arms Company. A defesa de Bolsonaro, questionada sobre o paradoxo, ofereceu explicações distintas para cada uma. Quanto à espingarda, os advogados disseram que ela se encontra em uma empresa importadora de artigos bélicos no Rio Grande do Sul. Segundo a defesa, tratava-se de um presente ao ex-presidente que nunca foi retirado das dependências da importadora, razão pela qual permanece lá até agora.
O número de série da Pistola Glock, porém, coincide com o de uma arma apreendida em circunstâncias bem mais delicadas. No mês anterior, um militar do Exército chamado Estácio Leite da Silva Filho, que trabalha na segurança de Bolsonaro, foi parado em uma blitz da Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal, portando essa arma. Segundo a corporação, Estácio não tinha autorização do proprietário para transitar com a arma e estava em desacordo com as exigências legais.
A defesa de Bolsonaro reconheceu que o ex-presidente pediu ajuda a um militar do Gabinete de Segurança Institucional para consertar uma arma registrada em seu nome. Em documento enviado ao STF, os advogados afirmaram que a própria equipe de segurança de Bolsonaro havia deixado a arma inoperante para evitar riscos, citando as condições de saúde mental do político como justificativa.
O emaranhado de armas, autorizações faltantes, presentes não retirados e militares portando armamento sem permissão do proprietário agora segue para análise do Ministério Público. A investigação toca em questões que vão além do simples controle de arsenal: a cadeia de comando sobre o acesso às armas, a autoridade legal para transportá-las, e as circunstâncias que levaram a equipe de segurança a desativar uma arma sob alegação de risco à saúde mental do ex-presidente.
Notable Quotes
A arma teria sido um presente ao ex-presidente e que não chegou a ser retirada por Bolsonaro— Defesa de Bolsonaro, sobre a espingarda
A própria equipe de segurança de Bolsonaro tinha deixado a arma de fogo inoperante para evitar riscos, frente às condições de saúde mental do político— Advogados de Bolsonaro, em documento ao STF
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Exército nega ter essas duas armas se elas estão vinculadas a Bolsonaro?
Porque não estão fisicamente no batalhão. Uma está em uma importadora no Rio Grande do Sul, nunca foi retirada. A outra é mais complicada — o número de série bate com a arma que um militar foi pego portando ilegalmente.
Então a defesa está dizendo que uma arma de presente nunca saiu da caixa?
Exatamente. Segundo eles, foi um presente que Bolsonaro nunca retirou da importadora. Parece estranho, mas é o que alegam.
E quanto ao militar que foi parado com a arma?
Estácio estava portando sem autorização do proprietário e sem documentação legal. A defesa depois reconheceu que Bolsonaro pediu ajuda para consertar essa arma, e que a equipe de segurança a havia desativado por questões de saúde mental.
Saúde mental? Que tipo de risco?
A defesa não detalha, mas menciona que a equipe deixou a arma inoperante para evitar riscos. É uma alegação que agora está nos autos.
Isso tudo vai para o Ministério Público?
Sim. O STF ordenou a entrega, o Exército entregou o que tinha, e agora a PF e o MP precisam montar o quebra-cabeça de quem tinha autorização para quê, quando e por quê.