Ex-presidente iraniano Ahmadinejad preso por suspeita de colaboração com Israel

Ahmadinejad foi retirado de sua residência em Teerã por agentes do Mossad durante ataque aéreo israelense, colocando em risco sua segurança pessoal.
O homem que desafiou o Ocidente agora enfrenta acusações de traição
Ahmadinejad passa de presidente controverso a detido sob suspeita de colaboração com Israel.

Mahmoud Ahmadinejad, que governou o Irã por oito anos com retórica inflamada e política nuclear desafiadora, encontra-se agora em prisão domiciliar sob custódia da inteligência da Guarda Revolucionária — acusado de manter contatos secretos com Israel, a nação que ele próprio ameaçou publicamente por décadas. A ironia é densa: o homem que personificou o confronto com o Ocidente e com Tel Aviv teria sido, segundo as autoridades iranianas, recrutado pelo Mossad como peça de uma eventual mudança de regime. O caso revela como as trajetórias do poder raramente terminam onde começam, e como o isolamento político pode abrir portas inesperadas — e perigosas.

  • A inteligência iraniana descobriu o que descreve como um esquema de recrutamento de longo prazo: Israel teria planejado transformar Ahmadinejad em líder de um governo alternativo caso o regime fosse derrubado.
  • Reuniões secretas em Budapeste e um encontro pessoal com o então chefe do Mossad, David Barnea, formam o núcleo das acusações que levaram à prisão domiciliar do ex-presidente.
  • Durante os primeiros dias da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, agentes israelenses teriam retirado Ahmadinejad de sua residência em Teerã sob ataque aéreo — uma operação de resgate que, segundo as fontes, acabou fracassando.
  • A detenção é a mais grave de uma série de exclusões: desde 2017, o Conselho dos Guardiães já havia impedido Ahmadinejad de concorrer a três eleições presidenciais consecutivas.
  • O que começou como um rompimento com o aiatolá Khamenei em 2011 culmina agora em uma acusação de traição — marcando o fim de uma trajetória política que foi do centro do poder ao isolamento total.

Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã entre 2005 e 2013, está em prisão domiciliar sob vigilância da divisão de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica. Segundo o The New York Times, com base em fontes iranianas e americanas, as autoridades iranianas descobriram contatos não autorizados entre o ex-presidente e agentes israelenses — parte de um suposto plano de recrutamento de longo prazo.

Israel teria desenvolvido uma estratégia para transformar Ahmadinejad em ativo de inteligência e eventual líder de um governo iraniano alternativo em caso de mudança de regime. As reuniões secretas teriam ocorrido em Budapeste e incluíram um encontro pessoal com David Barnea, então chefe do Mossad. Durante os primeiros dias da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, no final de fevereiro, agentes israelenses teriam retirado Ahmadinejad de sua residência em Teerã após um ataque aéreo — uma tentativa de colocá-lo em segurança para executar o plano, que acabou fracassando.

A prisão encerra uma trajetória política já marcada pelo isolamento progressivo. Ahmadinejad começou seu mandato como figura de confiança do clero xiita e dos conservadores, mas sua política nuclear gerou sanções internacionais e crise econômica. Suas declarações antissemitas e a negação do Holocausto aprofundaram o isolamento do Irã no cenário global.

O rompimento definitivo com o aiatolá Khamenei veio em 2011, quando Ahmadinejad tentou expandir os poderes da presidência em detrimento da liderança clerical. As consequências foram duradouras: o Conselho dos Guardiães o impediu de concorrer às eleições de 2017, 2021 e 2024. A prisão domiciliar atual representa a escalada final dessa exclusão — não mais apenas afastado das urnas, mas detido sob acusação de colaboração com uma potência estrangeira.

Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã que governou entre 2005 e 2013, está agora em prisão domiciliar. Segundo o The New York Times, ele foi colocado sob vigilância pela divisão de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica após autoridades iranianas descobrirem o que descrevem como contatos não autorizados entre o ex-presidente e agentes de inteligência israelenses.

Os detalhes da acusação, conforme relatados pelo jornal americano com base em fontes iranianas e americanas, sugerem um esquema de recrutamento de longo prazo. Israel teria desenvolvido um plano para transformar Ahmadinejad em um ativo de inteligência e, eventualmente, utilizá-lo como líder de um governo iraniano alternativo em caso de mudança de regime. As reuniões secretas teriam ocorrido em Budapeste, na Hungria, e incluíram um encontro pessoal com David Barnea, então chefe do Mossad.

O timing da prisão domiciliar coincide com um período de tensão extrema na região. No final de fevereiro, durante os primeiros dias da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, agentes do Mossad teriam retirado Ahmadinejad de sua residência em Teerã após um ataque aéreo israelense atingir o complexo onde vivia. De acordo com autoridades americanas e iranianas ouvidas pelo Times, o objetivo era colocá-lo em segurança para executar o plano de mudança de regime — uma iniciativa que, segundo as mesmas fontes, acabou fracassando.

A prisão marca um ponto final em uma trajetória política já marcada pelo isolamento. Durante seus oito anos de mandato, Ahmadinejad começou como figura de confiança do clero xiita governante e dos conservadores do Parlamento. Sua política nuclear, porém, resultou em sanções internacionais sucessivas e em uma crise econômica que minaria seu apoio doméstico. Suas declarações antissemitas e a negação do Holocausto atraíram críticas globais e contribuíram para o isolamento internacional do Irã em razão das ameaças militares contra Israel.

Ao final de seu mandato, até mesmo os linha-dura que o apoiavam inicialmente o viam como uma figura controversa. Seus esforços para expandir os poderes da presidência em detrimento da liderança clerical — particularmente através de um conflito aberto sobre o Ministério da Inteligência em 2011 — provocaram um rompimento com o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do país.

Esse rompimento teve consequências duradouras. O Conselho dos Guardiães, composto por doze clérigos e advogados nomeados pelo líder supremo, impediu Ahmadinejad de concorrer às eleições presidenciais de 2017, 2021 e 2024. Sua prisão domiciliar atual representa uma escalada dessa exclusão política — não apenas impedido de participar do processo eleitoral, mas agora detido sob acusação de colaboração com uma potência estrangeira.

Israel teria desenvolvido, ao longo dos últimos anos, um plano para recrutar Ahmadinejad como ativo de inteligência e, futuramente, utilizá-lo como líder do Irã em uma eventual mudança de regime
— The New York Times, citando autoridades iranianas e americanas
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que um ex-presidente que já estava afastado do poder há mais de uma década se tornaria alvo de uma operação de recrutamento israelense?

Model

Porque ele ainda tinha valor. Ahmadinejad mantinha uma base de apoiadores, uma voz pública, e — crucialmente — conhecimento profundo das estruturas de poder iraniano. Para Israel, ele representava uma possível ponte para um futuro governo alternativo.

Inventor

A prisão domiciliar é uma forma de punição ou de contenção?

Model

Provavelmente ambas. Contém-no fisicamente enquanto a inteligência iraniana investiga a extensão dos contatos. Mas também o humilha publicamente — o homem que uma vez desafiou o Ocidente agora é acusado de traição.

Inventor

O plano de mudança de regime fracassou rapidamente?

Model

Parece que sim. Os agentes do Mossad o retiraram de Teerã durante um ataque aéreo, mas o que aconteceu depois não está claro. Talvez ele tenha recusado cooperar plenamente, ou talvez as circunstâncias da guerra tornaram o plano inviável.

Inventor

Qual é o significado político mais amplo disso?

Model

Mostra que mesmo figuras aparentemente marginalizadas podem ser peças em jogos geopolíticos maiores. Ahmadinejad estava fora do poder, mas não estava fora do jogo — até agora.

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