Ex-assessor de Bolsonaro pede a Moraes volta de advogados destituídos

A retirada dos advogados foi abusiva e viola meus direitos inalienáveis
Filipe Martins argumenta na carta que a destituição ocorreu sem sua oitiva prévia e sem contraditório.

Em um processo que investiga uma suposta trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes destituiu os advogados de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, por não apresentarem alegações finais no prazo legal — gesto que a defesa interpreta como violação de garantias constitucionais fundamentais. Martins respondeu com uma carta manuscrita ao próprio ministro, recusando a Defensoria Pública e insistindo no direito inalienável de escolher seus defensores de confiança. O episódio ilumina uma tensão antiga entre a autoridade do tribunal em manter o ritmo processual e a liberdade do acusado de ser representado por quem ele mesmo escolheu. O desfecho será buscado nos tribunais superiores e nos órgãos de classe, onde a legitimidade de cada lado será posta à prova.

  • Moraes destituiu os advogados de Martins na noite de 9 de outubro, acusando-os de litigância de má-fé por não entregarem as alegações finais até o prazo de 7 de outubro — decisão que sacudiu a defesa e acelerou o conflito.
  • Martins recusou categoricamente a representação pela Defensoria Pública, escrevendo de próprio punho ao ministro para exigir a reconsideração da medida e reafirmar sua confiança nos advogados afastados.
  • O advogado Jeffrey Chiquini rebateu a acusação de inércia, afirmando que as alegações foram entregues por meio de petição incidental, e prometeu denúncias à OAB e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
  • O caso não é isolado: Marcelo Câmara, outro ex-assessor de Bolsonaro, também teve seus quatro advogados destituídos pela mesma razão, revelando um padrão de tensão entre a defesa e o tribunal.
  • A defesa de Câmara anunciou que apresentará as alegações finais até 23 de outubro e buscará permanecer nos autos, sinalizando que a disputa está longe de encerrada.

Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, escreveu uma carta manuscrita ao ministro Alexandre de Moraes pedindo que reconsiderasse a destituição de seus advogados no processo que investiga a trama golpista. Martins rejeitou a alternativa da Defensoria Pública e insistiu que apenas Ricardo Scheiffer Fernandes e Jeffrey Chiquini da Costa poderiam representá-lo.

Moraes havia afastado os advogados na noite de 9 de outubro, alegando litigância de má-fé: nenhum dos dois apresentou as alegações finais até as 23h59 de 7 de outubro, protocolando apenas uma "petição incidental" — o que o ministro interpretou como tentativa deliberada de procrastinar o processo.

Na carta, Martins classificou a medida como "abusiva" e violadora de seus direitos inalienáveis, argumentando que não houve abandono de causa, mas atuação técnica legítima. Destacou ainda que a destituição ocorreu sem sua oitiva prévia, ferindo garantias elementares do contraditório.

O caso não foi isolado. Marcelo Câmara, outro ex-assessor de Bolsonaro, também teve seus quatro advogados destituídos pelo mesmo motivo, com Moraes determinando que a Defensoria Pública assumisse a representação para garantir a continuidade do processo.

O advogado Jeffrey Chiquini negou inércia e prometeu recorrer à OAB e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A defesa de Câmara, por sua vez, anunciou que apresentará as alegações finais até 23 de outubro e lutará para permanecer nos autos. O conflito expõe uma tensão central entre a autoridade do tribunal em coibir obstruções e o direito constitucional do acusado de escolher livremente seu defensor — disputa cujo próximo capítulo será escrito nos tribunais superiores.

Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, pegou na caneta e escreveu uma carta de próprio punho ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O pedido era direto: que o magistrado reconsiderasse a decisão de afastar seus advogados do processo que investiga a trama golpista. Martins não aceitava a alternativa oferecida — ser representado pela Defensoria Pública da União — e insistia que apenas Ricardo Scheiffer Fernandes e Jeffrey Chiquini da Costa o defendessem.

Moraes havia destituído os advogados na noite de 9 de outubro, acusando-os de litigância de má-fé. O motivo: deixaram de apresentar as alegações finais dentro do prazo estabelecido, que se encerrava às 23h59 de terça-feira, 7 de outubro. Em seu despacho, o ministro foi específico. Martins tinha dois advogados e nenhum deles cumpriu o prazo. Em vez disso, protocolaram apenas um documento chamado "petição incidental". Para Moraes, isso configurava uma tentativa clara de procrastinar o processo sem amparo legal.

Na carta, Martins argumentava que a retirada dos advogados havia sido "abusiva e viola frontalmente" seus direitos inalienáveis. Ele enfatizava que não havia abandono de causa, mas sim "atuação técnica legítima" voltada à preservação do contraditório e da paridade de armas. Sustentava ainda que a destituição ocorreu sem sua oitiva prévia e sem contraditório, violando garantias elementares em um regime democrático. A jurisprudência do Supremo e do Superior Tribunal de Justiça, segundo ele, reconhecia amplamente o direito de escolher livremente o defensor de confiança.

O caso de Martins não era isolado. Marcelo Câmara, outro ex-assessor de Bolsonaro, também teve seus advogados destituídos pela mesma razão. Câmara contava com quatro defensores, mas nenhum apresentou as alegações finais no prazo. Moraes determinou que a Defensoria Pública os representasse para garantir a continuidade da defesa.

A reação dos advogados foi de resistência. Jeffrey Chiquini afirmou que havia entregado as alegações finais por meio da petição incidental e que não houve inércia da defesa. Prometeu se insurgir contra o que chamou de "abuso", protocolando denúncias junto à Ordem dos Advogados do Brasil, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e outros órgãos. Criticou Moraes por destituir os advogados sem oitiva prévia e sem gradação, violando o contraditório substancial e tentando privar Martins de seus defensores de confiança.

A defesa de Câmara também se manifestou, dizendo-se surpreendida com a decisão. O advogado Eduardo Kuntz argumentou que havia diligências pendentes de serem entregues por decisão do próprio ministro. A defesa anunciou que adotaria providências cabíveis para permanecer nos autos e que apresentaria as alegações finais até 23 de outubro, contando-se 15 dias da juntada do documento, ainda que incompleto.

O conflito expõe uma tensão fundamental: de um lado, a autoridade do tribunal em garantir o andamento processual e coibir práticas que o retardem; do outro, o direito constitucional do acusado de ser representado por advogado de sua confiança. Os defensores argumentam que Moraes agiu sem as salvaguardas procedimentais que a lei exige. O ministro, por sua vez, vê na conduta dos advogados uma tentativa deliberada de obstruir a justiça. O próximo capítulo será escrito nos tribunais superiores e nos órgãos de classe.

A destituição dos meus advogados, realizada sem minha oitiva e sem prévio contraditório, é abusiva e viola frontalmente seus direitos inalienáveis
— Filipe Martins, em carta ao ministro Moraes
Não houve abandono de causa, mas sim atuação técnica legítima, voltada à preservação do contraditório e da paridade de armas
— Filipe Martins, em sua defesa
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Moraes destituiu os advogados se havia uma petição incidental protocolada?

Model

Moraes considerou que a petição incidental não era a peça processual adequada para as alegações finais. Para ele, foi uma manobra para ganhar tempo, não uma defesa técnica legítima.

Inventor

Martins realmente não autorizou a Defensoria Pública a representá-lo?

Model

Não. Ele foi explícito na carta: não autorizou, não solicitou e não consente. Quer apenas seus dois advogados. É uma recusa clara.

Inventor

Os advogados têm alguma chance de voltar aos autos?

Model

Tecnicamente, sim. Eles prometem recorrer e denunciar Moraes à OAB e à Comissão Interamericana. Mas o ministro tem poder para manter a decisão enquanto o processo segue.

Inventor

Isso é realmente abusivo, como Martins afirma?

Model

Depende da perspectiva. Se houve procrastinação deliberada, Moraes tem legitimidade. Se foi apenas uma escolha processual diferente, então sim, pode ser abusivo.

Inventor

Qual é o risco real para Martins agora?

Model

Ser representado por um defensor público que ele não escolheu, em um processo sobre trama golpista. Perde a relação de confiança que tinha com seus advogados.

Inventor

Por que Câmara tinha quatro advogados e ainda assim não apresentou as alegações?

Model

Não está claro. Pode ter sido desorganização, ou uma estratégia deliberada. Mas o resultado foi o mesmo: ambos foram destituídos.

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