Estou em todas as listas. Vi hoje de manhã, estou em cada uma delas.
Em meio a ataques militares, cessar-fogos frágeis e divergências estratégicas entre aliados, Israel transmitiu aos Estados Unidos informações de inteligência indicando um suposto plano iraniano para assassinar o presidente Donald Trump. A revelação, confirmada pelo The Wall Street Journal em 9 de julho, emerge num momento em que o Oriente Médio oscila entre a guerra aberta e a negociação precária — e em que o próprio Trump admite, publicamente, viver sob ameaça constante. A história de nações que se aliam por conveniência e divergem por ambição encontra aqui mais um de seus capítulos.
- Israel alertou a Casa Branca sobre um novo plano iraniano para matar Trump, elevando o nível de tensão num conflito que já custou ao menos 14 vidas em ataques americanos a instalações militares iranianas.
- O próprio Trump antecipou a revelação ao declarar, na Turquia, que está 'em todas as listas' de ameaças — reconhecendo abertamente a vulnerabilidade de sua posição.
- Netanyahu pressiona pela ampliação dos ataques militares contra o Irã, enquanto Trump sinaliza preocupação com os impactos econômicos globais, especialmente a alta dos combustíveis ligada ao controle iraniano do Estreito de Ormuz.
- Um cessar-fogo firmado no mês anterior desmoronou com novos ataques na semana, ferindo 78 pessoas e deixando as esperanças de estabilização regional em ruínas.
- Apesar das divergências públicas, Trump e Netanyahu conversaram na quinta-feira e reafirmaram 'coordenação entre os países' — um equilíbrio frágil entre aliados com objetivos estratégicos cada vez mais distintos.
Os serviços de inteligência israelenses transmitiram ao governo americano informações sobre o que descrevem como um novo plano iraniano para assassinar o presidente Donald Trump. A revelação foi reportada pelo The Wall Street Journal em 9 de julho e confirmada por fontes familiarizadas com o assunto. Nem Israel nem o Irã se manifestaram publicamente sobre o caso.
Trump havia antecipado o tema um dia antes, durante a cúpula da Otan na Turquia, ao dizer a jornalistas que estava presente em 'todas as listas' de ameaças. 'Até agora tive um pouco de sorte, mas talvez isso não dure muito tempo', afirmou o presidente americano, com uma franqueza incomum sobre os riscos à sua própria vida.
O pano de fundo é de tensão crescente entre Trump e Netanyahu. O primeiro-ministro israelense quer ampliar os ataques militares contra o Irã; Trump prefere alternativas ao conflito, preocupado com os efeitos econômicos globais — sobretudo a pressão sobre os preços do petróleo, dado que o Irã reivindica o controle do Estreito de Ormuz.
A semana foi marcada por novos ataques americanos a 90 instalações militares iranianas, que deixaram ao menos 14 mortos e 78 feridos, frustrando um cessar-fogo firmado no mês anterior. O sistema de defesa aéreo iraniano interceptou parte dos ataques, mas não evitou as baixas.
Apesar das divergências, os dois líderes conversaram na quinta-feira e reafirmaram compromisso com a 'coordenação entre os países'. A Casa Branca não ofereceu detalhes adicionais sobre a inteligência compartilhada por Israel. O que permanece evidente é que a região segue em ponto de ebulição, com negociações instáveis e estratégias que raramente convergem.
Os serviços de inteligência israelenses passaram adiante ao governo americano informações sobre o que descrevem como um novo plano iraniano para assassinar o presidente Donald Trump. A revelação, reportada pelo The Wall Street Journal na quinta-feira, 9 de julho, foi confirmada pela publicação junto a fontes familiarizadas com o assunto. Nem a embaixada de Israel em Washington nem a Missão do Irã nas Nações Unidas responderam aos pedidos de comentário sobre o caso.
Trump já havia mencionado publicamente as ameaças contra sua vida um dia antes, durante uma visita à Turquia para participar de uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte. "Eles querem eliminar o líder dos Estados Unidos: eu", disse ele a jornalistas turcos. O presidente americano foi além, afirmando estar presente em múltiplas listas de ameaças. "Estou em todas as listas. Vi hoje de manhã, estou em cada uma das listas deles. E até agora, acho que tive um pouco de sorte, mas talvez isso não dure muito tempo", completou.
O contexto dessa revelação é marcado por tensões crescentes entre Trump e o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. Nos últimos dias, os dois líderes divergiram significativamente sobre a estratégia a ser adotada contra o Irã. Netanyahu tem pressionado pela continuação e ampliação dos ataques militares, buscando atingir mais objetivos de guerra. Trump, por sua vez, tem sinalizado interesse em encontrar alternativas ao conflito, citando preocupações com os impactos econômicos globais. A inflação dos combustíveis é uma das principais inquietações do presidente americano, especialmente considerando que o Irã reivindica o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte da produção mundial de petróleo.
Os Estados Unidos haviam fechado um acordo de cessar-fogo com o Irã no mês anterior, mas novos ataques na semana em questão frustraram as esperanças de estabilização na região. Segundo autoridades iranianas, ataques americanos a 90 instalações militares iranianas realizados na terça e quarta-feira deixaram ao menos 14 pessoas mortas e outras 78 feridas. O sistema de defesa aéreo iraniano conseguiu interceptar parte do ataque, mas não impediu as perdas.
Apesar das divergências públicas, Trump e Netanyahu conversaram na quinta-feira, conforme informado pelo gabinete do primeiro-ministro israelense. De acordo com o comunicado, os dois concordaram em manter a "coordenação entre os países". A Casa Branca, por sua vez, encaminhou ao The Wall Street Journal os comentários que Trump havia feito na véspera sobre as ameaças à sua vida, sem oferecer detalhes adicionais sobre a inteligência compartilhada por Israel. O que fica claro é que a região continua em ponto de ebulição, com negociações frágeis e objetivos estratégicos divergentes entre os principais atores envolvidos.
Citas Notables
Eles querem eliminar o líder dos Estados Unidos: eu— Donald Trump, durante visita à Turquia
Trump e Netanyahu concordaram em manter a coordenação entre os países— Gabinete do primeiro-ministro israelense
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Israel compartilharia essa informação especificamente agora, em um momento de tensão com Trump?
Porque a segurança do presidente americano é também a segurança de Israel. Se algo acontecer com Trump, a política externa dos EUA muda radicalmente. Netanyahu precisa manter os americanos engajados na região.
Mas Trump está pedindo para sair do conflito. Isso não contradiz o interesse de Israel?
Exatamente. Netanyahu quer que Trump veja o Irã como uma ameaça existencial — não apenas para Israel, mas para ele pessoalmente. É uma forma de pressionar o presidente a manter o curso.
E quanto à economia? Trump mencionou preocupações com o petróleo.
O Estreito de Ormuz é um gargalo. Se o conflito escalar, os preços disparam. Trump está preso entre a pressão de Netanyahu para continuar atacando e a realidade de que isso pode quebrar a economia americana antes das eleições.
O cessar-fogo durou quanto tempo?
Menos de um mês. Os novos ataques americanos destruíram qualquer esperança de paz real. Agora há 14 mortos, 78 feridos, e ninguém está falando em negociação.
Qual é o próximo passo provável?
Depende de Trump. Se ele acredita na inteligência sobre o plano de assassinato, pode usar isso como justificativa para novos ataques — o que Netanyahu quer. Se ignorar, sinaliza fraqueza. Ou ele encontra uma terceira via que ninguém vê ainda.