Eram informações antigas. Sabiam disso dias depois.
Bancos de dados críticos alertavam que inteligência sobre alvos iranianos tinha mais de 10 anos e precisava reavaliação antes de ataques. Comandantes priorizaram 'agilidade' e velocidade na aprovação de alvos sob pressão pré-guerra, negligenciando protocolos de segurança de civis.
- Ataque a 28 de fevereiro à escola Shajareh Tayyiba em Minab matou 168 crianças e 14 professores
- Dados de inteligência sobre o alvo tinham mais de 10 anos e não foram atualizados antes dos ataques
- Equipe de proteção civil no Comando Central reduzida de 10 para 1 funcionário em tempo integral
- Bancos de dados alertavam sobre informações desatualizadas, mas comandantes ignoraram os avisos
Altos comandantes militares dos EUA ignoraram alertas sobre informações de inteligência desatualizadas e aprovaram ataque que atingiu escola no Irã, matando quase 200 crianças e adultos.
No final de fevereiro, quando os Estados Unidos iniciaram operações militares contra o Irã, os comandantes americanos enfrentavam uma pressão implacável: fornecer alvos rapidamente, muito rapidamente. Nos bancos de dados que alimentavam as decisões sobre onde bombardear, porém, havia mensagens de alerta piscando. As informações sobre muitos dos locais que seriam atacados tinham mais de dez anos. Precisavam ser reavaliadas. Os comandantes ignoraram esses avisos. Semanas depois, uma escola primária em Minab foi destruída. Cento e sessenta e oito crianças e quatorze professores morreram.
Segundo três fontes familiarizadas com o processo de tomada de decisão, a escolha de ignorar os alertas foi deliberada. Os militares priorizavam o que chamavam de "agilidade" — a capacidade de identificar e aprovar alvos com velocidade. Sob essa lógica, os comandantes de alta patente continuaram aprovando ataques mesmo quando os sistemas de inteligência sinalizavam que os dados subjacentes eram antigos demais para serem confiáveis. A escola Shajareh Tayyiba, em Minab, estava próxima a uma instalação da Guarda Revolucionária Islâmica. As imagens de satélite de 2013 mostravam que ambas faziam parte do mesmo complexo. Mas em 2016, uma cerca foi erguida para separá-las. Uma entrada exclusiva foi construída para a escola. Em dezembro de 2025, fotos mostravam dezenas de pessoas brincando no pátio. Os dados no banco de dados do Pentágono, porém, ainda refletiam a configuração de 2013.
O ataque ocorreu no primeiro dia das operações. Os analistas de inteligência estavam sob pressão extrema para atualizar registros sobre milhares de locais após a decisão de Trump de iniciar o combate. Eles não conseguiram. Como resultado, priorizaram os alvos que consideravam mais perigosos — mísseis móveis, aeronaves, instalações de lançamento. Esses eram os alvos de "primeiro escalão". Locais fixos, como a escola, eram considerados de escalão inferior. Ninguém as atualizou a tempo. Uma fonte descreveu a lógica: "Foi a maneira como revalidavam rapidamente os alvos, priorizando o que considerávamos mais perigoso para as forças dos EUA e para a missão."
Os sistemas de banco de dados — o MIDB, criado na década de 1980 e ainda dependente de entrada manual de dados, e o Mars, uma plataforma mais recente baseada em inteligência artificial — ambos sinalizavam claramente que as informações iranianas precisavam de atualização. Um analista havia até notado mudanças no local em uma ferramenta de inteligência digital separada. Mas essa ferramenta não estava integrada ao banco de dados oficial usado para definir alvos. A informação nunca chegou aos comandantes. Autoridades militares americanas souberam, poucos dias após o ataque, que o erro havia ocorrido. Eram informações antigas.
Meses depois, o Pentágono ainda não divulgou sua investigação. Um funcionário da Casa Branca disse à CNN que o processo estava em andamento e reafirmou que "os Estados Unidos não têm civis como alvo". Mas as pressões que levaram ao ataque eram estruturais. O secretário de Defesa Pete Hegseth havia reduzido drasticamente os programas de Mitigação e Resposta a Danos a Civis — as equipes responsáveis por avaliar riscos a civis antes dos ataques. No Comando Central, a equipe de dez pessoas foi reduzida para um funcionário em tempo integral. Especialistas em danos a civis foram removidos das equipes de seleção de alvos. Hegseth havia promovido uma filosofia de "letalidade máxima, não legalismo tímido", removendo restrições que ele via como obstáculos à velocidade operacional.
Uma fonte descreveu o ambiente: "O Pentágono está pressionando todos para agirem mais rápido." Havia pessoas vindas de fundos de investimento e personalidades da mídia envolvidas nas decisões. A liderança do Comando Central não ofereceu resistência. Outra fonte, refletindo sobre as equipes de proteção civil, disse: "Eu sei que a equipe do Centcom ainda tentava realizar o melhor trabalho possível; eles simplesmente não contavam com o pessoal nem com os recursos necessários por causa de Hegseth."
O ataque à escola Shajareh Tayyiba se tornaria um dos maiores casos de vítimas civis na história militar recente dos Estados Unidos. A investigação continua, meses depois, sem ser divulgada publicamente. O que emergiu, porém, é um retrato de como a pressão por velocidade, a falta de pessoal, dados desatualizados e alertas ignorados convergiram em uma única decisão — e em quase duzentas mortes.
Citações Notáveis
O Pentágono está pressionando todos para agirem mais rápido— Fonte familiarizada com o processo de tomada de decisão
Eu sei que a equipe de CHMR do Centcom ainda tentava realizar o melhor trabalho possível; eles simplesmente não contavam com o pessoal nem com os recursos necessários por causa de Hegseth— Fonte sobre os cortes de Hegseth em programas de proteção civil
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que os comandantes ignoraram especificamente esses alertas? Havia uma razão operacional clara, ou foi negligência?
Não era negligência no sentido de desatenção. Era uma escolha consciente feita sob pressão. Os sistemas estavam dizendo "esses dados têm dez anos, precisam ser reavaliados", mas havia uma guerra começando e uma demanda por alvos agora. Os comandantes decidiram que a velocidade era mais importante que a certeza.
E quanto aos analistas? Eles não poderiam ter simplesmente atualizado os registros antes dos ataques começarem?
Teoricamente, sim. Mas havia milhares de locais para verificar e um cronograma impossível. Então priorizaram. Mísseis móveis, aeronaves — coisas que se movem e que você precisa localizar rápido. Uma escola fixa em um banco de dados antigo? Isso ficou para depois. Depois nunca chegou.
A escola estava claramente separada da base militar em 2016. Como ninguém viu isso?
Um analista viu. Ele notou a mudança em uma ferramenta de inteligência digital. Mas essa ferramenta não estava conectada ao banco de dados oficial que alimentava as decisões de ataque. A informação existia. Simplesmente não estava no lugar certo, no momento certo, para ser usada.
Hegseth cortou os programas de proteção civil. Isso foi intencional?
Ele tinha uma filosofia clara: remover o que ele chamava de "legalismo tímido". Queria que os comandantes agissem mais rápido. Então cortou as equipes que existiam para dizer "espera, isso pode matar civis". No Comando Central, uma equipe de dez pessoas virou uma pessoa. É difícil fazer muito trabalho com uma pessoa.
Então o ataque não foi um acidente isolado. Foi o resultado de escolhas políticas.
Exatamente. Não foi um erro técnico. Foi uma série de decisões — priorizar velocidade sobre verificação, reduzir pessoal de proteção civil, ignorar alertas de dados antigos — que convergiram. Cada uma delas parecia racional isoladamente. Juntas, levaram a quase duzentas mortes.
E a investigação? O que vai acontecer agora?
Meses depois, ainda não foi divulgada. A Casa Branca diz que está em andamento. Mas o padrão está claro: pressão por velocidade, falta de recursos, dados antigos, alertas ignorados. Essas são as condições que permitem que erros dessa magnitude aconteçam.