EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação comercial

Três temas concentraram os principais impasses nas tratativas
O governo Lula identifica PIX, etanol e moratória digital como pontos que o Brasil não negocia com os EUA.

Em 15 de julho de 2026, os Estados Unidos concluíram um ano de investigação comercial e anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho. A medida, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, reflete a tensão crescente entre duas nações cujas economias se entrelaçam profundamente, mas cujas visões sobre soberania, regulação e reciprocidade divergem de forma cada vez mais explícita. Enquanto Washington enquadra a decisão como resposta a práticas comerciais injustas, Brasília a lê como um gesto político — e ambos os lados sabem que o que está em jogo vai além das tarifas.

  • A partir de 22 de julho, exportadores brasileiros enfrentarão uma sobrecarga de 25% nas vendas aos EUA, com risco de escalada para 37,5% caso uma segunda investigação sobre trabalho forçado resulte em tarifas cumulativas.
  • Washington acusa o Brasil de barreiras no PIX, no etanol, no combate ao desmatamento e na proteção de empresas de tecnologia americanas — uma lista que o governo Lula considera, em grande parte, inegociável.
  • Setores como café, petróleo, carne bovina e celulose foram isentos, revelando que os EUA calibraram a punição para evitar danos ao próprio consumidor e às cadeias produtivas americanas.
  • Representantes da indústria e do agronegócio brasileiro compareceram a audiências públicas em Washington nos dias 6 e 7 de julho, alertando que a medida prejudicaria não apenas o Brasil, mas também empresas e consumidores americanos.
  • O governo Lula avalia acionar a Lei de Reciprocidade Econômica para retaliar, enquanto mantém canais de negociação abertos — uma postura que reflete tanto a pressão interna quanto a consciência de que uma guerra comercial plena seria custosa para ambos os lados.

Na quarta-feira, 15 de julho, o governo americano encerrou um ano de investigação e anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com início em 22 de julho. A decisão, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, veio acompanhada de uma lista de isenções estratégicas: petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram de fora — produtos cuja tributação impactaria diretamente o consumidor americano ou não encontraria substitutos domésticos suficientes.

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) acusa o Brasil de práticas que oneram o comércio bilateral: o sistema de pagamentos PIX, restrições ao etanol americano, falhas no combate ao desmatamento, pirataria, decisões judiciais contra plataformas digitais americanas e acordos preferenciais com terceiros países. Segundo Washington, um ano de negociações não foi suficiente para reverter essas práticas.

O governo Lula discorda frontalmente. Para o Palácio do Planalto, os principais impasses giraram em torno do PIX, do etanol e de uma proposta americana de moratória fiscal para plataformas digitais — todos considerados inegociáveis. O Itamaraty rebateu cada acusação formalmente, argumentando que o PIX é infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras, e que as decisões judiciais brasileiras aplicam leis internas de forma isonômica.

Antes da decisão final, audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho reuniram representantes da CNI, Fiesp, CNA e setores como café, mel e ferro-gusa, todos alertando para os custos mútuos da medida. O senador Flávio Bolsonaro também participou por iniciativa própria, pedindo adiamento para novas negociações.

O cenário pode se agravar: uma segunda investigação, também baseada na Seção 301, prevê sobretaxa adicional de 12,5% para países que não combateram suficientemente o trabalho forçado — o que poderia elevar a cobrança total sobre parte das exportações brasileiras a 37,5%. O governo Lula analisa a lista final de produtos afetados e avalia acionar a Lei de Reciprocidade Econômica. As negociações seguem abertas, mas a partir de 22 de julho o Brasil terá de escolher entre ceder em pontos que considera inegociáveis ou enfrentar Washington com retaliações próprias.

Na quarta-feira, 15 de julho, o governo americano encerrou um ano de investigação comercial com uma decisão que vai reconfigurar parte do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A partir de 22 de julho, uma tarifa adicional de 25% incidirá sobre produtos brasileiros — mas não sobre todos. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) manteve fora da cobrança itens que Washington considera sensíveis: petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose. A escolha revela uma lógica clara. Esses produtos ou impactariam significativamente os preços ao consumidor americano, ou não existem em volume suficiente na produção doméstica dos EUA para substituir as importações brasileiras.

A investigação se baseou na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um mecanismo que permite ao governo americano apurar o que considera barreiras comerciais injustas e, se as encontrar, impor retaliação. O governo Trump acusou o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio bilateral. A lista de reclamações é longa e variada: o sistema de pagamentos PIX, que Washington afirma favorecer empresas brasileiras em detrimento de concorrentes americanas; restrições ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro; falhas na fiscalização do desmatamento ilegal; pirataria; decisões judiciais brasileiras contra redes sociais e empresas de tecnologia americanas; acordos comerciais preferenciais com países como México e Índia; e demora na análise de patentes. Segundo o USTR, negociações ao longo de um ano não conseguiram reverter essas práticas.

O governo Lula, porém, vê a questão de forma radicalmente diferente. Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que três temas concentraram os principais impasses: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano e uma proposta americana de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais de tributos e multas. Esses pontos, segundo o governo brasileiro, são inegociáveis. A avaliação é que a tarifa representa uma decisão política, não uma resposta técnica a práticas comerciais desleais. O Itamaraty rebateu ponto a ponto as acusações americanas em documentos enviados ao USTR, argumentando que o PIX é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras, que as decisões judiciais brasileiras seguem leis internas e se aplicam igualmente a todos, e que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos.

Antes da decisão final, o USTR abriu consulta pública. Representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros compareceram a audiências nos dias 6 e 7 de julho para tentar evitar a tarifa. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes de setores específicos como café, mel e ferro-gusa argumentaram que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas. O senador Flávio Bolsonaro participou por iniciativa própria, afirmando que aquele era "o pior momento possível" para a aplicação das tarifas e pedindo que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações. O governo Lula, por sua vez, enviou observadores e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos.

A situação pode piorar. Em um processo paralelo, também baseado na Seção 301, o governo Trump prevê a aplicação de uma sobretaxa adicional de 12,5% para 60 economias, incluindo o Brasil, sob a justificativa de que essas nações não adotaram medidas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. Se ambas as tarifas forem aplicadas cumulativamente, a cobrança total sobre parte das exportações brasileiras poderia chegar a 37,5%. Essa segunda investigação ainda está em análise.

O governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. Mas o governo Lula já sinalizou que pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a possibilidade de invocar a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países. As negociações, segundo o Palácio do Planalto, seguem abertas. Mas a partir de 22 de julho, a tarifa de 25% passa a valer — e o Brasil terá de decidir se cede em pontos que considera inegociáveis ou se enfrenta Washington com retaliações próprias.

O Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas
— Integrantes do governo Lula sobre a posição do presidente
A aplicação das tarifas naquele momento seria o pior momento possível
— Senador Flávio Bolsonaro, em audiência pública do USTR
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o governo americano escolheu justamente esses produtos para isentar da tarifa?

Model

Porque são produtos que os EUA não conseguem substituir facilmente ou que impactariam demais os preços internos. Petróleo, café, carne — são coisas que afetam diretamente o bolso do consumidor americano ou não têm produção doméstica suficiente.

Inventor

E o PIX? Por que Washington quer tanto mexer nele?

Model

Os americanos argumentam que o sistema favorece empresas brasileiras. Mas o Brasil rebate dizendo que é uma infraestrutura pública aberta a todos, inclusive a empresas americanas. É mais uma disputa sobre quem controla o mercado de pagamentos do que sobre uma barreira real.

Inventor

O governo Lula realmente acha que isso é uma decisão política?

Model

Sim. Porque os americanos não conseguiram provar que as práticas brasileiras prejudicam empresas dos EUA. O Brasil argumenta que temas como PIX e decisões judiciais são escolhas internas, não barreiras comerciais.

Inventor

E se o Brasil responder com retaliações?

Model

Aí entra a Lei de Reciprocidade Econômica. O Brasil pode impor suas próprias tarifas sobre produtos americanos. Mas isso escalaria o conflito — ambos os lados perderiam.

Inventor

Qual é o real ponto de discórdia?

Model

Três coisas que o Brasil considera inegociáveis: o PIX, o acesso do etanol americano e uma moratória para plataformas digitais. O governo Lula não quer ceder nessas frentes, e os americanos não querem recuar.

Inventor

Isso pode chegar a 37,5%?

Model

Sim, se a sobretaxa de 12,5% sobre trabalho forçado for aplicada junto com a de 25%. Seria cumulativo. Mas essa segunda investigação ainda está em análise.

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