Apenas cinco Estados conseguem oferecer etanol competitivo
Na última semana de março, o etanol hidratado demonstrou ser economicamente vantajoso frente à gasolina em apenas cinco dos 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal, segundo levantamento da ANP. A competitividade do biocombustível obedece a uma lógica energética precisa: por liberar menos energia na combustão, o etanol só compensa quando custa menos de 70% do preço da gasolina. Esse recorte geográfico revela um mercado fragmentado, onde a vantagem do álcool é privilégio de quem vive nas regiões produtoras do Centro-Sul.
- O etanol hidratado só foi competitivo em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás — todos no coração da produção sucroalcooleira brasileira.
- A regra dos 70% não é arbitrária: ela traduz a diferença real de eficiência energética entre os dois combustíveis, e cruzá-la para baixo é o que define se vale abastecer com álcool.
- O preço médio nacional do etanol recuou 0,92% na semana, chegando a R$ 4,32 por litro, mas o movimento foi desigual — 18 Estados caíram, cinco subiram e três ficaram estáveis.
- A disparidade regional é gritante: enquanto um posto em São Paulo vendia o litro a R$ 3,46, em Pernambuco o mesmo litro chegou a R$ 6,49 — uma diferença de quase 88% dentro do mesmo país.
- O cenário aponta para um biocombustível ainda refém da geografia, das cotações internacionais do petróleo e das estratégias das distribuidoras, sem perspectiva imediata de equalização nacional.
Na última semana de março, o etanol hidratado foi mais vantajoso que a gasolina em apenas cinco Estados brasileiros: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e foram compilados pela AE-Taxas.
A lógica por trás da comparação é técnica: o etanol libera menos energia na combustão do que a gasolina, o que obriga o motorista a consumir mais litros para percorrer a mesma distância. Por isso, o biocombustível só é considerado vantajoso quando seu preço fica abaixo de 70% do valor da gasolina. Na semana analisada, a média nacional ficou em 68,35% — ligeiramente abaixo do limiar, mas insuficiente para tornar o etanol competitivo na maioria dos Estados. Mato Grosso registrou a melhor relação, com o etanol a 64,64% do preço da gasolina.
O preço médio nacional do etanol hidratado recuou 0,92% em relação à semana anterior, chegando a R$ 4,32 por litro. Em São Paulo, maior polo produtor e consumidor do país, a queda foi mais tímida: 0,48%, com o litro a R$ 4,17. Ao todo, 18 Estados e o Distrito Federal registraram queda, cinco tiveram alta e três permaneceram estáveis.
As diferenças regionais revelam um mercado profundamente desigual. Rondônia teve a maior alta da semana, com o litro chegando a R$ 5,39. A Bahia registrou a maior queda, de 4,71%, com o preço em R$ 4,65. Nos extremos absolutos, o litro mais barato foi encontrado em São Paulo, a R$ 3,46, enquanto o mais caro estava em Pernambuco, a R$ 6,49 — uma diferença de quase 88%. Entre as médias estaduais, Mato Grosso liderou com R$ 4,04 por litro, e o Amazonas ficou no topo, com R$ 5,48. O retrato é de um biocombustível cuja competitividade depende, antes de tudo, de onde o consumidor mora.
Na última semana de março, o etanol hidratado conseguiu ser mais vantajoso que a gasolina em apenas cinco Estados brasileiros. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis compilados pela agência de notícias AE-Taxas, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás foram os únicos onde o biocombustível apresentou melhor relação de custo-benefício para o consumidor na semana de 23 a 29 de março.
A competitividade do etanol segue uma métrica específica do mercado: o biocombustível precisa ser vendido por menos de 70% do preço da gasolina para ser considerado vantajoso. Esse patamar existe porque o etanol tem menor capacidade calorífica que a gasolina — libera menos energia durante a combustão. Na prática, isso significa que um motorista precisa queimar mais litros de etanol para percorrer a mesma distância que percorreria com gasolina. Os 70% refletem exatamente essa diferença energética entre os dois combustíveis. Quanto mais abaixo desse percentual, mais competitivo é o álcool.
Na semana analisada, o etanol hidratado custava em média 68,35% do preço da gasolina nos postos pesquisados pela agência. Entre os cinco Estados onde foi competitivo, Mato Grosso apresentou a melhor relação, com o etanol a 64,64% do preço da gasolina. São Paulo ficou em 67,59%, Paraná em 68,67%, Mato Grosso do Sul em 66,29% e Goiás em 69,73%.
Os preços do etanol hidratado tiveram movimento misto no país durante o período. O preço médio nacional caiu 0,92% em relação à semana anterior, chegando a R$ 4,32 por litro. Em São Paulo, o maior produtor e consumidor de etanol do país, o recuo foi mais modesto: 0,48%, com o litro saindo por R$ 4,17. Dezoito Estados e o Distrito Federal registraram queda de preços, enquanto cinco Estados tiveram aumento e três mantiveram estabilidade.
As variações regionais foram significativas. Rondônia registrou a maior alta, com aumento de 1,70% e o litro chegando a R$ 5,39. Na Bahia, houve a maior queda: 4,71%, com o preço em R$ 4,65 por litro. A disparidade entre regiões é ainda mais evidente quando se observam os extremos: o menor preço registrado foi R$ 3,46 por litro em um posto de São Paulo, enquanto o maior foi R$ 6,49 por litro em Pernambuco — uma diferença de quase 88% entre o mais barato e o mais caro.
Os preços médios estaduais também variam bastante. Mato Grosso apresentou a menor média estadual, com R$ 4,04 por litro, enquanto o Amazonas teve a maior, com R$ 5,48 por litro. Essas flutuações refletem a influência de fatores como a disponibilidade de cana-de-açúcar para processamento, as cotações internacionais do petróleo e as políticas de precificação adotadas pelas distribuidoras no mercado interno. O cenário mostra um mercado de etanol fragmentado, onde a competitividade do biocombustível depende fortemente da localização geográfica do consumidor.
Citações Notáveis
Para ser competitivo, o etanol precisa ser vendido por menos que 70% do preço da gasolina, refletindo sua menor capacidade calorífica— Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o etanol precisa custar menos de 70% da gasolina para ser competitivo? Parece um número arbitrário.
Não é arbitrário. O etanol tem menos energia por litro que a gasolina. Quando você queima etanol, libera menos calor. Então você precisa de mais litros para fazer o mesmo trabalho. Os 70% capturam exatamente essa diferença energética.
Entendi. Mas por que apenas cinco Estados conseguem oferecer etanol competitivo?
Depende de onde a cana-de-açúcar é plantada e processada. São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás têm indústria de etanol consolidada. Custos de transporte e oferta local fazem toda a diferença.
E esses preços que variam de R$ 3,46 a R$ 6,49 por litro — como isso é possível em um mesmo país?
Logística, distância das usinas, impostos estaduais, política de precificação local. Um litro em Pernambuco tem que viajar muito mais longe que em São Paulo. Isso encarece.
O que pode mudar essa situação?
A safra de cana-de-açúcar, o preço do petróleo lá fora, e as decisões das distribuidoras sobre como precificar. Tudo isso muda semana a semana.