Etanol é mais competitivo que gasolina em 9 Estados e DF, aponta ANP

O etanol pode ser competitivo mesmo acima de 70% de paridade
Executivos do setor observam que a vantagem do biocombustível depende também da eficiência do veículo utilizado.

No Brasil, país que figura entre os maiores produtores mundiais de etanol, o biocombustível voltou a demonstrar sua força econômica: em dez regiões — nove Estados e o Distrito Federal —, abastecer com etanol era, na semana passada, a escolha mais racional para o bolso do consumidor. Com uma paridade nacional de 65,30% em relação à gasolina, o etanol não apenas compete com o derivado do petróleo, mas revela, nesse equilíbrio de preços, algo mais amplo sobre a maturidade da matriz energética brasileira e a interdependência entre campo, indústria e mobilidade urbana.

  • O etanol superou a gasolina em dez regiões do país simultaneamente, um resultado que reflete condições de mercado excepcionalmente alinhadas para o biocombustível.
  • Mato Grosso registrou a paridade mais favorável ao etanol, com apenas 60,95% do preço da gasolina, enquanto Espírito Santo chegou perto do limite convencional de 70%, com 69,90%.
  • A regra dos 70% — amplamente usada pelos consumidores como referência — pode ser insuficiente: executivos do setor alertam que, dependendo da eficiência do motor, o etanol pode ser vantajoso mesmo acima desse patamar.
  • A competitividade do biocombustível não é apenas uma questão de preço no posto — ela sustenta usinas, empregos e exportações em toda a cadeia sucroalcooleira brasileira.
  • Nos Estados fora das dez regiões favoráveis, a gasolina ainda prevalece, indicando que a vantagem do etanol permanece geograficamente concentrada e sensível a variações locais de oferta e logística.

Na semana passada, os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis revelaram um cenário favorável ao etanol em dez regiões brasileiras. Em nove Estados e no Distrito Federal, o biocombustível se mostrou a opção mais econômica para o consumidor. Na média nacional, a paridade do etanol em relação à gasolina ficou em 65,30% — bem abaixo do limite de 70% que costuma orientar a decisão de quem abastece.

O mapa das regiões favoráveis ao etanol vai do Norte ao Sul do país. Mato Grosso liderou com a paridade mais baixa, de 60,95%, seguido por Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Acre, Amazonas, Minas Gerais e Distrito Federal. Espírito Santo chegou perto do teto convencional, com 69,90%, mas ainda dentro da faixa vantajosa.

Um detalhe importante, frequentemente destacado por executivos do setor, é que a referência dos 70% não é absoluta. Dependendo da eficiência do motor e da calibração do veículo, o etanol pode ser a melhor escolha mesmo quando a paridade ultrapassa esse patamar — o que amplia, na prática, a vantagem do biocombustível para além do que os números brutos sugerem.

A relevância desse cenário vai além do preço no posto. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, e a demanda doméstica pelo biocombustível sustenta diretamente a indústria sucroalcooleira, os empregos no campo e nas usinas, e a pauta de exportações. Quando o etanol se torna competitivo, toda essa cadeia se beneficia — e os dados da ANP, coletados regularmente em postos de todo o país, oferecem um retrato confiável desse equilíbrio em movimento.

Na semana passada, o etanol saiu na frente da gasolina em dez regiões do país. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis compilou os números dos postos pesquisados e o resultado foi claro: em nove Estados e no Distrito Federal, abastecer com etanol era a escolha mais econômica. Na média nacional, o biocombustível apresentava uma paridade de 65,30% em relação à gasolina — o que significa que estava significativamente mais barato.

Essas dez regiões formam um mapa interessante do país. Acre liderava com 68,60% de paridade. Amazonas vinha logo atrás, em 67,61%. O Distrito Federal marcava 67,67%. Espírito Santo chegava a 69,90%. Minas Gerais ficava em 68,09%. No Centro-Oeste, Goiás apresentava 64,12%, Mato Grosso do Sul 64,85% e Mato Grosso 60,95% — este último o mais favorável ao etanol entre todos. No Paraná, a paridade era de 65,73%, e em São Paulo, 65,25%. Nos demais Estados, a gasolina continuava sendo a opção mais vantajosa para o consumidor.

O que torna essa informação particularmente relevante é uma observação que executivos do setor fazem com frequência: o etanol não precisa estar tão barato quanto esses números sugerem para ser competitivo. Segundo eles, dependendo do veículo — de sua eficiência, do seu motor, de como foi calibrado — o biocombustível pode ser a melhor escolha mesmo quando a paridade sobe acima de 70%. Isso significa que a vantagem do etanol é potencialmente maior do que os números brutos indicam, porque nem todo carro consome gasolina e etanol na mesma proporção.

A competitividade do etanol importa porque o Brasil é o segundo maior produtor mundial do biocombustível, atrás apenas dos Estados Unidos. A indústria sucroalcooleira é um pilar da economia nacional, e a demanda doméstica pelo etanol afeta diretamente a viabilidade econômica das usinas, o emprego no setor e até mesmo a pauta de exportações. Quando o etanol fica competitivo em relação à gasolina, mais consumidores fazem a troca, o que sustenta a produção e a cadeia inteira.

Os dados da ANP são coletados regularmente em postos de combustível espalhados pelo país, oferecendo um retrato confiável do que o consumidor realmente encontra na bomba. Essa semana em particular mostrou um cenário favorável ao etanol em uma faixa significativa do território nacional, sugerindo que as condições de mercado — provavelmente uma combinação de oferta de cana-de-açúcar, custos de produção e dinâmica de preços internacionais — estavam alinhadas para favorecer o biocombustível.

O etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado
— Executivos do setor
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a paridade importa tanto? Não é só o preço que decide?

Model

A paridade é o preço relativo. Se o etanol custa 65% do que a gasolina custa, você está pagando menos por litro. Mas um carro flex não consome os dois combustíveis na mesma taxa — alguns motores rendem melhor com etanol, outros com gasolina. Por isso os executivos dizem que o etanol pode vencer mesmo em 70% de paridade.

Inventor

Então um carro flex em São Paulo estava economizando dinheiro naquela semana?

Model

Sim. Em São Paulo, a paridade era 65,25%, bem abaixo do ponto de equilíbrio. Qualquer proprietário de um flex que abastecesse com etanol estava fazendo a escolha mais barata.

Inventor

E nos Estados onde a gasolina era mais vantajosa? O que explica essa diferença regional?

Model

Logística, principalmente. Estados mais distantes das usinas de etanol têm custos de transporte maiores. E há variações na oferta local, na concorrência entre postos, nas margens de lucro. O mapa muda semana a semana.

Inventor

Mato Grosso tinha a melhor paridade. Por quê?

Model

Mato Grosso é produtor de cana. Está perto da fonte. O etanol é mais abundante lá, o que pressiona o preço para baixo. É economia básica de oferta e demanda.

Inventor

Se o etanol é tão bom, por que não é competitivo em todos os Estados?

Model

Porque nem todo lugar tem a mesma infraestrutura de produção e distribuição. E porque a gasolina tem seus próprios ciclos de preço, influenciados pelo dólar, pelo petróleo internacional, pelas políticas de refinarias. O etanol e a gasolina dançam em ritmos diferentes.

Contact Us FAQ