Etanol competitivo em apenas seis Estados, com preços variando 76% entre regiões
Na semana de 11 de abril, o etanol hidratado mostrou-se financeiramente vantajoso frente à gasolina em apenas seis dos 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal — um retrato que revela, com precisão aritmética, os limites ainda presentes na transição energética do país. A paridade média nacional de 69,28% situa o biocombustível no limiar da competitividade, lembrando que a escolha entre combustíveis é, antes de tudo, uma equação local, moldada por geografia, logística e eficiência de cada motor.
- O etanol só vence a gasolina em seis Estados — Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Roraima e São Paulo —, expondo a fragilidade competitiva do biocombustível no cenário nacional.
- A paridade média de 69,28% coloca o etanol à beira do limite de atratividade, e qualquer oscilação de preço pode tirar novos Estados da lista favorável.
- Enquanto o preço médio nacional recuou apenas um centavo, para R$ 4,69 o litro, 11 Estados e o Distrito Federal registraram alta, revelando tensões regionais que a média nacional esconde.
- A disparidade geográfica é gritante: entre o litro mais barato (R$ 3,79 em SP) e o mais caro (R$ 6,66 no RS), há uma diferença de quase 76%, tornando a decisão de abastecer com etanol uma questão estritamente local.
- Especialistas do setor alertam que a regra dos 70% não é absoluta — motores mais eficientes podem tornar o etanol vantajoso mesmo acima desse limiar, adicionando uma camada de complexidade à leitura dos dados brutos.
Na semana encerrada em 11 de abril, o etanol hidratado se mostrou mais competitivo que a gasolina em apenas seis Estados brasileiros, segundo levantamento da ANP. A paridade média nacional ficou em 69,28% — o biocombustível precisa custar menos de 70% do preço da gasolina para ser considerado vantajoso ao consumidor comum.
Os Estados favoráveis foram Goiás (69,79%), Mato Grosso (68,09%), Mato Grosso do Sul (68,04%), Paraná (69,70%), Roraima (69,87%) e São Paulo (67,56%), que, como maior produtor nacional, apresentou a melhor relação de preço. Profissionais do setor ressaltam, porém, que a paridade de 70% não é uma fronteira rígida: dependendo do veículo e da eficiência do motor, o etanol pode ser competitivo mesmo acima desse patamar.
O preço médio nacional recuou levemente, de R$ 4,70 para R$ 4,69 o litro, mas essa estabilidade mascara movimentos regionais intensos. Em 11 Estados e no Distrito Federal os preços subiram; em 10, caíram; em 4, permaneceram estáveis. O Amapá retornou ao levantamento após ausência, com o litro a R$ 5,89.
As variações regionais são expressivas: o Pará registrou a maior alta semanal, de 3,31%, enquanto Goiás teve a maior queda, de 3,09%, chegando a R$ 4,39 — o menor preço médio estadual do país. No extremo oposto, o Amapá registrou a maior média, R$ 5,89. Entre o mínimo absoluto (R$ 3,79 em SP) e o máximo (R$ 6,66 no RS), a diferença chega a quase 76%, evidenciando que, para o consumidor brasileiro, a escolha entre etanol e gasolina continua sendo uma conta local — e em apenas seis Estados ela fecha a favor do biocombustível.
Na semana encerrada em 11 de abril, o etanol conseguiu ser mais competitivo que a gasolina em apenas seis Estados brasileiros. É um número pequeno, revelador de um mercado de combustíveis ainda bastante desfavorável ao biocombustível. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a paridade média nacional do etanol em relação à gasolina ficou em 69,28% — ou seja, o etanol precisaria custar menos de 70% do preço da gasolina para ser realmente atrativo ao consumidor médio.
Os seis Estados onde o etanol saiu na frente foram Goiás (paridade de 69,79%), Mato Grosso (68,09%), Mato Grosso do Sul (68,04%), Paraná (69,70%), Roraima (69,87%) e São Paulo (67,56%). São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, apresentou a melhor relação de preço entre os dois combustíveis. Ainda assim, a margem é apertada. Profissionais do setor apontam que o etanol pode ser competitivo mesmo quando a paridade ultrapassa 70%, dependendo do tipo de veículo e da eficiência do motor — um detalhe importante que nuança a leitura dos números brutos.
O preço médio nacional do etanol hidratado recuou ligeiramente na semana, caindo de R$ 4,70 para R$ 4,69 o litro, uma queda de 0,21%. Mas essa estabilidade nacional esconde movimentos regionais significativos. Em 11 Estados e no Distrito Federal, o preço subiu. Em 10 Estados, caiu. Em 4, permaneceu estável. O Amapá, que havia deixado de ter medição, voltou ao levantamento da ANP com o litro custando R$ 5,89.
As variações regionais são dramáticas. No Pará, o maior aumento percentual da semana, de 3,31%, levou o preço de R$ 5,13 para R$ 5,30 o litro. Em Goiás, a maior queda, de 3,09%, fez o preço descer de R$ 4,53 para R$ 4,39 o litro. Em São Paulo, principal mercado consumidor e com o maior número de postos pesquisados, o preço permaneceu estável em R$ 4,52 o litro. A disparidade geográfica é evidente: o preço mínimo registrado em um único posto foi de R$ 3,79 em São Paulo, enquanto o máximo chegou a R$ 6,66 no Rio Grande do Sul — uma diferença de quase 76% entre o mais barato e o mais caro.
Quando se olha para os preços médios estaduais, Goiás apresentou o menor valor, R$ 4,39 o litro, enquanto o Amapá registrou o maior, R$ 5,89. Esses números refletem a complexidade do mercado de biocombustíveis no Brasil, onde fatores como distância dos centros produtores, logística e demanda local criam bolsões de preços muito diferentes. Para o consumidor que abastece regularmente, a escolha entre etanol e gasolina continua sendo uma questão de matemática local — e em apenas seis Estados essa conta fecha a favor do biocombustível.
Citações Notáveis
Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado— Profissionais do setor de combustíveis
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que apenas seis Estados conseguem oferecer etanol mais barato que gasolina?
A competitividade do etanol depende de vários fatores: proximidade das usinas produtoras, custos de logística, demanda local e até a estrutura de impostos estaduais. São Paulo, por exemplo, é o maior produtor, então tem vantagem de proximidade. Já Estados mais distantes enfrentam custos de transporte maiores.
Essa paridade de 69,28% — o que significa exatamente para quem abastece?
Significa que, em média, o etanol custa cerca de 69% do preço da gasolina. Teoricamente, seria competitivo abaixo de 70%, mas a realidade é mais nuançada. Um carro com motor mais eficiente em etanol pode compensar um preço um pouco mais alto.
E por que o Amapá tem o preço mais alto do país?
Provavelmente pela distância das usinas produtoras, que estão concentradas no Centro-Sul. Quanto mais longe, mais caro fica o frete. O Amapá é geograficamente isolado, então paga essa conta.
Esses números mudam muito de semana para semana?
Sim. Vimos o Pará subir 3,31% em uma semana, enquanto Goiás caiu 3,09%. Essas flutuações refletem mudanças na oferta, demanda e até variações cambiais, já que o petróleo é cotado em dólar.
Para o consumidor, qual é a lição aqui?
A lição é que a competitividade do etanol é regional e temporária. Não é uma vantagem estável em todo o país. Se você mora em um dos seis Estados favoráveis, pode valer a pena. Mas em muitos lugares, a gasolina continua sendo a opção mais econômica.