Com apoio e preparação, é possível sonhar grande e alcançar espaços de excelência
Estudante do interior do Pará leva medalha de bronze e melhor desempenho brasileiro em Física Experimental na EuPhO 2026. Eyke também se classificou para a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica no Vietnã, ampliando presença brasileira em competições internacionais.
- Bronze na Olimpíada Europeia de Física 2026 e melhor desempenho brasileiro em Física Experimental
- Estudante de Ourilândia do Norte, município com 32,4 mil habitantes, a 927 km de Belém
- 32 conquistas em olimpíadas científicas em 2025; 28 em 2024; 7 em 2023
- Classificado para a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica no Vietnã em 2026
Eyke Cardoso, aluno de escola particular em Ourilândia do Norte (PA), conquistou bronze na Olimpíada Europeia de Física 2026 e registrou a maior nota em Física Experimental da delegação brasileira na competição.
Eyke Cardoso estava em uma sala de provas na Olimpíada Europeia de Física, em 2026, quando conquistou algo que nenhum estudante do Pará havia alcançado antes: uma medalha de bronze em uma competição científica de alcance continental. Mas o que torna essa conquista ainda mais notável é que ele também registrou a maior pontuação em Física Experimental entre todos os integrantes da delegação brasileira naquele ano — um feito que elevou o nome de um estado amazônico ao cenário científico internacional.
Eyke é aluno do Centro Educacional Primeiro Mundo Pará, uma escola particular localizada em Ourilândia do Norte, município de pouco mais de 32 mil habitantes no sudeste paraense, a 927 quilômetros de Belém. Sua trajetória não começou com esse bronze europeu. Ela começou em 2022, quando um adolescente ainda desconhecido participou de suas primeiras olimpíadas científicas e recebeu uma menção honrosa na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. O que se seguiu foi uma progressão que impressiona pela consistência e pela amplitude.
Em 2023, Eyke somou sete premiações e conquistou ouro na OBMEP Nacional, tornando-se o primeiro colocado entre alunos de escolas privadas da Região Norte em seu nível e o único estudante do Pará nessa categoria. No ano seguinte, já na primeira série do Ensino Médio, o desempenho acelerou. Foram 28 premiações em um único ano: ouros no Canguru de Matemática, na Olimpíada Brasileira de Astronomia, na Olimpíada Paraense de Química e novamente na OBMEP. Nesse mesmo período, ele conquistou prata na Olimpíada Brasileira de Física e avançou nas seletivas internacionais de astronomia e astrofísica.
Em 2025, Eyke ampliou sua coleção de resultados para 32 conquistas. Integrou as equipes da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica e da Olimpíada Latino-Americana de Astronomia. Ficou em sétimo lugar nas seletivas nacionais, foi o único aluno do segundo ano a compor essas equipes e o único representante da Região Norte. Levou também sua primeira medalha internacional: ouro latino-americano em astronomia.
O que chama atenção em sua trajetória não é apenas o número de prêmios, mas a diversidade deles. Eyke demonstra força em ciências exatas, repertório amplo e capacidade de investigação que vai além de uma única disciplina. Segundo Ramon Gabriel Pinho, coordenador de Olimpíadas da escola, o caso de Eyke ilustra como uma instituição educacional pode abrir caminhos para que estudantes alcancem desempenho de padrão global. "A trajetória dele traduz, na prática, uma educação que amplia horizontes e prepara jovens para desafios em nível internacional", afirmou.
O próprio Eyke reflete sobre sua jornada com maturidade. Ele descreve suas conquistas como resultado de muito estudo, disciplina e vontade genuína de aprender. Cada resultado ao longo dos anos, segundo ele, ajudou a ganhar confiança e a avançar mais. O que o move, porém, vai além do reconhecimento pessoal: ele destaca o orgulho de representar sua cidade, seu estado e seu país em disputas internacionais. "Poder representar o Brasil e levar o nome do Pará para uma competição internacional como essa mostra que, com apoio e preparação, é possível sonhar grande e alcançar espaços de excelência", disse.
Ao unir origem regional, disciplina e alto rendimento, Eyke passa a simbolizar uma nova geração de estudantes amazônicos que competem em nível internacional sem perder o vínculo com sua comunidade. Sua próxima etapa já está marcada: em 2026, ele se classificou para a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, que será disputada no Vietnã, ampliando ainda mais a presença brasileira em competições de excelência no exterior.
Citas Notables
Esse resultado na EuPhO é a realização de uma trajetória construída com muito estudo, disciplina e vontade de aprender— Eyke Cardoso
A trajetória dele traduz, na prática, uma educação que amplia horizontes e prepara jovens para desafios em nível internacional— Ramon Gabriel Pinho, coordenador de Olimpíadas da escola
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como um estudante de uma cidade com pouco mais de 32 mil habitantes chega a competir em nível europeu?
Não é acaso. Eyke começou pequeno, em 2022, com uma menção honrosa. Mas cada resultado o preparou para o próximo. A escola ofereceu estrutura, ele ofereceu disciplina e curiosidade genuína. Isso cria momentum.
Trinta e duas conquistas em um ano parece quase irreal. Como alguém sustenta isso?
Ele não está fazendo tudo ao mesmo tempo. São olimpíadas diferentes ao longo do ano — matemática em um mês, astronomia em outro, química em outro. Mas o que importa é que ele não é especialista em uma coisa. Ele é forte em várias.
E o que muda quando você sai de Ourilândia do Norte e compete contra gente de São Paulo, Rio de Janeiro?
A qualidade da preparação, não a origem. Eyke teve acesso a bons professores, a uma escola que levava olimpíadas a sério. Muita gente em cidades pequenas não tem isso. Quando tem, o resultado aparece.
Ele fala muito sobre representar o Pará. Isso é importante para ele ou é só retórica?
Parece genuíno. Ele é o único representante da Região Norte em várias dessas seletivas. Isso não é invisível para ele. Ele sabe que está abrindo porta que não existia antes.
O que vem depois de um bronze europeu e uma vaga para o Vietnã?
Provavelmente mais do mesmo — mais olimpíadas, mais preparação, mais competições internacionais. Mas agora com a confiança de quem já provou que consegue.