Estudante do Amazonas conquista nota 1.000 em redação do Enem sem cursinho

Estudante enfrentou isolamento social de colegas, abandono de vida social e dificuldades financeiras que a impediram de iniciar vida acadêmica anteriormente.
Nenhum estudo leva a sair de Itapiranga, ouvia deles. Rilary continuou estudando.
Seus colegas de turma duvidavam que a dedicação aos estudos valesse a pena em uma cidade do interior.

Em Itapiranga, cidade do interior do Amazonas, uma jovem de dezoito anos demonstrou que a distância entre o isolamento e a excelência pode ser percorrida com disciplina e livros didáticos. Rilary Coutinho, sem acesso à internet em casa e sem cursinho, alcançou a nota máxima na redação do Enem — a mais alta distinção possível num exame que define trajetórias no Brasil. Sua história não é apenas sobre uma pontuação; é sobre o que acontece quando uma pessoa recusa deixar que a pobreza e a geografia escrevam seu destino.

  • Sem internet, sem cursinho e em uma escola com mais de quarenta alunos por sala, Rilary construiu sua própria rotina de estudos do amanhecer até as dez da noite.
  • A pobreza já havia custado caro antes: uma vaga em engenharia conquistada no vestibular foi perdida porque ela não tinha dinheiro para a passagem até o câmpus, a 1.890 quilômetros de distância.
  • Colegas a desencorajavam ativamente, dizendo que nenhum esforço levaria alguém para fora de Itapiranga — ela respondeu abandonando a vida social e mantendo o cronograma.
  • A nota mil na redação chegou como confirmação de que o sacrifício tinha peso real, abrindo caminho para o Sisu e uma vaga em engenharia civil.
  • Rilary agora mira além: pós-graduação no exterior, aprimoramento do inglês e uma trajetória que começou com livros emprestados da escola pública.

Rilary Coutinho tinha dezoito anos e morava em Itapiranga, no interior do Amazonas, quando soube que havia tirado mil pontos na redação do Enem. Não havia cursinho, não havia internet em casa — apenas livros didáticos, uma rotina que começava ao amanhecer e terminava às dez da noite, e a convicção de que era possível sair daquele lugar.

A escola estadual onde cursou o ensino médio funcionava com salas superlotadas e professores sobrecarregados, sem espaço para orientação individual. Rilary aprendeu cedo a depender de si mesma. Publicações como o Acerta Mais Enem tornaram-se seus principais companheiros de estudo, e ela aprofundava sozinha os temas que exigiam mais.

Sua situação financeira era precária. Morava com a avó aposentada e o irmão mais velho, também dedicado aos estudos. Meses antes, havia conquistado uma vaga em engenharia de materiais pela Universidade do Estado do Amazonas — e a perdeu por não ter dinheiro para a passagem até o câmpus em Boca do Acre, a quase 1.900 quilômetros de distância.

O ambiente ao redor também pesava. Colegas não entendiam sua dedicação e diziam abertamente que estudar tanto era um desperdício, que ninguém saía de Itapiranga por mérito acadêmico. Rilary foi ficando mais isolada conforme a rotina de estudos avançava, abrindo mão dos fins de semana e da vida social.

A nota máxima chegou como uma mistura de surpresa e êxtase — não apenas um número, mas a prova de que o isolamento e a escassez não eram obstáculos intransponíveis. Com o resultado em mãos, ela se prepara para o Sisu em busca de uma vaga em engenharia civil, e já planeja pós-graduação no exterior. Rilary Coutinho mostrou que a geografia e a pobreza não escrevem o destino de quem está disposto a estudar sozinho, até tarde, com o que tem.

Rilary Coutinho tinha dezoito anos e morava em Itapiranga, uma cidade no interior do Amazonas, quando recebeu a notícia de que havia tirado mil pontos na redação do Enem. Nenhum cursinho. Nenhuma internet em casa. Apenas livros didáticos, uma disciplina que começava ao amanhecer e se estendia até as dez da noite, e a determinação de sair daquele lugar.

A escola onde ela cursou o ensino médio, a Estadual Tereza dos Santos, funcionava com salas que abrigavam mais de quarenta alunos cada uma. Os professores, sobrecarregados, não conseguiam oferecer orientação individualizada. Rilary aprendeu cedo que teria de contar consigo mesma. Durante o dia, ocupava as carteiras escolares das sete da manhã até as quatro da tarde. À noite, voltava para casa e abria os livros. O Acerta Mais Enem e outras publicações didáticas da escola se tornaram seus companheiros de estudo. Ninguém a ensinava; ela absorvia o que conseguia das aulas e se especializava sozinha nos temas que exigiam maior profundidade.

Sua vida não era fácil. Morava com a avó aposentada e com o irmão mais velho, de vinte e quatro anos, que também não trabalhava e dedicava seu tempo aos estudos. Os recursos eram escassos. Meses antes, havia conquistado uma vaga no curso de engenharia de materiais através do vestibular da Universidade do Estado do Amazonas, mas perdeu a oportunidade quando percebeu que não tinha dinheiro para pagar a passagem até Boca do Acre, onde ficava o câmpus, nem para se matricular. Mil e oitocentos e noventa quilômetros a separavam de uma vida que parecia possível, mas que permanecia fora de seu alcance financeiro.

Seus colegas de turma não compreendiam sua escolha. Ela era introvertida, e conforme seus investimentos nos estudos aumentavam, as amizades diminuíam. Abdicava dos fins de semana para manter seu cronograma rigoroso. Vivia em uma cidade do interior, e muitos ao seu redor acreditavam que não havia futuro em tentar. "Nenhum estudo leva a sair de Itapiranga", ouvia deles. Consideravam um desperdício que ela se dedicasse tanto. Rilary continuou estudando de qualquer forma.

Agora, com a nota máxima na redação do Enem, ela se preparava para inscrever-se no Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, buscando uma vaga em engenharia civil. O resultado havia chegado como uma mistura de surpresa e êxtase. Não era apenas uma nota; era a confirmação de que seu sacrifício tinha peso, de que o isolamento social e a falta de recursos não eram obstáculos intransponíveis quando havia vontade suficiente.

Seu horizonte se expandia. Planejava fazer pós-graduação no exterior, aprimorar seu inglês, escolher um país onde pudesse continuar sua formação. A redação do Enem havia sido apenas o primeiro passo. Rilary Coutinho havia provado a si mesma e a todos que a ouviam que a geografia e a pobreza não determinam o destino quando alguém está disposto a estudar até as dez da noite, sozinho, com livros emprestados da escola.

Ficava difícil atender, em particular, todos os estudantes da sala. Então, eu me dedicava ao máximo para absorver as temáticas principais e me especializar nos assuntos em casa.
— Rilary Coutinho
Sempre ouvia deles que nenhum estudo leva a sair de Itapiranga, por ser uma cidade do interior. Eles não acreditavam que valia a pena. Independente disso, sempre investi nos estudos.
— Rilary Coutinho
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como você conseguiu manter a disciplina de estudar até as dez da noite, todos os dias, sem ninguém cobrando isso de você?

Model

Meus estudos eram meus melhores amigos. Eu sabia que não tinha outra saída. A escola superlotada não podia me dar o que eu precisava, então eu tinha que buscar sozinha.

Inventor

Seus colegas a criticavam por estudar nos fins de semana. Isso não a desanimava?

Model

Desanimava, sim. Mas eu ouvia deles que nenhum estudo levaria a sair de Itapiranga. Eu precisava acreditar que eles estavam errados.

Inventor

Você perdeu uma vaga na universidade por falta de dinheiro. Como isso a afetou?

Model

Foi muito difícil. Eu tinha conquistado a vaga, mas mil e oitocentos quilômetros e a falta de recursos financeiros me impediram de ir. Aquilo me mostrou que precisava de um resultado ainda melhor.

Inventor

O que significou receber mil pontos na redação?

Model

Significou que todo aquele sacrifício, toda aquela noite de estudo com livros didáticos, tinha valido a pena. Não era só uma nota. Era a prova de que eu podia sair dali.

Inventor

E agora, qual é seu próximo passo?

Model

Vou tentar entrar em engenharia civil pelo Sisu. E depois, quero fazer pós-graduação no exterior, aprimorar meu inglês. Itapiranga não é meu destino final.

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