Escritora recebe US$ 5,6 milhões de Trump em indenização por abuso sexual

E. Jean Carroll foi vítima de abuso sexual alegado em 1996 e sofreu difamação pública, levando a processo judicial que resultou em indenização de milhões de dólares.
a águia pousou
Frase com que Carroll marcou o recebimento de 5,6 milhões de dólares após três anos de espera.

Três anos após um júri em Nova York concluir que Donald Trump abusou sexualmente da escritora E. Jean Carroll em 1996 e a difamou publicamente, os 5,6 milhões de dólares depositados em conta judicial foram finalmente liberados. A Suprema Corte dos Estados Unidos manteve a condenação cível em junho de 2026, abrindo caminho para que o pagamento chegasse às mãos de Carroll — um desfecho que atravessou recursos, manobras de emergência e anos de espera. O caso é um reflexo do longo e tortuoso caminho que vítimas de abuso percorrem em busca de reconhecimento, e de como o sistema jurídico pode, ainda que lentamente, responder a esse chamado.

  • Uma conta judicial congelada por três anos finalmente se movimentou, liberando 5,6 milhões de dólares para E. Jean Carroll após uma série de recursos que se estenderam desde o veredito de 2023.
  • A defesa de Trump tentou uma última manobra de emergência para bloquear o pagamento, mas o pedido foi rejeitado, encerrando a batalha legal em torno dessa indenização específica.
  • Trump continua negando qualquer contato sexual com Carroll, acusando-a de motivação política e de mentir, e segue recorrendo tanto desta condenação quanto de outra de 83 milhões de dólares por difamação.
  • A liberação dos fundos só foi possível porque Nova York criou uma janela legislativa permitindo que vítimas processassem agressores por crimes ocorridos décadas antes — lei que viabilizou o caso de Carroll.
  • Carroll, hoje com 82 anos, anunciou o recebimento com uma frase discreta em sua newsletter e planeja depositar o valor em uma conta de aposentadoria.

Na segunda-feira passada, uma conta judicial intocada por três anos finalmente se movimentou. Dela saiu um cheque de 5,6 milhões de dólares destinado a E. Jean Carroll, a escritora que em 2023 venceu uma ação contra Donald Trump por abuso sexual e difamação. A advogada Roberta Kaplan confirmou a transferência na terça-feira, e Carroll marcou o momento com uma frase simples em sua newsletter: "a águia pousou".

O dinheiro havia ficado congelado desde o veredito, quando um júri em Nova York decidiu que Trump abusara de Carroll em 1996, em um provador de loja de departamentos, e a difamara quando ela tornou o relato público em um livro de memórias em 2019. Trump depositou o valor em conta de garantia judicial logo após a condenação, mas o acesso dependia de recursos que se estenderam por anos. Em junho de 2026, a Suprema Corte manteve a condenação cível, e o juiz Lewis A. Kaplan autorizou a liberação. Uma última tentativa da defesa de Trump para bloquear o pagamento foi rejeitada.

O presidente nega as acusações desde o início, afirmando que Carroll "não faz seu tipo", que ela mentia por motivação política e que não a conhecia — minimizando até uma fotografia dos dois juntos em 1987. Apesar da ordem de pagamento, Trump continua recorrendo da sentença.

O caso só foi possível porque Nova York criou uma janela legislativa permitindo que vítimas de abuso movessem ações por crimes ocorridos décadas antes. Carroll, que denunciou Trump em 2019, processou o ex-presidente sob essa nova lei. Segundo documentos judiciais, ela pretende depositar o valor em uma conta de aposentadoria. Separadamente, Trump foi condenado em 2024 a pagar 83 milhões de dólares por difamação em um segundo processo envolvendo Carroll — condenação que também recorre.

Na segunda-feira passada, uma conta judicial que havia permanecido intocada por três anos finalmente se movimentou. Dela saiu um cheque de 5,6 milhões de dólares, destinado a E. Jean Carroll, a escritora que em 2023 venceu uma ação contra Donald Trump por abuso sexual e difamação. A advogada de Carroll, Roberta Kaplan, confirmou a transferência na terça-feira, e a própria Carroll marcou o momento com uma frase simples em sua newsletter: "a águia pousou".

O dinheiro havia ficado congelado desde o veredito de 2023, quando um júri em Nova York decidiu que Trump havia abusado sexualmente de Carroll em 1996, em um provador de uma loja de departamentos de luxo, e posteriormente a difamou quando ela tornou público o relato em um livro de memórias lançado em 2019. Trump depositou o valor na conta de garantia judicial imediatamente após a condenação, mas o acesso ao dinheiro dependia de uma série de recursos legais que se estenderam por anos. Em junho deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos manteve a condenação na esfera cível, abrindo o caminho para que o juiz Lewis A. Kaplan autorizasse a liberação dos fundos. A defesa de Trump tentou uma última manobra com um pedido de emergência para bloquear o pagamento, mas o recurso foi rejeitado.

O presidente negou as acusações desde o início. Afirmou que não houve qualquer contato sexual entre os dois, que Carroll, hoje com 82 anos e ex-colunista de conselhos, estava "mentindo completamente" e que ela "não faz seu tipo". Disse que não a conhecia, minimizou uma fotografia dos dois juntos em uma festa em 1987 e acusou a escritora de agir por motivação política e para promover seu livro. Apesar da condenação e da ordem de pagamento, Trump continua recorrendo da sentença.

O caso só foi possível porque Nova York alterou sua legislação para criar uma janela temporal que permitisse vítimas de abuso sexual mover ações judiciais por crimes ocorridos décadas antes. Carroll, que denunciou Trump publicamente em 2019, conseguiu processar o ex-presidente sob essa nova lei. A decisão judicial não impôs restrições sobre como ela utilizaria o dinheiro. Segundo documentos apresentados à Justiça, Carroll pretende depositar o valor em uma conta de aposentadoria.

Este não é o único processo que Trump enfrenta relacionado a Carroll. Em 2024, em um julgamento separado realizado em Manhattan, um júri o condenou a pagar 83 milhões de dólares por difamação em um caso onde o presidente chegou a prestar depoimento. Trump também recorre dessa condenação. Os dois processos representam um capítulo significativo na história legal recente do país, onde uma mulher que denunciou abuso sexual décadas depois conseguiu, através do sistema judicial, obter uma condenação e agora, finalmente, receber a indenização.

Temos o prazer de informar que ela recebeu o pagamento da indenização
— Roberta Kaplan, advogada de E. Jean Carroll
A águia pousou
— E. Jean Carroll, em sua newsletter no Substack
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que levou três anos para o dinheiro ser liberado se o júri já havia decidido em 2023?

Model

Porque Trump depositou o valor em uma conta de garantia judicial e depois recorreu da condenação. O dinheiro ficava congelado enquanto os recursos legais se desenrolavam. Só quando a Suprema Corte manteve a decisão em junho é que o juiz pôde autorizar a liberação.

Inventor

Carroll tinha alguma dúvida de que receberia?

Model

Provavelmente. Quando você tem um presidente dos Estados Unidos negando tudo publicamente e continuando a recorrer, há sempre incerteza. O fato de ela ter escrito "a águia pousou" sugere alívio, como se finalmente algo que parecia distante se tornasse real.

Inventor

Por que a legislação de Nova York foi tão importante para este caso?

Model

Porque abuso sexual é um crime com ciclos de silêncio muito longos. Carroll levou 23 anos para denunciar publicamente. Sem a janela temporal que Nova York criou, ela nunca teria podido processar. A lei reconheceu que vítimas às vezes precisam de décadas para falar.

Inventor

E quanto aos 83 milhões do outro processo?

Model

Esse é um caso separado de 2024, também em Manhattan, onde um júri o condenou por difamação. Trump está recorrendo disso também. Então ele enfrenta duas condenações grandes relacionadas a Carroll, e ambas estão em disputa legal.

Inventor

O que Carroll vai fazer com o dinheiro?

Model

Ela planeja colocar em uma conta de aposentadoria. Não é como se estivesse usando para fazer campanha ou ganhar destaque. É uma decisão prática, discreta, de alguém que quer segurança financeira.

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