Erros de ortografia podem descontar pontos na redação do Enem 2025

Quanto mais desvios o estudante tiver, mais desconto na nota ele vai ter
Especialista explica como erros ortográficos impactam progressivamente a pontuação da redação do Enem.

A cada edição do Enem, milhares de estudantes brasileiros enfrentam não apenas o desafio das ideias, mas o da forma — e a ortografia, silenciosa e precisa, pode ser a diferença entre o sonho realizado e a oportunidade perdida. Em 2025, a Competência 1 da redação, responsável por até 200 pontos, coloca a escrita formal no centro da avaliação, lembrando que dominar a língua escrita é também uma forma de pertencimento e acesso. Especialistas alertam que os erros mais comuns não são fruto de ignorância, mas de hábitos construídos em ambientes informais — e que ainda há tempo para corrigi-los.

  • A lógica de desconto é progressiva: até três erros ortográficos podem passar quase despercebidos, mas acima disso a nota começa a cair de forma cada vez mais severa.
  • O cotidiano digital e informal dos candidatos invade a prova — palavras escritas como se falam, vírgulas colocadas onde se respira, e hífens simplesmente esquecidos.
  • Armadilhas clássicas como os quatro 'porquês', palavras homófonas e a acentuação gráfica continuam derrubando redações que poderiam ser excelentes.
  • Especialistas recomendam leitura constante, prática manuscrita e o uso consciente de ferramentas de correção como treino — não como muleta.
  • Com o Enem 2025 marcado para 9 de novembro — e adiado para 30 de novembro em cidades afetadas pela COP30 —, o tempo para ajustar esses detalhes está se esgotando.

A redação do Enem 2025 será avaliada em cinco competências, e a primeira delas — responsável por até 200 pontos — examina o domínio da escrita formal em português. A ortografia, longe de ser um detalhe menor, pode custar caro: quanto mais erros um candidato acumular, maior o desconto na nota final.

Segundo Fernanda Becker, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, a avaliação segue uma lógica progressiva. Um erro isolado pode não gerar desconto, mas a partir de três ocorrências a pontuação começa a cair. Entre os deslizes mais frequentes estão a confusão entre as quatro formas dos porquês, o uso incorreto de dígrafos, palavras homófonas como 'acender' e 'ascender', erros de acentuação, o hífen e até a caligrafia — quando ilegível, uma letra trocada também conta como erro ortográfico.

Fernanda destaca ainda um fenômeno crescente: a influência da oralidade e das redes sociais na escrita dos candidatos. Acostumados ao registro informal, muitos transportam esse estilo para a prova sem perceber. A recomendação é escrever com atenção à formalidade e, em caso de dúvida, substituir a palavra por um sinônimo seguro.

Chandy Pereira, ex-corretor do Enem, acrescenta que erros de vírgula, crase e concordância verbal também são muito comuns, assim como a translineação incorreta — sinal de pouca prática com a escrita à mão. Os especialistas convergem: leitura frequente, prática de redação e uso consciente de ferramentas de correção são os caminhos para desenvolver sensibilidade à escrita formal antes que a prova chegue.

O Enem 2025 acontece nos dias 9 e 16 de novembro, com a redação no primeiro dia. Em Belém, Ananindeua e Marituba, as datas foram adiadas para 30 de novembro e 7 de dezembro por conta da COP30. Para quem busca a nota máxima, a ortografia — aparentemente técnica e menor — é exatamente o tipo de detalhe que separa uma redação boa de uma redação excelente.

A redação do Enem 2025 será avaliada em cinco competências, e a primeira delas — que vale até 200 pontos — examina precisamente o domínio da escrita formal em português. Dentro dessa competência, a ortografia não é um detalhe menor. Ela é um componente que pode custar pontos, e quanto mais erros um candidato acumular, maior será o desconto na nota final.

Segundo Fernanda Becker, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, o sistema de avaliação funciona com uma lógica progressiva. Um erro isolado, se for simples e não prejudicar a estrutura da frase, pode não gerar desconto algum. Mas quando os desvios começam a se acumular — especialmente acima de três ocorrências — a pontuação começa a cair. Quanto mais erros ortográficos o estudante cometer, mais severo será o impacto na nota.

Os erros mais frequentes que os corretores encontram nas redações giram em torno de questões bem específicas. O uso dos porquês é um dos principais culpados: muitos candidatos confundem as quatro formas ("por que", "por quê", "porque" e "porquê") e aplicam-nas incorretamente. Dígrafos — aquelas combinações de duas letras que produzem um único som, como o "sc" em "nascer" — também causam confusão. Estudantes frequentemente escrevem apenas com "s" ou com "ç", perdendo a grafia correta. Palavras homófonas, que soam igual mas têm significados e grafias diferentes, representam outra armadilha comum: "acender" (produzir fogo) versus "ascender" (subir de cargo). A acentuação gráfica, seja pela sua ausência ou pelo posicionamento errado, aparece regularmente nas redações com problemas. O hífen, que existe apenas na escrita e não na fala, confunde muitos alunos. E há ainda a questão da caligrafia: quando a letra é pouco legível, um "o" pode parecer um "a", um "e" pode virar um "i", e esses casos também são contabilizados como erros ortográficos.

Fernanda chama atenção para um fenômeno que tem se intensificado: a influência da oralidade e das redes sociais na escrita dos candidatos. Muitos estudantes estão tão habituados a usar a língua em contextos informais — conversas, mensagens, posts — que acabam transportando esse registro para a prova. A redação do Enem exige formalidade, e essa transição não é automática para todos. A recomendação é escolher as palavras com cuidado, pensando sempre na escrita formal, e em caso de dúvida, consultar o próprio caderno de questões ou substituir a palavra por um sinônimo seguro.

Chandy Pereira, que trabalhou como corretor de redação do Enem, aponta que além dos problemas ortográficos, erros com vírgula, crase e concordância verbal são extremamente comuns. Muitos alunos ainda carregam a crença de que a vírgula marca uma pausa respiratória no texto, o que gera uso inadequado do sinal. Há também o problema da translineação — a quebra incorreta de palavras entre linhas — que revela falta de prática com a escrita manuscrita.

Os especialistas convergem em suas recomendações: leitura frequente amplia o repertório e familiariza o estudante com a escrita correta; praticar redação é essencial; ferramentas de correção inteligente podem ajudar a identificar erros, mas apenas como ferramenta de aprendizado, já que no dia da prova será tudo manuscrito. O objetivo é desenvolver uma sensibilidade para a escrita formal, reconhecer os próprios padrões de erro e corrigi-los antes que apareçam na prova.

O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro, com a redação acontecendo no primeiro dia. Em Belém, Ananindeua e Marituba, as provas serão adiadas para 30 de novembro e 7 de dezembro devido à realização da COP30 na região. Para os candidatos que buscam a nota máxima de 1000 pontos, cada ponto conta — e a ortografia, embora pareça um detalhe técnico, é exatamente o tipo de detalhe que separa uma redação excelente de uma redação boa.

Uma falha simples não desconta nota se não afetar a estrutura sintática do texto, mas a partir de três desvios a nota já cai
— Fernanda Becker, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000
Os alunos estão muito acostumados a usar a língua no contexto de oralidade, redes sociais e mensagens, e às vezes esse uso oral aparece na prova
— Fernanda Becker
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Inventor

Por que a ortografia é tão importante se o conteúdo da redação é o que realmente importa?

Model

Porque a Competência 1 vale até 200 pontos de um total de 1000. Não é um detalhe — é um quinto da nota. Além disso, erros ortográficos sinalizam ao corretor que o estudante não domina a escrita formal, e isso afeta a credibilidade de todo o argumento.

Inventor

Então um único erro de ortografia já tira pontos?

Model

Não exatamente. Um erro isolado, se for simples, pode não descontar nada. Mas quando começam a se acumular — acima de três — aí sim a nota cai. E quanto mais erros, maior o desconto.

Inventor

Qual é o erro mais comum que você vê?

Model

O uso dos porquês. Muitos alunos não sabem que existem quatro formas diferentes e cada uma tem um uso específico. É um erro que aparece em praticamente toda redação com problemas.

Inventor

E como alguém evita isso se está nervoso durante a prova?

Model

Praticando muito antes. Leitura frequente ajuda o cérebro a reconhecer a forma correta automaticamente. No dia da prova, você não tem tempo para pensar — você precisa já saber.

Inventor

A influência das redes sociais é realmente um problema?

Model

Muito. Os alunos estão acostumados a escrever de forma informal, com abreviações e sem preocupação com regras. Quando chegam na prova, essa linguagem informal vaza para o texto. É preciso fazer uma transição consciente para a escrita formal.

Inventor

Ferramentas de correção online podem ajudar?

Model

Podem, mas apenas como ferramenta de aprendizado. O problema é que no dia da prova você escreve à mão, então não pode depender delas. O ideal é usá-las para identificar seus padrões de erro e depois treinar para não cometê-los mais.

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