Daqui a pouco vai ter que fazer uma Papuda para o PL
No plenário da Comissão de Direitos Humanos, a deputada Erika Hilton transformou um debate sobre o Dia Nacional do Acarajé em um confronto sobre memória e responsabilidade política. Ao chamar o PL de 'partido da Papuda Lotada', ela não apenas respondeu a uma colega — ela nomeou uma contradição que atravessa o discurso da direita brasileira: o mesmo campo que celebrava punição severa agora reivindica compaixão para os seus. A história, como costuma fazer, cobrou o preço da coerência.
- A deputada Chris Tonietto abriu uma brecha ao invocar 'perseguição política' para defender Bolsonaro, e Hilton a atravessou com precisão cirúrgica.
- O apelido 'partido da Papuda Lotada' viralizou nas redes e transformou um debate parlamentar menor em munição política de grande alcance.
- Hilton listou nome por nome — Ramagem, Heleno, Torres, Eduardo Bolsonaro, Zambelli — transformando abstrações jurídicas em rostos e celas concretas.
- A contradição exposta é incômoda: apoiadores que antes bradavam 'bandido bom, bandido morto' agora exigem tratamento humanitário para condenados por tentativa de golpe.
- O campo bolsonarista enfrenta o desafio de sustentar a narrativa de perseguição enquanto o número de presos e foragidos ligados ao ex-presidente continua crescendo.
Na quarta-feira, durante sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a deputada Erika Hilton do Psol-SP respondeu à colega Chris Tonietto, do PL-RJ, com uma frase que rapidamente tomou as redes sociais: chamou o partido de Bolsonaro de 'partido da Papuda Lotada'. Tonietto havia sugerido que o ex-presidente poderia estar tranquilamente na Bahia se não fosse vítima de perseguição política.
Hilton concordou, à sua maneira: Bolsonaro poderia estar na Bahia, sim — mas não por perseguição, e sim pelas consequências de um suposto atentado contra a democracia e de um plano para assassinar Lula, Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, listou aliados presos ou foragidos — Ramagem, Heleno, Anderson Torres, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli — reforçando o apelido a cada nome.
A deputada também apontou uma contradição que considera fundamental: os mesmos que antes defendiam 'bandido bom, bandido morto' agora pedem tratamento humanitário para condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro. 'Daqui a pouco vai ter que fazer uma Papuda para o PL', ironizou.
Na prática, Anderson Torres é o único do núcleo principal que cumpre pena no Complexo da Papuda. Bolsonaro permanece preso preventivamente na Superintendência da PF em Brasília desde 22 de novembro, em cela com televisão e ar-condicionado — condições que Hilton descreveu como superiores às de muitos lares brasileiros. O embate revela uma disputa de narrativas: vítimas de perseguição ou responsáveis por suas próprias escolhas.
Na quarta-feira, durante uma sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, a deputada Erika Hilton do Psol-SP respondeu a uma colega do PL com uma frase que pegaria carona nas redes sociais: chamou o partido de Bolsonaro de "partido da Papuda Lotada". A provocação veio em resposta direto à deputada Chris Tonietto, do PL-RJ, que havia dito que o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia estar tranquilamente comendo acarajé na Bahia se não fosse vítima do que ela chamou de "perseguição política".
O contexto era uma discussão sobre a criação do Dia Nacional do Acarajé — tema que Hilton usou para pivotar para o assunto que realmente a incomodava. Sim, concordou ela, Bolsonaro poderia estar na Bahia. Mas não porque sofre perseguição. Porque, em sua avaliação, ele cometeu um "atentado contra a democracia" e planejou assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Depois veio o ataque direto. Hilton listou nomes de pessoas ligadas ao ex-presidente que estão presas ou foragidas: Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Anderson Torres, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli. A cada nome, reforçava a ideia de que o PL merecia o apelido de "partido da Papuda Lotada" — uma referência ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde vários condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro estão cumprindo pena.
Mas Hilton não parou aí. Criticou o que chamou de "eterno mimimi" dos integrantes do PL sobre as prisões de seus aliados. E apontou uma contradição que a incomodava profundamente: os mesmos apoiadores de Bolsonaro que antes gritavam "bandido bom, bandido morto" agora pediam tratamento humanitário para os condenados pela tentativa de golpe. "Daqui a pouco vai ter que fazer uma Papuda para o PL", brincou, sugerindo que sempre haveria mais alguém sendo preso por crime novo.
A realidade das detenções é mais complexa que a retórica. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, é o único réu do núcleo principal do golpe que cumpre pena efetivamente no Complexo da Papuda. Bolsonaro, por determinação de Moraes, permanece preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estava desde 22 de novembro. Lá, tem acesso a televisão, ar-condicionado e vigilância constante em sua cela — condições que Hilton descreveu como "melhores" que as casas de muitos brasileiros.
O discurso de Hilton reflete uma disputa que vai além das prisões. É sobre narrativas: se o PL e seus apoiadores conseguem convencer o país de que seus líderes são vítimas de perseguição política, ou se conseguem ser confrontados com a ideia de que estão colhendo as consequências de seus próprios atos. A frase "partido da Papuda Lotada" é uma arma nessa disputa — simples, memorável, e que transforma o que poderia ser uma discussão técnica sobre direitos dos presos em um ataque direto à credibilidade do partido.
Notable Quotes
A democracia é para todos. Todos precisam respeitar a democracia. Aqueles e aquelas que não respeitarem irão fazer jus ao nome deste partido: PL, que é o partido da Papuda Lotada.— Erika Hilton, deputada do Psol-SP
Bolsonaro poderia estar comendo acarajé na Bahia se não fosse por perseguição política— Chris Tonietto, deputada do PL-RJ
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Hilton escolheu especificamente a Papuda para atacar o PL? Não seria mais direto falar sobre as acusações de golpe?
A Papuda é concreta. É um lugar que existe, que as pessoas conhecem. Quando você diz "partido da Papuda Lotada", está transformando uma acusação abstrata em uma imagem — prédio cheio de gente do mesmo partido. É mais pegajoso que argumentos legais.
Mas ela mesma reconheceu que Bolsonaro não está na Papuda, está na PF. Isso não enfraquece o argumento?
Na verdade reforça. Ela está dizendo: olhem só, nem todos estão presos ainda, mas quando estiverem, a Papuda vai ficar lotada de gente do PL. É uma previsão, não uma descrição do presente.
E a contradição que ela apontou — "bandido bom, bandido morto" versus defesa dos direitos dos presos — isso é justo?
É uma observação real sobre mudança de postura. Mas também é um pouco simplista. Pessoas podem mudar de opinião sobre direitos humanos sem ser hipócritas. Podem ter dito coisas ruins antes e aprender. Hilton não está deixando espaço para isso.
Então ela está sendo injusta?
Está sendo estratégica. Em um confronto político, você não oferece ao adversário a chance de se redimir. Você o fixa no pior que ele já foi. É como funciona a política de trincheira.