Erika Hilton alerta que PEC de Flávio Bolsonaro pode permitir escala 7x0

Potencial impacto negativo na jornada de trabalho e direitos de milhões de trabalhadores brasileiros caso a PEC alternativa seja aprovada.
Acaba com a CLT e cria a escala 7×0
Alerta de Erika Hilton sobre os riscos da PEC alternativa apresentada por Flávio Bolsonaro no Senado.

No limiar de uma votação que pode redesenhar o cotidiano de milhões de trabalhadores brasileiros, uma proposta alternativa no Senado ameaça reverter o que a Câmara havia conquistado sobre a escala 6x1. Apresentada por senadores ligados à oposição, a PEC 12/2026 propõe uma flexibilização que, sob o argumento da autonomia individual, pode abrir caminho para jornadas ainda mais extenuantes. O embate revela uma tensão antiga entre a proteção coletiva dos direitos trabalhistas e a retórica da liberdade contratual — e o desfecho desta semana dirá muito sobre qual dessas visões prevalecerá.

  • A PEC 12/2026, encabeçada por Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, já acumula 40 assinaturas de senadores — bem acima do mínimo de 27 — e pode ser votada ainda esta semana na Comissão de Constituição e Justiça.
  • Críticos alertam que a proposta, ao permitir negociação livre entre empregadores e trabalhadores sobre a jornada, pode legalizar na prática uma escala 7x0, na qual o trabalhador não teria direito a nenhum dia de descanso semanal garantido.
  • A deputada Erika Hilton, principal articuladora da PEC original aprovada pela Câmara, convocou pressão popular imediata para que senadores retirem suas assinaturas da proposta alternativa antes da votação.
  • O que está em disputa não é apenas um modelo de escala, mas a sobrevivência das proteções da CLT para milhões de brasileiros — e a velocidade do processo deixa pouco tempo para reação.

Na noite de domingo, 31 de maio, a deputada Erika Hilton lançou um alerta público sobre uma ameaça que se formava no Senado: uma PEC alternativa, apresentada por Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho apenas um dia após a Câmara aprovar o fim da escala 6x1, poderia desfazer o que havia sido conquistado — e ir ainda mais longe na direção oposta.

A proposta, batizada de PEC 12/2026, permitiria que trabalhadores e empregadores negociassem livremente a jornada de trabalho, fora das proteções estabelecidas pela CLT. Seus autores defendiam que isso ampliaria a autonomia do trabalhador para escolher entre o regime tradicional e um modelo flexível baseado em horas trabalhadas. Para Hilton e outros críticos, porém, essa 'liberdade' era, na prática, uma porta aberta para escalas como a 7x0 — sete dias de trabalho sem folga garantida.

O que tornava a situação ainda mais urgente era o ritmo de adesão à proposta. Com 40 assinaturas de senadores — superando com folga o mínimo constitucional de 27 —, a PEC alternativa já estava na Comissão de Constituição e Justiça e poderia ser votada ainda naquela semana. Entre os signatários, o senador baiano Angelo Coronel, do Republicanos.

Hilton não se limitou ao alerta: convocou mobilização popular direta, pedindo que a sociedade pressionasse os senadores a retirarem suas assinaturas e aprovassem o texto original da Câmara sem modificações. Para ela, o que estava em jogo ultrapassava uma votação pontual — era a definição do patamar de proteção trabalhista que permaneceria vigente para milhões de brasileiros nos anos seguintes.

Na noite de domingo, 31 de maio, a deputada federal Erika Hilton publicou um alerta nas redes sociais que resumia uma disputa que estava prestes a se desenrolar no Senado. Uma proposta alternativa havia sido apresentada — a PEC 12/2026, encabeçada pelos senadores Rogério Marinho e Flávio Bolsonaro — que, segundo ela, não apenas desmantelaria conquistas trabalhistas, mas abriria a porta para algo ainda pior: uma escala 7x0, na qual um trabalhador estaria obrigado a trabalhar todos os sete dias da semana.

Hilton é uma das principais articuladoras da PEC que acaba com a escala 6x1, um projeto que havia acabado de ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Sua crítica era direta: a proposta alternativa enfraqueceria a Consolidação das Leis do Trabalho e permitiria que empregadores e trabalhadores negociassem livremente a jornada de trabalho, sem as proteções que a CLT estabelece. "O senador Flávio Bolsonaro e seus aliados apresentaram uma PEC no Senado que acaba com a CLT e cria a escala 7×0", escreveu ela, convocando a atenção pública para o que considerava um risco iminente.

A proposta alternativa havia sido protocolada na quinta-feira anterior, apenas um dia após a Câmara aprovar o texto original. Seus autores argumentavam que buscavam ampliar a liberdade e autonomia do trabalhador para escolher sua própria jornada e, consequentemente, sua remuneração proporcional. O texto permitiria que empregados optassem entre o regime comum previsto pela CLT ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Na prática, porém, críticos como Hilton viam nessa "flexibilidade" um caminho direto para o enfraquecimento de direitos conquistados ao longo de décadas.

O que tornava a situação urgente era a velocidade com que a proposta alternativa estava ganhando apoio. Uma PEC precisa de pelo menos 27 assinaturas de senadores para começar a tramitar — um terço dos 81 integrantes da Casa, conforme a Constituição. A proposta de Bolsonaro e Marinho já havia reunido 40 assinaturas, superando amplamente o mínimo necessário. Entre os apoiadores estava o senador baiano Angelo Coronel, do Republicanos. Pior ainda: a proposta já estava na Comissão de Constituição e Justiça e poderia ser votada naquela mesma semana.

Hilton não apenas alertava sobre o risco — ela convocava à ação. Os senadores que haviam assinado a proposta alternativa precisavam ser pressionados para retirar suas assinaturas e, em vez disso, aprovar o texto original da Câmara, sem alterações. "Essa PEC já está na Comissão de Constituição e Justiça e pode ser aprovada nesta semana. Os senadores que assinaram precisam ser pressionados para retirarem suas assinaturas e aprovarem a nossa PEC pelo fim da 6x1 sem alterações", afirmou. O que estava em jogo era mais do que uma votação parlamentar — era a definição de quais direitos trabalhistas permaneceriam protegidos para milhões de brasileiros nos anos vindouros.

O senador Flávio Bolsonaro e seus aliados apresentaram uma PEC no Senado que acaba com a CLT e cria a escala 7×0
— Erika Hilton, deputada federal (PSOL-SP)
Os senadores que assinaram precisam ser pressionados para retirarem suas assinaturas e aprovarem a nossa PEC pelo fim da 6x1 sem alterações
— Erika Hilton
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Flávio Bolsonaro apresentaria uma proposta que parece tão prejudicial aos trabalhadores? Qual é o argumento que sustenta essa alternativa?

Model

A proposta não é vendida como prejudicial — é apresentada como liberdade de negociação. Os autores dizem que querem dar ao trabalhador autonomia para escolher sua jornada e sua remuneração. Mas quando você remove as proteções da CLT, essa "liberdade" vira assimetria: o empregador tem muito mais poder de barganha.

Inventor

E a escala 7x0 que Hilton menciona? Isso é uma consequência lógica ou uma exageração?

Model

É uma consequência lógica. Se não há limite legal para a jornada, e a negociação é "livre", um trabalhador desesperado por emprego pode ser forçado a aceitar trabalhar todos os dias. Não é exagero — é o que acontece quando você remove pisos de proteção.

Inventor

Quarenta senadores já assinaram. Isso significa que a proposta vai passar?

Model

Não necessariamente. Assinatura é apenas o primeiro passo — significa que o projeto pode tramitar. Mas ainda precisa de votação na comissão e depois no plenário. É por isso que Hilton está pedindo pressão popular para que senadores retirem suas assinaturas.

Inventor

Qual é a diferença real entre as duas propostas? Uma acaba com a 6x1, a outra também?

Model

A proposta original da Câmara acaba com a 6x1 e estabelece novos limites de jornada. A alternativa de Bolsonaro não estabelece limites — apenas permite negociação livre. É a diferença entre abolir uma escala ruim e abolir a proteção contra escalas piores.

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