O Brasil registrou mais de 1.400 feminicídios em 2023
A cada ano, a redação do Enem convoca os jovens brasileiros a se posicionarem diante das feridas abertas do tempo presente. Para 2025, especialistas identificam cinco eixos temáticos — tecnologia, meio ambiente, educação, saúde pública e direitos humanos — como os mais prováveis de aparecer, refletindo um país que debate inteligência artificial, crise climática, dependência digital e violência de gênero ao mesmo tempo em que prepara sua próxima geração para pensar.
- A redação do Enem 2025 se aproxima carregada de expectativa: um único tema dissertativo pode definir o futuro acadêmico de milhões de candidatos.
- Temas como IA generativa, COP30 em Belém e a nova lei de restrição de celulares nas escolas colocam o Brasil no centro de debates globais que exigem posicionamento crítico.
- O crescimento das apostas esportivas online e a CPI das bets revelam uma crise silenciosa de saúde mental e vulnerabilidade financeira que o exame pode trazer à tona.
- Com mais de 1.400 feminicídios em 2023 e 300 mil denúncias de violência doméstica, o tema dos direitos das mulheres permanece urgente e historicamente recorrente no exame.
- A orientação para candidatos é clara: construir repertório sociocultural denso, com dados, exemplos e reflexão — porque o Enem não recompensa respostas simples.
A redação do Enem sempre foi um ponto de tensão para quem se prepara para o exame. Diferentemente de outros vestibulares, ela exige um texto dissertativo-argumentativo construído a partir de um tema único — e esse tema, historicamente, toca em questões sociais vivas, com ênfase em direitos humanos e sustentabilidade.
Jonas Moraes Sousa, assessor pedagógico da Plataforma Amplia, mapeou cinco eixos temáticos com alta probabilidade de reaparecer em 2025: Tecnologia e Sociedade, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Educação e Formação Social, Saúde Pública e Saúde Mental, e Direitos Humanos e Questões Sociais.
No campo tecnológico, a inteligência artificial se destaca. As IAs generativas já transformam a produção de conteúdo, mas trazem questões espinhosas sobre desemprego estrutural, privacidade digital e formação crítica dos cidadãos. No eixo ambiental, as mudanças climáticas ganham peso extra com a realização da COP30 em Belém, colocando o Brasil no centro das responsabilidades globais.
Na educação, a sanção da Lei 15.100/2025 — que restringe celulares em escolas — abre debate sobre saúde mental e uso consciente da tecnologia. Já as apostas esportivas online preocupam pela dependência comportamental e pelas lacunas legislativas expostas pela CPI das bets.
Por fim, a violência doméstica contra mulheres permanece urgente: 2023 registrou mais de 1.400 feminicídios — o maior número desde 2015 — e mais de 300 mil denúncias nos canais oficiais. Para quem se prepara, o caminho é desenvolver repertório sólido sobre esses eixos e estar pronto para argumentar com dados, exemplos e pensamento crítico.
A redação do Enem é sempre um ponto de tensão para quem se prepara para o exame. Diferentemente de outros vestibulares, o Enem exige especificamente um texto dissertativo-argumentativo construído a partir de um tema único — e esse tema, historicamente, toca em questões sociais vivas e atuais, com ênfase particular em direitos humanos e sustentabilidade.
Jonas Moraes Sousa, assessor pedagógico da Plataforma Amplia, mapeou cinco eixos temáticos que tendem a reaparecer nas provas: Tecnologia e Sociedade, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Educação e Formação Social, Saúde Pública e Saúde Mental, e Direitos Humanos e Questões Sociais. Para 2025, ele identifica dentro desses eixos temas específicos com probabilidade particularmente alta de aparecer.
No campo da tecnologia, a inteligência artificial emerge como candidata forte. As IAs generativas — como o ChatGPT — já transformam a produção de texto, imagem e vídeo, trazendo ganhos reais de produtividade e automatização. Mas trazem também questões espinhosas: desemprego estrutural, uso ético de dados pessoais, privacidade digital, e como formar cidadãos capazes de pensar criticamente diante dessas ferramentas.
As mudanças climáticas ocupam espaço central no eixo ambiental, especialmente porque o Brasil foi escolhido como sede da COP30 em 2025, em Belém. Essa escolha coloca o país no centro das discussões globais sobre sustentabilidade — e, internamente, força um debate sobre as fragilidades e responsabilidades ambientais brasileiras. O tema ganha peso ainda maior com a intensificação de eventos climáticos extremos em todo o mundo.
Dentro da educação e formação social, o uso excessivo de telas ganhou urgência em 2025 com a sanção da Lei 15.100/2025, que restringe o uso de celulares em escolas de educação básica. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças menores de dois anos não tenham contato com telas, e entre dois e cinco anos, o uso diário não ultrapasse uma hora com supervisão. Esse cenário permite discutir políticas públicas de educação digital, saúde mental e uso consciente da tecnologia.
As apostas esportivas online — as bets — representam uma preocupação crescente de saúde pública e saúde mental. O crescimento acelerado dessas plataformas levanta alertas sobre vulnerabilidade financeira, dependência comportamental e lacunas na legislação brasileira. A CPI das bets, que ganhou repercussão nacional, marca a relevância do tema e oferece repertório sociocultural sólido para uma redação.
Por fim, a violência doméstica contra mulheres permanece como questão social de peso inegável. Em 2023, o Brasil registrou mais de 1.400 feminicídios — o maior número desde que a série histórica começou em 2015. Apenas nos canais oficiais do governo, como o Ligue 180, foram mais de 300 mil denúncias de violência doméstica contra mulheres. Esses números refletem não apenas a persistência da violência de gênero no espaço privado, mas também a ineficiência de políticas públicas de prevenção e proteção, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Para quem se prepara para o Enem, o caminho é claro: desenvolver repertório sólido sobre esses cinco eixos, entender as nuances de cada um, e estar preparado para argumentar com dados, exemplos e reflexão crítica. O exame não quer respostas simples — quer pensamento.
Citas Notables
A redação do Enem costuma abordar questões sociais relevantes e atuais, com foco em direitos humanos— Jonas Moraes Sousa, assessor pedagógico da Plataforma Amplia
A escolha do país como anfitrião da principal conferência climática do mundo coloca o Brasil no centro das discussões globais sobre sustentabilidade— Jonas Moraes Sousa
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que esses cinco eixos em particular? Não poderia aparecer qualquer outro tema?
Porque o Enem historicamente escolhe temas que estão em debate na sociedade brasileira naquele momento. Não é aleatório. É sempre algo que toca em direitos, sustentabilidade, ou questões que afetam a vida das pessoas.
E por que a IA é tão provável agora?
Porque está transformando tudo — trabalho, educação, privacidade. É impossível ignorar. Um estudante que não souber argumentar sobre IA em 2025 está desarmado.
A COP30 em Belém realmente aumenta as chances de mudanças climáticas aparecer?
Muito. O Brasil como anfitrião da maior conferência climática do mundo coloca o país sob holofote. É um momento de reflexão forçada sobre nossas responsabilidades ambientais.
E as bets? Por que isso é tão importante para saúde mental?
Porque cresceu muito rápido, sem regulação adequada, e está afetando principalmente jovens — que são o público do Enem. É um problema real, não teórico.
Os números de feminicídio são chocantes. Isso é realmente um tema de redação?
Sim. Porque reflete uma falha estrutural de políticas públicas. A redação do Enem quer que você pense sobre como a sociedade falha em proteger as pessoas. Não é só um número — é um problema que exige solução.